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Em 2013, Jean foi o melhor brasileiro nos 1.500

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Lageano virou dono de academia na capital catarinense - Foto: Divulgação

A explosão na pista era a marca de Jean Pierre Campos Ferrugem. O meio-fundista é exemplo de que a fruta não cai longe do pé. Filho do corredor Paulo Ferrugem, inclusive com participações em provas internacionais, é o primeiro filho homem da família Ferrugem e herdou a paixão pelas provas de rua.

Mais tarde, os outros dois irmãos seguiram a mesma linha. A influência bateu forte, aos 16 anos já mostrava que tinha futuro no atletismo tendo seu pai como treinador. “Logo percebemos que eu tinha talento”, explica o rapaz que provou que escolheu o esporte certo. 

Jean, recentemente, foi pai do garoto João Pedro e, certamente, vai começar a contar os dias para descobrir se nas veias dele também corre o sangue de um apaixonado por corridas de rua.

“Nasceu dia 2 de outubro e tem sido uma alegria imensa para nós”. O lageano acumulou em quase dez anos de carreira cinco títulos nacionais e nove convocações para a Seleção Brasileira

Em 2013, foi indicado pela Confederação Brasileira de Atletismo como atleta destaque, pois foi o brasileiro mais rápido nos 1.500m, fazendo o percurso em 3:42:61. E, durante o ano todo, manteve-se com a melhor marca. A prova foi na Argentina.

Para chegar ao selecionado, Jean batalhou muito e precisou fazer parcerias para conquistar as sua metas. A determinação era tamanha que ganhou bolsa integral da Unifacvest, onde cursou Educação Física.

Ele não decepcionou e deu a resposta nas pistas sendo campeão brasileiro universitário em 2009 e competiu ainda no Mundial Universitário, na Rússia, em 2013.  Hoje, aos 31 anos, Jean Ferrugem está casado com a Ana Cláudia. Ele mora em Florianópolis, onde virou empresário do ramo fitness, a Cross Life Floripa.

O corredor sempre se orgulhou de vestir a camisa de Lages e esteve presente nos Joguinhos Abertos, Olesc, Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc) se consagrando  especialista nos 1.500 metros rasos, o que deu a ele condições de ser cinco vezes campeão brasileiros e compor 9 seleções colocando Lages no mapa mundial das competições internacionais, passando por China, Holanda, Bélgica, Rússia, Argentina, Uruguai, Colômbia, Peru e Chile.

Apesar de ser um multicampeão, Jean também tinha “adversários” em casa.  A irmã mais velha Isis correu até os 13 anos era muito boa nas corridas de rua. O Victor, o caçula, correu até os 19, chegou a disputar campeonatos brasileiros no 2.000m com obstáculos. Ambos seguiram outros caminhos e aproveitaram os benefícios do esporte praticando atividades físicas regulares até hoje.

O corredor foi persistente na busca de seu lugar ao sol. Foram oito anos treinando em Lages até se formar em 2009. Depois foi embora para Campinas/SP atrás de oportunidades que o colocassem perto dos melhores atletas do Brasil.

“A equipe era BM&F Bovespa. Fui treinar com Ricardo D’Ângelo, treinador do Vanderlei Cordeiro de Lima, medalhista olímpico na maratona”, explica. A convivência com os melhores do esporte dividindo camping de treinos na Holanda, competindo em meetings internacionais. Também fez treinamento na altitude na Colômbia. Chegou a ser o melhor do Brasil em 2013 com marcas mais rápidas nos 1.500 metros.

Jean correu por Lages e colocou a cidade no contexto mundial

Títulos

  • Campeão brasileiro dos Jogos da Juventude ( Brasília)
  • Campeão Brasileiro Juvenil (São Paulo)
  • 2 vezes  campeão brasileiro sub 23 (São Paulo)
  • Campeão Brasileiros Universitário (Fortaleza)
  • Campeão de  Meetings Internacionais nos 1.500 metros (Chile) e  na Argentina nos 800m e 1.500m

Correio Lageano: O que trouxe das pistas para a sua atual profissão? 

Jean Pierre Campos Ferrugem: A garra de um atleta, disciplina e foco nos resultado. A vontade de vencer e a resistência às adversidades.

O que mudou na sua vida depois que deixou o esporte?

Em 2016, após uma sequência de lesões e o corte de recursos para todos os esporte no Brasil, e após a Olimpíada, encerrei minha carreira. Antes, em 2014, após uma lesão que me deixou seis meses parado, comecei a pensar no futuro. Tinha me formado na pós-graduação e comecei uma assessoria esportiva. Fui personal trainner. Quando acabou a minha contribuição no atletismo, 2 anos mais tarde, já tinha clientes. Conheci o Crossfit e um ano depois abri minha academia, em Florianópolis.

Deixou o esporte completamente ou ainda se aventura? 

Deixei as pistas, mas me aventuro em corridas com obstáculos, mas por diversão.

Do que tem saudade das competições? 

Das viagens, da Seleção, do Estádio lotado, da sensação de estar posicionado nos momentos antes da largada, muita adrenalina

Se arrepende de algo em relação ao esporte? 

Percebi que toda preparação e foco, por melhor que seja, não agrega valor ao currículo quando o assunto é vaga de trabalho. Vi muitos atletas talentosos que hoje estão no subemprego, ou muito aquém do que vislumbraram. Graças a Deus, trabalho por conta e uso as habilidades a meu favor. Fiz faculdade, isso faz a diferença. O atleta tem que saber que a vida no esporte amador é curta e ingrata.

A próxima história será dos irmãos Vilmar e Vitalino Gargioni 

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