Política

Governador diz não ter ciência das acusações contra secretários

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Foto: Reprodução You Tube

Durante a coletiva das 18 horas desta quarta-feira (6), após falar sobre o cenário de combate ao coronavírus no Estado, e respondendo a perguntas de jornalistas, o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva, disse não ter conhecimento das acusações feitas pelo ex-secretário da Saúde Helton Zeferino, contra o secretário da Casa Civil, Douglas Borba.

“É papel da Casa Civil fazer com que as coisas aconteçam. A Casa Civil é o elo entre cada setor e poder público.” E, ainda, que “quem deve responder a essas perguntas é o próprio secretário.”

Moisés destacou que na primeira quinzena de março, quando a Europa registrava o pico da pandemia, foi o “momento do desespero” e a Casa Civil tinha que cobrar que a Secretaria da saúde conquistasse as demandas [no caso, comprar respiradores para equipar as UTIs do Estado]. “Mas não conseguimos atingir o que queríamos, assim como outros estados do Brasil. Todos queriam o mesmo equipamento [os respiradores], o que interferiu no preço. Tem estado pagando R$ 200 mil por um equipamento.”

O governador afirmou que não acompanhou os procedimentos para a compra dos respiradores que custaram ao Estado R$ 33 milhões, foram pagos antecipadamente e não chegaram aos hospitais, onde são vitais para o atendimento às vítimas da Covid-19.

Sobre um possível afastamento de Douglas Borba, solicitado, inclusive pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Moisés disse: “Não tenho ciência. Vamos retomar o assunto à medida em que os assuntos forem se tornando claros. O afastamento de um servidor deve ser algo muito pensado. Temos que entender o por que da requisição. Temos a CPI, que poderá apontar como aconteceu o procedimento de compra. Temos que ter zelo para não fazermos julgamento prévio do que aconteceu. Temos investigações sobre o procedimento por vários órgãos do Estado e cabe ao governo aguardar os resultados para tomar decisões.”

Entenda o caso

Na última semana, por meio de uma reportagem do site The Intercept Brasil,  foram divulgadas fraudes na compra de 200 respiradores da China, pela Secretaria de Estado de Santa Catarina.

Os equipamentos foram adquiridos por meio da importadora Veigamed, sem licitação e com pagamento antecipado. Os respiradores deveriam ter chegado a Santa Catarina no início do mês de abril, mas não chegaram até hoje.

O fato culminou com a exoneração de Marcia Geremias Pauli, economista que trabalhou na Saúde do Estado por 14 anos; e também na exoneração do então secretário da pasta, Helton Zeferino.

Zeferino acabou por confirmar as denúncias da servidora de que o secretário da Casa Civil, Douglas Borba, foi quem indicou a importadora e forçou a contratação. Borba nega as acusações.

Além da CPI instalada pela Alesc, a Polícia Civil e o Ministério Público investigam os procedimentos.

A 1ª Vara da Fazenda Pública de Florianópolis suspendeu qualquer novo pagamento relativo ao contrato e determinou o bloqueio dos R$ 33 milhões na conts da Veigamed, mas foram encontrados apenas R$ 483 mil. 

Os números da Covid-19 no Estado

Como se nada estivesse acontecendo, o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva, começou a coletiva das 18 horas desta quarta-feira (6) apresentando as pessoas que o acompanhavam na mesa e falando da necessidade das ações rápidas e eficientes para combater a disseminação do novo coronavírus no Estado.

O novo secretário da Saúde, André Ribeiro, seguiu na mesma linha, aconselhando a população a seguir as orientações de higiene para evitar a doença.

Eles também falaram da estiagem que atinge Santa Catarina e da necessidade de a população ter consciência e economizar água.

Moisés confirmou que Santa Catarina registra 2.917 casos de Covid-19, em 194 municípios,  e 59 óbitos, com taxa de letalidade de 2,02% e negou que Santa Catarina seja o próximo epicentro da pandemia, afirmando que “nossa curva segue atenuada e que a leitura dos dados, feita pelo Ministério da Saúde está equivocada”.

Falou sobre a quantidade de leitos existentes nas diferentes regiões do Estado, bem como as diferenças regionais e a possibilidade de os municípios adotarem medidas diferentes no combate à disseminação da pandemia. “O pico deve acontecer nas próximas quatro semanas. Não temos remédio, nem vacina. Temos de preparar a estrutura de saúde para atender a essa demanda.”

 

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