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Iane Ribeiro: a história por trás do acordeon

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Foto: Marcela Ramos

Foi aos seis anos de idade que Iane Aparecida de Souza Ribeiro teve seu primeiro contato com a música, e não foi o tradicional violão que despertou seu interesse, mas sim o acordeon. Filha de Alfredo Ribeiro Duarte e Ana Maria Duarte, Iane cresceu no interior de Lages, na localidade de Pedras Brancas, ajudando os pais no trabalho do campo.

E mesmo sem a influência da música na família, a inspiração da futura acordeonista era simplesmente o despertar de um dom. Autodidata, Iane foi ter sua primeira aula de música aos 14 anos com o professor Edson Arruda, considerado um dos maiores acordeonistas da região. A primeira música que Iane aprendeu a tocar foi de seus  ídolos “Irmãos Bertussi”.

Em sua  primeira participação do Show de Calouros do Mauricio Husseini, concurso que acontecia pela rádio Princesa, conquistou o primeiro lugar, nas outras participações, garantiu o segundo lugar. 

Devido a distância até a cidade, Iane tinha dificuldades para estudar e trabalhar, entãos, aos 18 anos ela se mudou para trabalhar na casa família Campos, na cidade de Lages. Foi aí que ela teve a oportunidade de estudar e receber  incentivo para música. “Dona Rita Campos é minha segunda mãe, foi através dela que consegui entrar na faculdade e ser acordeonista na banda “Gurizada Galponeira.” 

Por cinco anos foi integrante do grupo “Gurizada Galponeira”, segundo ela, os integrantes do grupo e o público achavam diferente ter uma mulher no comando. Após isso, fez algumas participações no grupo “Raízes Sertanejas” e depois entrou para a dupla sertaneja Jackson e Luh Anne, mas sua vocação sempre foi para a música tradicionalista. 

Como se não bastasse os desafios da vida, Iane também enfrentou situações por ser mulher, ainda mais em um ambiente considerado somente para homens, onde as mulheres devem se encaixar no perfil do estilo musical. Mas Iane quebrou os tabus, mostrou que lugar de mulher é onde ela quiser, muito mais que isso, provou que a vestimenta usada pela musicista pode ser o da sua escolha. 

“Fico feliz em saber que as mulheres estão surgindo no ramo tradicionalista, temos nomes como, Bruna Scopel, Jocélia Borsoi aqui de Chapecó, Bia Socek, dentre outras meninas despontando por aí, trajadas de bota e bombacha”. 

Além de tentarem mudar seu traje de bota e bombacha para um vestido de prenda, Iane foi intimada pelo seu tom de voz.  “Meu tom de voz é grave, e mandavam eu cantar com tom de “mulher”, agudo no caso. Achavam que eu cantava assim de propósito para ficar com tom grave”. 

Todos temos momentos que marcam nossa vida, seja ele bom ou ruim. Mas nada mais emocionante e satisfatória que realizar um sonho de infância. Quando criança, ao ver a festa da igreja na localidade onde morava, Iane lançou as palavras, de que um dia  iria tocar naquele salão e ver as pessoas dançando.

O tempo passou, e não é que o sonho se tornou realidade. “Foi um momento marcante tocar naquela festa, no lugar onde nasci e cresci. Quando isso se tornou real eu não acreditava, pois foi a maior festa da igreja que aconteceu. O salão estava lotado, todos dançando. Jamais vou esquecer”. 

Sabemos que a vida é constituída por desafios, mas depende da perspectiva de cada um para lidar com cada um deles, contradizendo o ditado “cavalo encilhado só passa uma vez”, Iane criou suas próprias oportunidades, saio de casa ainda adolescente, deixando a vida do campo e adaptou-se aos costumes da cidade, enfrentando comentários machistas e os padrões que a sociedade impõe.

Segundo Iane, o sonho dela já está se realizando. “Meu sonho já está acontecendo, vendo mais mulheres no acordeon e tendo sua liberdade, estamos conquistando nosso espaço nos palcos e quebrando os tabus”. 

Após quase 10 anos sem subir aos palcos, a musicista foi convidada por um amigo, para tocar junto com o grupo “Estação Fandangueira” no Recanto do Pinhão deste ano, onde ganhou grande destaque pela sua voz e talento no acordeon. Fazem parte do grupo João Maria no Violão, Abel na guitarra, Nilson e Antonio no baixo, Paulo na bateria e Iane.

Formada em Educação Física e graduanda em Administração,  hoje com 35 anos, Iane trabalha com assistente administrativa, atendente de uma lanchonete e acordeonista da banda “Estação Fandangueira”. 

A música é sinônimo de liberdade, é o som de consolo e alegria, tanto para ela quanto para as pessoas. “A música e meu anti estresse. Me expresso tocando, as vezes arrisco escrever algumas melodias também. Mesmo não estando no palco, a música é o remédio para alma” conclui. 

Para contrato  

  • Banda: Embalo Fandangueiro 
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