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Entrevista com Vereador Gerson dos Santos (PSD)

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Foto: Marcela Ramos

O senhor teve uma legislatura pelo MDB, agora está no PSD e teve uma saída um pouco conturbada do MDB. Por que o senhor foi para o PSD?

Eu fui filiado ao MDB durante 15 ou 16 anos, concorri a vereador em 2008, fiz 1.515 votos, fiquei como primeiro suplente e não consegui assumir na Câmara. Em 2012 concorri de novo e consegui uma vaga na Câmara. Trabalhamos bastante, fizemos bons projetos e lutamos pela presidência da Câmara algumas vezes, mas não tive os apoios necessários para isso. A minha saída do MDB foi justamente pelo fato de não ter o apoio, do próprio partido, em relação ao que a gente pensava para projetos para a cidade. Não nos apoiaram e ‘a gente’ queria aproveitar essa visão de ter outras alternativas, não tivemos o apoio necessário e por isso decidimos sair do partido. 

O senhor falou sobre a presidência da Câmara, é um sonho assumir esse posto?

Eu persigo isso há bastante tempo, desde 2013, e tenho lutado bastante, já participei de três candidaturas a presidências, mas, infelizmente, nenhuma delas teve resultado positivo. 

Por que o senhor acha que não teve o resultado positivo? 

Os motivos são vários, como falei agora. Um, propriamente dito, [porque] não tivemos apoio necessário na época, as outras duas [candidaturas], por questões políticas. Fizemos um trabalho, conversamos com todos os vereadores, tivemos o apoio de muitos e a palavra de vereadores, mas na hora ‘H’ não tivemos o voto deles. De fato isso acontece bastante, eu entendo, é política, faz parte desse jogo, não do jogo desonesto, isso acho que não é legal. Mas de fato a gente tinha em todas elas [candidaturas] a palavra dos vereadores e no momento da votação, infelizmente, [eles] não cumpriram com a palavra.

O senhor se considerou traído?

Várias vezes, sem dúvida. 

O senhor está na situação na Câmara e na legislatura anterior, quando o prefeito era Elizeu Mattos (MDB) também era. Muitos vereadores que são da coligação que elegeu o prefeito Antonio Ceron não se comportam como da situação, mas sim como opositores. O que o senhor acha disso?

Acho que você deve perguntar para eles, pois são eles que agem dessa forma. Mas é do entendimento de cada vereador e a gente precisa respeitar isso, porque precisamos trabalhar, somos colegas. Cada um tem as suas opiniões, busca o seu espaço e a maneira que alguns tentaram buscar o espaço foi dessa forma. Claro, não precisa concordar, mas precisa respeitar a opinião de cada um deles. 

O senhor se considera um vereador de situação, vota com o governo?

Eu voto com o governo, naturalmente, discutimos os projetos. Eu fui líder do governo durante dos dois primeiros anos (2017-2018), apresentamos todos os projetos do executivo, tivemos uma aprovação de 100% dos projetos do executivo nos dois primeiros anos. É um trabalho de convencimento, para cada vereador você precisa explicar o significado do projeto, e conseguimos essa aprovação de 100%. Você precisa ter essa diplomacia para poder aprovar os projetos do executivo. É óbvio, que alguns deles, são remédios amargos, não são saborosos, mas enfim, o poder público tem essa responsabilidade, ou seja, em alguns momentos precisa que o município equilibre as contas e tenha um equalização de funcionários. E, de fato, a gente conseguiu apresentar, na maioria das matérias, e todas elas foram aprovadas. 

O senhor propôs algumas vezes, a redução do salário dos vereadores, uma delas, para reduzir dos mais de oito mil reais para um salário mínimo (R$ 954,00). Não acha que é demagogia essa proposta, ‘jogar para a torcida’? Porque é um projeto que o senhor sabe que não passaria entre os vereadores? 

Não sei se não passaria entre os vereadores, o projeto foi lançado. Demagogia também acho que não, porque é uma proposta que a gente tem escutado no Brasil inteiro e de toda a população. Eu já entrei [com o projeto] na legislatura passada, não somente nessa, e brigamos bastante pela a redução de salário, do número de vereadores e redução do duodécimo, ou seja, dos 6% que o município repassa para a Câmara, já lutamos para diminuir para 3%, 4% ou 2%. Enquanto não mudar isso não teremos resultado positivo de economia dentro da Câmara. Só tem uma forma de reduzir o gasto público, que é, reduzir comissionado, salário e despesas, só isso. Só tem essas três formas, não tem magia. Todas essas [formas] atuamos, desde a legislatura passada. 

