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#CLentrevista Jean Grassi, organizador do Lages Tattoo Fest Internacional

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Correio Lageano: A tatuagem é uma prática antiga, os egípcios, na Antiguidade, pintavam o corpo, os indígenas também mantêm essa cultura. Como você define a arte da tatuagem?

Jean Grassi: Continua com a mesma ideia das tribos. Você tem pessoas que usam um estilo. Os chicanos, por exemplo, usam mais o preto-cinza, os orientais, bem coloridos. Continua com essa intenção, porém, hoje muito mais comercial. Expandiu e é vista de forma mais artística. A tatuagem é usada para dar uma separada. Costumo brincar no estúdio, quando estou tatuando e tem alguém junto, que não é tatuado, digo que é uma pessoa diferente e estranha para mim. Hoje, dificilmente, você conversa com alguém que não tenha tatuagem.  

Ainda há preconceito com quem tem tatuagem?

Tem muita gente tatuada, desde as pessoas que você espera que tenha uma tatuagem, até aquela que você nem imagina. Tatuo muitos médicos, advogados, juízes, enfim, pessoas que você olha e não vê a tatuagem. Tem muita gente que está numa faculdade de Medicina ou Enfermagem, áreas da saúde, as pessoas já estão se tatuando, não estão esperando se formar. Acontece muito na área militar. Hoje, o militar já pode se tatuar, claro que tem uma certa altura dos desenhos e também o tema, que não pode ser nada que faça apologia. Eu vi que mudou muito, mas, infelizmente, acabar nunca vai acabar. Ainda tem um pouco [de preconceito], embora tenhamos inúmeras convenções pelo país e isso está ajudando a difundir cada vez mais.

Acontece de pessoas tatuarem e depois se arrependerem?

Recebi uma mensagem de uma futura cliente, fez um trabalho e, provavelmente, o profissional usou uma tinta um pouco mais forte, que seria para pintura e para traço e a tatuagem expandiu. Ela queria saber se usava para cobrir ou remover. A remoção, não remove 100%, tenho amigos que fazem, não adianta dizer que remove, porque não remove e fica a cicatriz, porque é laser e você está queimando a pele. Mas, ajuda muito para a cobertura, enfraquece a antiga e a gente faz uma cobertura por cima. Esse seria o ideal, fica mais claro para cobrir, mas não é barata, é muito mais cara que a tattoo e dói muito mais também. Sou bastante procurado para cobrir trabalhos antigos e trabalhos que não ficaram bons e nomes de namorados e namoradas. Falo para meus clientes, quando querem tatuar um nome, te vejo daqui a três meses. Nomes, só de filhos, pai e mãe, no máximo, esse é o meu conselho. Digo para fazerem uma aliança, ou um pedaço de uma música. O mesmo vale para o nome próprio, se etiquetar, não preciso mais falar meu nome, todos vão saber.

O evento segue até domingo, e está na quarta edição, neste fim de semana, qual a sua expectativa?

Distribuímos muitas cortesias. Temos ações filantrópicas, arrecadamos alimentos que encaminhamos para instituições de caridade da cidade. Esperamos de três a cinco mil pessoas, se for mais, muito melhor, porque teremos mais alimentos. O ingresso é R$ 10 e um quilo de alimento, ou R$ 15. Teremos shows de rock; o Bela Tatuagem que escolhe entre as meninas a que vai representar a cidade e é um concurso diferenciado por serem tatuadas, que são excluídas de concursos; exposição de carros antigos e espaço kids para os pais que querem levar ao evento. Começa às 10 horas e vai até 22 horas.

Em relação às novidades?

Temos tatuadores famosos no Brasil e no mundo. Muita gente com trabalho de extrema qualidade. Atrações como Zumbi Punk, o Guilherme Troiano que faz apresentação de dança do ventre com as espadas, um negócio bem diferenciado. Tem as bandas de extrema qualidade. Vai ser um fim de semana de muita arte, música e tatuagem.

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