Coronavírus

Costureiras voluntárias produzem jalecos para doação

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Lúcia tem a expectativa que a produção vai aumentar a partir de hoje Foto: Márcio Goulart / Divulgação

Após 20 anos sem utilizar a máquina de costura, a aposentada Lúcia Capistrano Goulart, de 63 anos, viu a necessidade dos profissionais da Saúde e resolveu atendê-la produzindo jalecos. A ideia surgiu quando seu filho, Márcio Goulart, recebeu a lista da prefeitura sobre o que a Saúde de Lages estava precisando com urgência.

Márcio é farmacêutico e bioquímico, e coordena a produção de álcool 70%, arrecada equipamentos de proteção individual para doar aos centros de saúde do município e agora administra o trabalho voluntário da mãe. 

Sem poder sair de casa, devido o decreto de isolamento social, Lúcia decidiu aproveitar seu tempo livre durante a quarentena. Convocou voluntárias no grupo do WhatsApp da rede de vizinhos do seu bairro, e começou a produzir os jalecos na metade do mês de março. 

“Eu queria fazer alguma coisa para ajudar, já que não posso sair de casa. Eu tenho uma máquina overlock simples, e fazia uns 20 anos que ela estava parada. Então eu pensei em colocar essa máquina para costurar. Achei umas voluntárias e a ideia deu certo”, comenta a costureira. 

No início eram apenas duas voluntárias, amigas de dona Lúcia. A produção em pequena escala, variava de três a quatro peças por dia. Atualmente são 10 voluntárias, cada uma costurando em sua própria casa. Consequentemente, a produção aumentou, de quatro jalecos diários, a produção passou para 100.

Elas trabalham com horários diversificados, por se tratar de um trabalho voluntário não há meta a ser atingida, mas o compromisso sempre vem como prioridade, e segundo Lúcia, elas estão empenhadas, pois sabem que a necessidade é muito grande. 

“Abracei esse projeto para ajudar as pessoas mais necessitadas, inclusive da área da saúde. Me sinto grata por isso. Graças a Deus o projeto está dando certo e me sinto muito feliz por ajudar alguém. Nosso trabalho é honesto e sério, me sinto muito feliz em poder ajudar alguém.”

Matéria prima

Quem consegue a matéria prima para a produção dos jalecos é Márcio. Ele conseguiu arrecadar 15 rolos de TNT (gramatura 40), que é o material utilizado para produzir o jaleco. Além disso, buscou parceria com diversas entidades, a diretora do Consórcio Intermunicipal de Saúde, Beatriz Montemezzo, foi umas das intermediárias para as doações dos materiais.

“Com o dinheiro do Consórcio e dos empresários de Lages, conseguimos recursos para comprar os materiais, como 250 rolos de TNT”, explica Márcio. 

Os jalecos são distribuídos às unidades de Saúde, como Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e o Pronto Atendimento Tito Bianchini. Já foram entregues 500 peças, e a expectativa do grupo é entregar mais de 1.000 peças até o fim desta semana. 

“A partir do dia oito, temos a previsão de algumas colaboradoras novas, para produzirmos 150 peças por dia. Nosso objetivo é não deixar nenhum profissional da área da Saúde desassistido por falta de jaleco ou algum outro material descartável”, conclui Márcio.  

Para Lúcia, é motivo de alegria e gratidão poder ajudar os profissionais que estão na linha frente para combater o novo coronavírus. “Eu aprendi a costurar por necessidade, comecei a costurar roupas para meus filhos e fazia roupas para vender também. Criei meus filhos com a renda da costura. A situação foi melhorando, fiz um técnico em enfermagem e me tornei cuidadora de idosos. E agora sou aposentada, e faço esse trabalho voluntário. É importante protegermos nossos enfermeiros e médicos. Me sinto muito bem fazendo esse trabalho, graças a Deus”, conclui.

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