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Doenças perigosas não podem ser esquecidas

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O uso de preservativo é essencial para prevenir casos de sífilis Foto: Susana Küster - Arquivo/CL

Em meio à pandemia do novo coronovírus, outras doenças infecciosas precisam ser motivo de preocupação da população.

Só este ano, 109 casos de sífilis foram notificados em Lages, sendo 32 em gestantes e 30 casos de sífilis congênita (transmitida de mãe para o bebê). Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde de Lages.

Estes números, no entanto, são menores na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram registrados 138 casos, sendo 57 de sífilis congênita.

Para a gerente de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Lages, Sumaya Pucci, a redução se deve ao fato de que menos pessoas procuraram o sistema de saúde para fazer testes rápidos.

“O  pessoal parou de se preocupar com este tipo de doença. Pode ter mais casos que não conseguimos saber, então temos subnotificação”, diz.

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) e sua principal forma de contágio é por meio da relação sexual sem uso de preservativo, inclusive por sexo oral.

Outra forma importante de contágio é a da mãe infectada para o bebê, durante a gravidez e parto. Apesar de rara nos dias de hoje, pode ocorrer também transmissão por meio da transfusão de sangue contaminado.

Outras doenças infecciosas chamam a atenção em Lages, como as hepatites virais e o HIV. Somente este ano, o município já notificou 26 casos de HIV/AIDS e 26 de Hepatites Virais.

A manutenção da testagem rápida é de suma importância para a ampliação do diagnóstico, já que hoje os testes são realizados em todas as Unidades Básicas de Saúde, Hospitais e na Vigilância Epidemiológica.

“Vivemos hoje uma pandemia, a Covid-19 fez o mundo parar, mudou os hábitos de higiene e também a rotina dos brasileiros. Entretanto, essa situação de alerta em que a população está deixou em segundo plano outras doenças igualmente importantes que precisam ser diagnosticadas e tratadas”, destaca Sumaya.

Ela explica que tratamento das doenças citadas é fornecido gratuitamente pelo SUS e mesmo assim ainda percebe-se o abandono do tratamento do HIV e a dificuldade de seguimento do tratamento da sífilis.

“Fato que colabora para o aumento dos casos e da transmissão. No casos das Hepatites Virais, por não apresentarem sintomas logo após o contágio, seu diagnóstico acaba sendo tardio, fator que contribui para o agravo da doença”.

Aumento tem ocorrido ao longo dos anos

O Brasil vive um período de aumento dos casos de sífilis nos últimos anos. Após 2010, quando a sífilis adquirida teve sua notificação compulsória implantada, a taxa de detecção aumentou de dois casos por 100 mil habitantes em 2010 para 42,5 casos por 100 mil habitantes em 2016. A estimativa da Organização Mundial da Saúde é que 937 mil pessoas sejam infectadas a cada ano no país.

Em Santa Catarina, em 2016, a taxa de detecção de sífilis adquirida (77,8 casos por 100 mil habitantes) foi superior à média nacional (42,5 casos por 100 mil habitantes) e o estado ocupou a terceira colocação no ranking com as maiores taxas de detecção (atrás dos estados do Rio Grande do Sul e Espírito Santo).

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