Para quem não tem outra renda, que não é o seu caso, esse valor (um salário mínimo) não seria inviável, uma forma, inclusive de elitizar a Câmara? Que a pessoa que não tem uma renda extra, talvez, não consiga se dedicar ao trabalho de vereador?

Essa é uma questão que já foi discutida bastante, de fato, 99% dos vereadores, em todas as legislaturas, nós pesquisamos isso, têm outras profissões, ou são empresários, ou são  funcionários públicos, ou são médico. Acho justo que a gente possa reduzir salário, mesmo porque, é óbvio que trabalhamos intensamente, mas dá para compartilhar isso. 

Propor esse tipo de projeto não seria desviar o foco das necessidades da população, como lazer, educação e saúde?

Nós propomos isso também, mas não desviamos o foco, estamos trabalhando no projeto das cheias desde 2014, um projeto bastante importante, conseguimos um recurso via Defesa Civil Nacional, na ordem de R$ 900 mil. Conseguirmos o projeto que está sendo executado pelo CAV (Centro Agroveterinário da Udesc) [23 de outubro terá uma audiência pública para apresentar parte do estudo], é bastante importante, que vai fazer o que? Vai nos dar um estudo da nossa bacia hidrográfica, ou seja, vamos saber exatamente, tecnicamente e cientificamente onde alaga no município e quais são as resoluções que precisamos fazer. Temos projetos em todas as áreas, bolsa atleta, que ajudamos, principalmente, os atletas iniciantes. Temos vários projetos em relação a isso, agora aprovamos Lages Bem Mais Simples, que facilita que as empresas iniciem seu processo com alvarás provisórios, ou seja, empresas de médio e baixo risco, não precisam demandar tanto tempo na espera desses alvarás, podem fazer declarações, é um projeto nosso, da Câmara, temos outros bastante importantes. 

O senhor parece estar bastante preocupado com a questão do salário, porque o senhor não faz como o prefeito de Lages, Antonio Ceron, e doa o seu salário?

Você sabe se eu doo?    

O senhor está doando?

Não posso falar. A gente já escutou diversos casos, em relação a isso, quando ajudamos uma entidade ou uma pessoa dizem que estamos fazendo campanha. 

Mas agora eu estou lhe perguntando, o senhor doa o seu salário?

A mão direita que dá, a esquerda não precisa saber. Nós estamos propondo uma economia de R$ 4 milhões para a Câmara, não é R$ 1,00, nem R$ 8 mil, são R$ 4 milhões. Acho que o foco não é se eu doo ou não doo, o que eu faço, ou que não faço, o foco é o seguinte, vamos batalhar para realmente economizarmos R$ 4 milhões na Câmara e aí sim, ajudar os projetos da cheia, a saúde, a educação. E de fato isso pode acontecer, hoje [seis de agosto] temos sete assinaturas para esse projeto. 

O senhor está na segunda legislatura, vai alçar voos maiores, ou será daqueles vereadores que se perpetuam e ficam várias legislaturas?

Esse é um processo que o Brasil inteiro, hoje, está renovando politicamente. Cada eleição a gente tem essa tendência, a Câmara sempre renova 50% a 70%. Nós tivemos essas ondas de votação, tanto no governo federal como estadual, algumas foram positivas e outras estamos vendo alguns resultados hoje. Entendo que preciso cumprir o meu mandato. Tenho meus objetivos que são quatro projetos para ajudar a população. O das cheias e do mal-tratos dos animais. Criamos a Frente Parlamentar dos Maus-tratos Animal, e revisamos toda a lei, fizemos cinco reuniões com todas as entidades envolvidas e vamos apresentar ao Executivo [Executivo deve apresentar o projeto à Câmara de Vereadores ainda este ano]. Então, se esses projetos não se concretizarem, ou iniciarem e não terminarem, até o final do mandato, a gente vai pensar se vai ou não [concorrer]. 

Sobre a questão das cheias o senhor considera que o Executivo não está se preocupando e o vereador tem de agir?

