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Expectativa de vida aumenta no país

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Foto: Patrícia Vieira

Chegar aos 96 anos não é para qualquer um. Mas, não é mesmo? Ainda mais esbanjando saúde física, psicológica e vida social capaz de provocar inveja. Exemplo disso é a aposentada Isaura Forbici, nascida no dia 9 de setembro de 1923, em Biguaçu, e residente em Lages há mais de 50 anos. Ela é uma dos oito pacientes do médico Jonas Coelho Lehmkuhl, com idade acima dos 90 anos.

Isaura não usa óculos e também não precisa de bengala, além disso, cuida da sua casa, das suas flores que, por sinal, é sua atividade preferida. “Gosto muito de flores. Estão bonitas, né?” Brincou ela durante a entrevista. Entre as histórias relembradas por ela, uma que chamou a atenção foi sobre a lembrança de quando passou pela primeira vez na Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis. “Lembro como se fosse hoje. Tinha 15 anos e estava acompanhada pelo meu pai.”

Ainda na adolescência, Isaura desenvolveu a habilidade de costurar. Fez o próprio vestido de noiva. Depois disso, vieram os filhos e a tradição se de manteve. “Fiz o vestido de noiva e de primeira comunhão das minhas filhas”, lembra ela, que atualmente não costura mais.

Em 2018, por consequência de uma queda, precisou fazer uma cirurgia para a retirada de um coágulo. “A recuperação foi ótima, fiquei melhor do que antes.”

O médico enfatiza que Isaura é uma exceção em relação a outras pessoas com a mesma idade. “Normalmente, pessoas com mais de 70 anos precisam tomar, em média, sete medicamentos ao dia para se manter bem. Entre eles, um antidepressivo”, afirma.

No Brasil, a expectativa de vida tem crescido progressivamente. Em 2018, alcançou 76,3 anos. Isso representa um aumento de três meses e 4 dias em relação a 2017, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Jonas Lehmkuhl explica que alguns fatores são essenciais para a longevidade. Há algum tempo, o envelhecimento saudável baseava-se em três fatores: boa alimentação, atividade física e intelectual. “Isso quer dizer que a pessoa que comia bem, praticava alguma atividade física e trabalhava bastava para ter uma vida-longa e saudável.”

Hoje, os tempos são outros. E, segundo o médico, agora são quatro fatores para a longevidade. Além dos três já citados, tem um quarto, a chamada interação social, ou seja, as pessoas precisam interagir mais com os outros, principalmente na terceira idade.

Em 2018, a expectativa de vida alcançou 76,3 anos, segundo dados o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. “O idoso tem que estar mais envolvido com as pessoas para se sentir cada vez melhor”, alerta o médico graduado em geriatria pelo Instituto de Geriatria e Gerontologia – PUCRS.

Com a longevidade, cresce a insuficiência familiar

Uma das maiores preocupações com a longevidade no Brasil é o surgimento de uma nova doença que vai ser denominada como “insuficiência familiar”, pontua o especialista.

Isso porque, com o passar dos anos, não vai ter gente para cuidar dos idosos. “Como as pessoas estão vivendo cada vez mais e com a redução do número de filhos, vai chegar um dia em que não haverá pessoas para cuidar dos idosos.”

Santa Catarina por exemplo, está entre os Estados com a menor taxa de fecundidade do país, segundo dados (IBGE). Em 2017, a média era de 1,57 filho por mulher. Para se ter ideia, na década de 1940, a maioria dos pais tinha, em média, seis filhos. “Esse número caiu para dois nos anos 2000”, exemplifica Jonas Lehmkuhl. 

Santa Catarina no topo do ranking 

Santa Catarina continua como destaque em ranking de qualidade de vida. O Estado tem a maior expectativa de vida e a segunda menor taxa de mortalidade infantil do país. No Brasil, a expectativa de vida cresce. Para os homens subiu de 72,5 anos para 72,8 anos. Já as mulheres saíram de 79,6 para 79,9 anos. 

Nesses quase 80 anos, também houve avanço na expectativa de vida de quem nasce no Brasil. Em 1940, a média era de 45,5 anos, sendo 42,9 para homens e 48,3 anos para mulheres. O crescimento entre as mulheres ficou em 31 anos e 6 meses, enquanto que entre os homens a elevação atingiu 29 anos e 9 meses. 

Em Santa Catarina, a expectativa é pelo menos três anos a mais que a média do brasileiro, ou seja 79,7 anos. Na divisão por sexo, as mulheres apresentam expectativa de 83 anos e os homens de 76,4 anos. Em contrapartida, o  Maranhão é o Estado onde as pessoas vivem menos, com a média de 71,1 anos.

Ainda de acordo com o IBGE, a grande diferença na expectativa de vida entre homens e mulheres catarinenses, e devido ao número maior de mortalidade dos homens por causas externas, como homicídios e acidentes de trânsito.

Mortalidade infantil

A mortalidade de crianças menores de cinco anos de idade teve queda de 14,9 por mil habitantes em 2017, para 14,4 por mil habitantes em 2018.

A pesquisa indica que entre as crianças que morreram antes de completar os 5 anos de idade, 85,5% teriam a chance de morrer no primeiro ano de vida e 14,5% de vir a morrer entre 1 e 4 anos de idade.

Santa Catarina apresenta a segunda menor taxa de mortalidade infantil: 8,6  óbitos de menores de um ano para cada mil nascidos vivos no Estado, enquanto a média nacional é de 12,4 óbitos em cada mil nascidos. O Estado do  Espírito Santo é o primeiro no ranking com 8,1 mortes a cada mil nascidos vivos.

Amparo ao idoso

Com o aumento da expectativa de vida, cresce, também, a necessidade de amparar essa população e seus familiares por meio da Proteção Social Especial de Média Complexidade, prevista na Política Nacional do Idoso e no Estatuto do Idoso.

De acordo com a diretora de políticas públicas da Secretaria de Assistência Social e Habitação de Lages, Taciane Eloisa Fontana, são desenvolvidas várias ações focadas nos idosos, principalmente, naqueles que precisam mais proteção.

Além disso, são oferecidas atividades gratuitas, como palestras sobre prevenção em saúde, segurança, ginástica, alongamento, dança terapia, recreação, entre outras. Entre os locais onde são oferecidas essas atividades, está o Centro de Convivência do Idoso (CCI) Dom João Oneres Marchiori, situado no Bairro Várzea.

Atualmente, mais de 500 idosos estão cadastrados, sendo que, em média, 250 estão ativos e assíduos. Além disso, a cidade conta com o Centro-Dia do Idoso, pioneiro na Serra Catarinense e o segundo de Santa Catarina. 

 

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