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#CLentrevista com o Tenente-Coronel Marcos Paulo Rangel

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Foto: Jordana Boscato

Correio Lageano: Qual é, efetivamente, a função do Águia 4?

Marcos Paulo Rangel: O Águia 4 veio para a Serra Catarinense com a expectativa de atender ao povo serrano que tanto precisa de um serviço especializado aéreo, o que não tínhamos. Sendo assim, viemos para apoiar os diversos órgãos da região, principalmente Polícia Militar, Samu, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, e o que for necessário. Mas a nossa atuação primordial é em operação da Polícia Militar.

Qual a região que atende? E quantos policiais fazem parte da companhia? 

A nossa área de atuação imediata é a região da Amures (Associação do Município da Região Serrana), os 18 Municípios em torno de Lages. Porém, nossa área de atuação secundária envolve todo o interior catarinense, começando pela região de Alfredo Wagner, se estendendo até o Oeste Catarinense. Não são rara as vezes que precisamos cumprir missão em outras cidades, como Videira, Chapecó, Caçador. E quanto ao número de policiais, hoje, a base de aviação conta com 15 policiais distribuídos entre pilotos, que efetuam a condução da aeronave e o gerenciamento da ocorrência, e tripulantes, que é o policial que vai atrás na aeronave e que faz realmente o atendimento da ocorrência, que desce, que faz o resgate, tendo contato com a vítima.

São Policiais Militares treinados especificamente para atuar no Águia?

Justamente. Todos são Policiais Militares. Precisa ser efetivo para fazer o concurso, ter no mínimo 2 anos de experiência operacional na rua e, dependendo das funções, como a de piloto, que é uma carga bem grande, são quase 2 anos de formação. O curso de tripulante, basicamente, são 6 meses de curso teórico, e o policial aprende toda a parte aérea, aeronáutica, e a do atendimento em si, para depois começar uma série de estágios práticos e, assim, começar a trabalhar na aeronáutica sozinho.          

Quais as ocorrências mais comuns?

O nosso helicóptero da Polícia Militar tem a plataforma de multimissão, que atende desde a ocorrência policial até o apoio com a Defesa Civil, ocorrência com o Samu. Então, a nossa área de atuação é bem abrangente. Hoje, praticamente, o nosso carro chefe, é atendimento de resgate juntamente ao Samu; esporadicamente com o Bombeiro, operações policiais e operações integradas com outros órgãos de segurança. 

Que tipo de ocorrência oferece mais riscos aos socorristas?

A nossa região tem uma peculiaridade, que é a atuação daqueles assaltantes a bancos, que vão a cidade pequenas, muito bem armados; esses caras estão preparados. Tipo de operação bem complicada. Já atendemos algumas operações assim. Só no ano passado foram 3 ou 4 ocorrências desse tipo, em três delas tivemos êxito em prender todos os assaltantes, armamento e o dinheiro que foi roubado das agências bancárias.

Esse tipo de crime vem crescendo bastante no interior, não é, comandante?           

O pessoal tem essa percepção de cidades com pouca população e poucos policiais, e [os bandidos] se aproveitam dessa situação. Mas, antigamente, tinha mais ocorrências, só não eram divulgadas, e hoje, praticamente tudo que acontece ficamos sabendo, mas, estatisticamente, tem diminuído. Outro tipo de ocorrência que envolve bastante risco, são os aventureiros que vemos por aí. Gente querendo pular dos mirantes da Serra. Na Serra do Rio do Rastro, tem várias ocorrências. Lá, no mesmo ano, tiramos duas ou três pessoas que estavam um degrau abaixo. É um tipo de operação bem arriscado, porque envolve um trabalho de cordas, o nosso tripulante pendurado na aeronave, mais o risco de tirar a vítima. Inclusive, fim de tarde, que entra o fator meteorológico.

Muitas vezes, as pessoas questionam por que o Águia fica sobrevoando a cidade, mesmo sem ter uma ocorrência em andamento. Qual o motivo desses voos? Há mesmo essa necessidade? 

Partimos do princípio que a nossa aeronave nunca faz voos particulares, ou seja, um voo que não seja de missão. Então, se não é uma missão das mais simples que seja no apoio ao policiamento, é um patrulhamento aéreo programado, em conjunto com o Batalhão da Polícia Militar, nos horários de maior movimento e que o comércio está mais cheio; datas especificas, principalmente, perto de festividades; datas de pagamento dos funcionários… Nesse tipo de situação, não estamos envolvidos em uma ocorrência policial que já começou, mas estamos evitando uma série de ocorrências que poderiam estar acontecendo, o que chamamos de patrulhamento preventivo. É tudo planejado, estudado junto com o comando do policiamento terrestre, para sempre pegarmos as melhores áreas.

Sobre o acionamento do Águia. De que forma é feito, quem pode fazer e em quais situações?

O acionamento do helicóptero, hoje, se dá de algumas formas: imediata e emergencial. Os policiais da rua, ou ligando para a central 190 da Polícia Militar, comunicando a ocorrência, lá possuem toda preparação para solicitar o apoio da aeronave ou não. Em caso de acidentes, a ocorrência chega em outra central, que é dos Bombeiros ou Samu, e eles nos acionam. Ou então, em eventos planejados, como são, às vezes, catástrofes, que são ocorrências solicitadas por outros órgãos, como Defesa Civil e prefeitura. São esses três tipos de acionamentos, praticamente de modo emergencial. Fora isso, temos os ofícios que são mandados, missões planejadas, com data, hora certa, um tipo de missão.  

Apesar do acionamento, vocês não atendem a todos os chamados; fazem uma triagem, para saber qual a verdadeira necessidade da atuação do Águia?

Justamente. Nós temos uma função na aeronave, que é o chamado comandante de operações aéreas, sendo um oficial-piloto, que está ali só para gerenciar as ocorrências, [avaliar se] é de menor porte, se vale o empenho da aeronave, seja pelo custo financeiro ou empregabilidade; deixamos a aeronave em standby e, se, por acaso, a ocorrência se agravar, somos empenhados. Mas ele [comandante de operações aéreas] tem essa função de, às vezes, fazer a triagem, nos empenhar apenas nas ocorrências de maior gravidades.

Qual é o horário de atuação do Águia? Atua 24 horas por dia?           

Infelizmente, não temos as condições de atuar 24 horas por dia, por não ter disponibilidade de aeronave, pela região ser pequena, o que não seria eficaz. Nosso horário de atendimento vai do nascer-do-sol ao se pôr-do-sol. Nos dias de inverno, que são mais curtos, nós trabalhamos naquele período. Nos horários de verão, nos estendemos um poucos mais. Por isso essa diferença.

Colaborou: Jordana Boscato

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