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Dia a dia é marcado por vitórias para Arthur

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Arthur é o que está na frente da turma, segurando um matinho nas mãos. Foto: Susana Küster

Aos dois anos de idade, Arthur Rigotti, hoje com oito anos, teve uma crise convulsiva na creche e sua mãe, Francielle Correa Vieira, 39 anos, descobriu o diagnóstico de síndrome esclerose tuberosa e epilepsia de difícil controle medicamentoso. Na época, o pai dele resolveu não acompanhar sua vida do menino e se separou de Francielle.

Dos dois aos quatro anos, a busca era zerar as crises epiléticas. Aos três anos, Francielle foi chamada em uma creche que Arthur era aluno, porque desconfiavam que ela era negligente. Aos quatro anos, foi encaminhado para a Apae, onde foi descoberto que ele é autista e possui deficiência intelectual. O garoto já foi recusado por duas instituições de ensino, uma pública e outra particular, e, por duas empresas de transporte escolar.

Mas, tudo foi melhorando, depois que Francielle descobriu a Escola Municipal Frei Bernardino. O medo maior da mãe era que Arthur não fosse aceito pelos colegas de turma. Mas isso não aconteceu. A diretora da instituição, Laura Packer, conta que todos tinham medo de o acolher, por conta das convulsões que sofre.

Arthur com a mãe Francielle e a irmã Ana Beatriz. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Ele participa das atividades da classe

O receio acabou na medida em o conheceram. Carinhoso, conquistou todos na escola, seus colegas de classe o defendem, protegem e ajudam quando preciso. “Quando ele sofre convulsão ninguém se assusta, todos correm para pegar o colchão e o colocam para deitar. Sabemos quando ele vai convulsionar, porque fica mais branquinho e quietinho. Quando acontece, ele só adormece”.

Logo que foi acolhido pela escola, as convulsões eram mais frequentes e o faziam dormir por várias horas seguidas. A diretora lembra que na última, ele cochilou por meia hora e acordou, já querendo participar das atividades da turma.

Outra mudança em Arthur, é que agora sabe parar de comer quando está satisfeito. Além disso, conhece todos na escola, sabe discernir sobre os assuntos, interage cada vez mais e não reage negativamente às mudanças da rotina. Também obedece quando é preciso voltar para a sala e consegue cada vez mais expressar seus sentimentos. Na sala de aula, possui até melhores amigos.  “Acredito que precisamos educar nossos filhos para as diferenças. Só assim, a inclusão será real. E, claro, precisamos de políticas públicas que assegurem os direitos dos autistas”, frisa Francielle.

Arthur com sua professora Kerollyn da Rosa. Foto: Susana Küster

Relato pessoal

O comportamento dele é bem amoroso, mesmo perante a estranhos. Um exemplo, foi quando cheguei na sala, mesmo sem nunca ter me visto, me tocou várias vezes e quis pegar a câmera para fazer fotos. Também conseguiu me olhar nos olhos diversas vezes e conversou comigo. Disse que gosta de fotografar e que todos o amam na sala de aula. Topou ser fotografado com sua professora e com seus colegas de turma. Também aceitou ir para fora da sala para ser fotografado com sua turma, o que foi mais uma mudança na sua rotina. Fez algumas caretas, mas no fim aceitou dar um sorriso, enquanto segurava um matinho que não largou desde que chegou na escola. Todos os dias ele arranca um matinho novo. Todas estas situações, que parecem ser tão comuns, para um autista são um desafio, já superados por Artur.

Evento divulga sobre o autismo

A Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac) está desenvolvendo desde terça-feira (2), uma programação voltada a conscientização sobre autismo. A coordenadora do evento, Vivian de Fátima Oliveira acredita que quanto mais informação sobre o autismo, o preconceito diminui. “Precisamos que se divulgue muito, só assim será mais fácil a vida deles”. Veja abaixo, a programação completa do evento.

 

Veja a programação:

 

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