Cada um faz um pouquinho. No caso do projeto das cheias, cada um faz alguma coisa, um prefeito vai lá e faz o desassoreamento do rio, outro tira a curva, outro planta ‘não sei o que no rio’, ou tira algumas pessoas da área de risco. O que precisamos? precisamos ter um estudo científico, é o que está sendo feito no CAV sobre a bacia hidrográfica. Precisamos saber o relevo, a quantidade de chuva e onde que afeta, e ainda, de que forma vamos resolver o problema do alagamento na cidade. E esse estudo científico nunca foi feito [em 2010 na gestão de Renato Nunes de Oliveira, a partir de um estudo, foi realizada uma interferência, mas não a primeira, nos rios Carahá e Caveiras]. Isso vai nos dar um resultado do que obras precisam ser feitas para resolver ou amenizar muito o problema das cheias e alagamento no nosso município. Outros prefeitos fizeram, mas muitas vezes no achismo, ou na ideia de que isso pode resolver uma parte, e agora não! vamos ter esse estudo, independentemente do prefeito. O prefeito Antonio Ceron está ajudando e muito em relação a isso, teve entendimento. Sendo ele o prefeito agora, se for ele depois, ou os próximos, vai ter esse estudo. Precisamos resolver esse problema que atinge, perto de 15 mil pessoas. 

O prefeito Antonio Ceron está sendo muito criticado, especialmente nas redes sociais, e também pelos seus colegas vereadores, inclusive do seu partido. O senhor não falou se é pré-candidato, disse que vai analisar, mas caso o senhor seja candidato, não acha que essa proximidade, e ser do partido do prefeito, pode atrapalhar?

As críticas sempre existiram e sempre vão existir, se não existissem as críticas não precisava de prefeito, de governador, não precisava ter ninguém e tudo estaria uma maravilha. E não vai estar [uma maravilha] e não vai ser essa administração, nem as próximas que vão resolver todos os problemas. Nossos problemas são constantes, uma demanda crescente, então, o prefeito pode ter críticas, mas tem muitas coisas a favor também. E de fato, se apontarmos, conseguimos desenrolar muitas coisas que estavam enroladas. Como te falei, entramos em um ponto de equilíbrio econômico na prefeitura, pagamos salário em dia, pagamos os reajustes em dia. 

Que é uma obrigação.. 

É uma obrigação, mas o Rio Grande do Sul não paga, o Rio de Janeiro não paga. 

A gente não tem de pensar em quem não está cumprindo a lei?

Concordo com você.

Não pode ser mérito?

É um mérito porque conseguiu fazer, mas de fato, temos obras bastante importantes na nossa cidade, Complexo Ponte Grande sendo tocado, que teve mil reajustes no projeto, o [Complexo] Araucária vai ser inaugurado no sábado [foi inaugurado no sábado 20 de setembro], temos 50% do nosso saneamento básico, terminada a [Avenida] Ponte Grande e entregue o Araucária chegará a 75%. É um avanço, uma média gigante, perto da média nacional. Temos o Mercado Público que vai ser entregue agora, uma obra importante, também a revitalização do Calçadão [Praça João Costa]. Recursos estaduais e federais, que teve uma briga gigante para sair. Aprovamos um empréstimo para a prefeitura de R$ 50 milhões e mais R$ 5 milhões para compra de equipamentos e asfaltamento das principais ruas em que passam os ônibus. Inauguramos a UPA [Unidade de Pronto Atendimento]. 

Maioria das obras com recursos estaduais e federais? 

O município não tem condições. Se o país não fizer uma reforma tributária, se o recurso do FPM, o Fundo de Participação dos Municípios, não aumentar, a tendência, já comprovada pelo Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE), é que os municípios pequenos se extingam. 

O senhor falou sobre ser candidato a vereador, mas o senhor tem um discurso bastante de executivo, passa pela sua cabeça ser prefeito de Lages?

Não. Gosto do legislativo e do executivo, como falei, a minha vida é relacionada a desafios. Gostaria muito de assumir a [presidência] da Câmara, não tenho dúvidas disso, ainda tenho sonho de um dia, talvez, quem sabe, assumir, justamente, para demonstrar também um desafio de gestão. Mas não tenho intenção de ser prefeito, por enquanto não. 

 

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