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Empresas de tecnologia desenvolvem ideias inovadoras

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Franciane é uma das pesquisadoras do projeto - Fotos: Adecir Morais

Com mais de 4 mil metros quadrados de área construída e com a missão de incentivar inovações e promover o desenvolvimento na Serra Catarinense, o Órion Parque Tecnológico, instalado em Lages no ano de 2016, vem confirmando sua missão.

O que comprova isso é o fato de que em 2017, um ano após o início das atividades, abrigava apenas quatro empresas residentes e, neste ano, já são 27, um crescimento de seis vezes. E mais 15 empresas virtuais.

Entre as empresas, que atuam nas mais diversas áreas, está a Scienco Biotech que trabalha em um projeto para desenvolver molécula que proporciona o diagnóstico de doenças; e a Salvo Soluções Digitais, que desenvolve o projeto Cowtrol, destinado a proteger rebanhos.

Empresa desenvolve molécula para diagnóstico de doenças

Um grupo de pesquisadores está desenvolvendo uma nova molécula para o diagnóstico de doenças em geral. O projeto é da Universidade de Santa Catarina (CAV-Udesc) com a colaboração da empresa Scienco Biotech. A pesquisa está sendo realizada no Órion Parque Tecnológico, em Lages.

O projeto tem por objetivo desenvolver moléculas para a detecção e purificação de anticorpos. O procedimento baseia-se na utilização de técnicas de engenharia de proteínas para gerar moléculas híbridas capazes de reconhecer e purificar os anticorpos de maneira mais eficiente e com custo de produção muito menor.

Os anticorpos são moléculas que atuam na defesa do organismo contra doenças. Eles são capazes de detectar agentes patogênicos como vírus, bactérias, células tumorais, entre outros. São utilizadas para fins de diagnóstico, pesquisa e tratamento.

De acordo com a professora Maria de Lourdes Barbosa Magalhães, uma das sócias das empresas, o projeto traz uma série de vantagens, dentre elas, possibilitará a redução de 50 a 100 vezes os custos de produção, além de não utilizar animais de laboratórios nas pesquisas e reduzir a formação de resíduos químicos.

Esperamos que, sendo uma tecnologia nacional, haverá uma diminuição de custos de diversos serviços ligados à saúde, principalmente aqueles ligados a diagnósticos”, destaca a professora.

Outro ponto importante é que a tecnologia desenvolvida é nacional. Atualmente, comenta a professora, o Brasil importa este tipo de tecnologia. O mercado mundial de anticorpos gira em torno de US$ 80 bilhões por ano, com perspectiva de duplicar esse valor até 2019.

O início

As pesquisas tiveram início há cerca de um ano, quando a empresa Scienco entrou no edital do ÓrionLab, no Órion Parque Tecnológico. A proposta dessa modalidade, que representa a parte de concepção do projeto, é facilitar o acesso para ideias inovadoras que não tenham o projeto e seu modelo de negócio em fase avançada.

O segundo passo foi dado recentemente, quando o projeto entrou em uma nova etapa (período de incubação). Com isso, iniciou-se a fase de testes de validação da nova tecnologia. O projeto é financiado com um aporte financeiro de R$ 400 mil do Senai/Inovação. A expectativa é que a nova tecnologia  entre no mercado por volta de 2020.

Cinco pesquisadores trabalham no projeto, como Franciane Batista. “Atuo como bolsista do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico)”, conta ela, enquanto manuseia material no laboratório da empresa instalada no Órion.

Criada e aperfeiçoada nos corredores do CAV, a Scienco Biotech, nasceu a partir do programa Sinapse da Inovação – iniciativa que busca fomentar propostas que apresentem projetos de desenvolvimento de produtos (bens e serviços) ou de processos inovadores, transformando ideias inovadoras em empreendimentos potencialmente sustentáveis.

Sistema para proteger rebanhos

O projeto da Cowtrol, da empresa Salvo Soluções Digitais, nasceu “meio sem querer”. Foi acompanhando a conversa do filho com o cunhado dele sobre uma vaca chamada “barrosa do chifre torto” que ia criar e que, por isso, precisava de cuidados, que o empresário Marcus Moreno decidiu inovar. O fato aconteceu há menos de um ano, em uma propriedade rural no interior de São Joaquim, na Serra Catarinense.

O Cowtrol, concebido a partir de muita conversa com  produtores rurais, promete revolucionar aspectos da cultura tradicional da região. Com inovação e tecnologia, o projeto permite melhor gerenciamento do rebanho.

Possibilita, através de um aplicativo de celular via bluetooth, o armazenamento de dados cadastrais dos animais. O produtor tem a opção de acompanhar o peso do animal, dentre outros dados. A ideia é fazer um código de QR Code como parte do sistema.

Marcus mostra equipamentos do sistema que está sendo desenvolvido

Outro pilar importante do Cowtrol diz respeito à segurança, manejo e controle do rebanho. Foi desenvolvido um sensor de temperatura e movimento do bovino. O aparelho pode ser colocado como uma coleira no animal e ficará mandando informações para uma central, um sistema em nuvem que vai centralizar todos esses dados.

Este sistema, explica Marcus, pode ser uma ferramenta eficaz contra o furto de gado, comum na serra, pois possibilita o rastreamento do animal. Dados da Polícia Civil mostram que, no ano passado, foram furtadas 27 cabeças de gado apenas em Lages. E até agosto deste ano, 23 bovinos foram furtados.

Um dos desafios é criar um produto, que já tem estudos de viabilidade, com um preço acessível, de forma com que todos os produtores tenham acesso à tecnologia. O projeto poderá receber aporte financeira de R$ 400 mil da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O sistema pode ser usado em qualquer tipo de animal.

Marcus explica que o projeto está em avançado processo de desenvolvimento. No início do ano que vem, devem começar os testes em propriedades de Lages e, em seis meses, a ideia é colocar o produto no mercado. “A ideia é que tenhamos um sistema barato e que seja fácil de usar”, afirma Marcus.

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