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#CLentrevista o navegador Gustavo Gugelmin

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Gustavo Gugelmin, navegador que foi terceiro colocado no Rally Dakar, ao lado o piloto Reinaldo Varela

Correio Lageano: Logo após o final do Rally, você disse que a vitória escapou pelos dedos, o que quis dizer com isso e quais foram as dificuldades da prova?

Gustavo Gugelmin: O Rally Dakar é o mais duro do mundo, são 10 dias de competição, às vezes, 15 dias. No ano passado, fomos campeões, e neste, estávamos muito bem. Quando eu disse que a vitória escapou pelos dedos, é porque todos os dias a gente estava bem. São 300 a 400 quilômetros de prova por dia. É como se fossemos de Lages até Curitiba num dia, no outro de Curitiba a São Paulo, são longas distancias. A gente ia bem nos 100, 200 e 300 quilômetros, e sempre faltando 50 quilômetros dava um “pepininho”, ou furava um pneu, ou tinha um problema mecânico pequeno, sempre assim, estava ganhando e depois voltava. Por isso que digo, escapou pelos dedos. No oitavo dia estávamos em primeiro de novo, estava muito disputada a competição nas UTVs, trocava de posição, primeiro, segundo e terceiro, a cada etapa. Tivemos problema de navegação, mas conseguimos recuperar outro problema mecânico e batemos no barranco, acontece. Como a gente não sabe o percurso que vem pela frente, perdemos uma hora e meia, foram essas coisas que aconteceram ao longo dos 11 dias, essa somatória de horas, que escapou, poderíamos estar na frente.

O Rally é com base do tempo, e essa perda de tempo foi determinante para vocês no resultado final?

O Rally é de velocidade, eu largo aqui em Lages, até Curitiba, por exemplo, e quem faz o percurso mais rápido ganha. Você tem de levar as suas peças dentro do carro, só pode ter ajuda dos próprios competidores, mas como todos estão competindo, é difícil alguém parar para você dizer: me dá uma peça, me ajuda. É você, o piloto e o copiloto, as peças que você tem, e tem de ser virar. Conta muito saber de mecânica, tem que ter estratégia, estar com condicionamento físico. Uma série de fatores envolvem uma corrida de 11 dias, não é como um autódromo, numa prova curta.

Qual a função do navegador na corrida?  

Piloto todos já sabem, faz tudo para ser o mais rápido. O navegador cuida do carro. Como a gente não sabe qual o trajeto, tenho uma planilha que vai me direcionar, se vai entrar no mato, nas estradas, e eu vou dizer, esquerda, direita, ponte, abismo, se é perigoso, onde vamos abastecer, 15 minutos, há pontos para isso. Eu sou, na verdade, o segundo olhar do piloto. Sebastien Loeb, que é 10 vezes campeão de rali, falou que, no Dakar, navegador é 50% do carro, porque eu que tenho que transmitir ao piloto tudo o que vai acontecer daqui 500, um quilômetro para frente. Ele tem de confiar na minha informação e ir o mais rápido possível. Se eu não falar que existe um morro e que é reto, ou é uma curva aberta, provavelmente ele vai tirar o pé e isso é perder tempo. Ele tem de acreditar no que estou falando. Posso dizer que pode ultrapassar, que é reta, mas se não acreditar em mim, não vai fazer porque não está enxergando. Ele tem que imaginar o que eu tenho nas mãos. A função do navegador é guiar o piloto nas estradas e passar o máximo de perigos que tem à frente, e interpretar isso o mais rápido possível.

Qual a velocidade que pode alcançar um UTV?

O UTV, pelo regulamento, no Brasil não é limitado, e chega a 160 km/h, no Dakar é limitado a 130 km/h. Como o terreno é muito difícil, com dunas, a gente entra a 40km/h até 70km/h em média, isso é rápido nas dunas. Com o UTV, alcancei poucas vezes 130 Km/h. Mas de zero a 100, para ter uma ideia, ele faz em 3.9, é similar a uma Lamborghini, a uma Ferrari que faz 3.6 ou 4.1. Ele tem a mesma arrancada de um carro esportivo, é muito forte. Mas é limitado em 130 km/h, mas como a dificuldade é grande, você chega muito rápido a 130 e volta, isso dá pouca diferença.

Historicamente o Rally Dakar, quando surgiu, em 1979, começava na Europa e terminava na África. Em 2008, devido ao risco de ataque terrorista, foi transferido para a América do Sul. Neste ano, foi no Peru, o que mudou para vocês? O Brasil tem chance  de trazer o evento?

O Rally começou entre Paris e Dakar, por isso o nome, e aconteceu que, por conta do terrorismo, teve de ser cancelado. A direção de prova foi procurar outros lugares parecidos com as condições, com dunas, areia e veio para a América do Sul, Argentina, Chile, Argentina, Paraguai, Peru e Bolívia. Deu super certo e viram que existe um fanatismo por parte da Argentina e do Chile. Deu muito certo aqui, os mesmo terrenos difíceis que tem na África, tem aqui. Acredito que fique mais alguns anos. Assim que estabilizar lá (África), acredito que volte a ter edições. O Brasil tem chance, tem potencial, tem estradas, isso acaba virando política, e países menores sediam, como a Argentina que está pior economicamente. É questão de vontade. O campeão do Dakar deste ano, que é chileno, foi recebido pelo presidente.

Quem é o Gustavo Gugelmin, além de navegador de rali?

Empresário. Tenho um empresa de peças de corrida e de 4×4; tenho [empresa] de publicidade. Trabalho há diversos anos em Lages. Tenho cantina também. Gustavo é um cara de 36 anos, apaixonado por automobilismo, corro desde os seis anos de idade e gosto de levar o nome de Lages e do Brasil mundo afora. Sou empresário e piloto, gosto de fazer negócios, desenvolver Lages, gerar emprego e ao mesmo tempo aliar o meu hobby, que de certa forma é profissional.

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