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Ceron avalia que Lages tem desafios, mas vai se desenvolver

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Regularmente o prefeito Antonio Ceron acompanha o desenvolvimento das obras - Foto: Greik Pacheco/ Prefeitura de Lages/ Divulgação

O mês de novembro geralmente é mais agitado em função da proximidade com o Natal. Mas neste ano, Lages vive uma situação atípica e, principalmente de grande expectativa. A última etapa da revitalização do Centro foi iniciada pelo Calçadão da Praça João Costa, a obra do Mercado Público e a pavimentação do acesso à Coxilha Rica estão em andamento. Berneck e Fort Atacadista estão prestes a se instalar e a Mega Loja da Havan será inaugurada em breve. Isso sem contar investimentos de empresas já instaladas, a exemplo da Klabin.  

Assim, próximo de completar dois anos de mandato, o prefeito de Lages, Antonio Ceron avalia a atual situação do município. Fala de realizações, mas principalmente de desafios e revela sua expectativa para 2019.

Correio Lageano: Lages vive um momento único em relação aos investimentos. Atualmente o município já está entre os 10 maiores Produtos Internos Brutos de SC, situação que deve melhorar ainda mais com as novas empresas?

Antonio Ceron: Sou otimista por natureza, por isso me candidatei a prefeito de Lages. É uma responsabilidade muito grande. Santa Catarina já é um estado bem desenvolvido, mas acredito com tudo que está acontecendo hoje, com o novo governo, haja a vinda de investimentos internacionais para o Brasil. Que o País possa produzir mais, que a agroindústria possa exportar mais. Voltando ao nosso município, Lages tem uma particularidade. Se analisarmos as médias e grandes cidades catarinenses, a exemplo de Blumenau, Criciúma e Palhoça, quem tem espaço geográfico para crescer? No passado, nossa extensão territorial era encarada como um problema econômico, porque era muito para cuidar e estávamos longe de tudo. Hoje, nossa visão é de que estamos no meio do caminho entre Curitiba e Porto Alegre. A rodovia BR-116, que antes era intrafegável, está em boas condições, somente tem alguns problemas no Rio Grande do Sul. Hoje estamos com todas as condições de crescimento. Temos um sistema de saúde com hospitais, clínicas e laboratórios que em nada devem a grandes polos. O mesmo ocorre em relação a Educação onde somos referência principalmente no ensino superior. Temos qualidade e número de pessoas disponíveis. O que precisamos é qualificar essas pessoas. Mas é um processo natural, quando se abre os postos de trabalho, as pessoas buscam qualificação. Os investimentos dão a certeza, o embasamento, para a gurizada que está no ensino médio, no fundamental, quando chegar a hora, possa ter onde trabalhar. Gostaria de não ver tantos talentos irem embora da cidade.

Além das novas, tem empresas já instaladas gerando novos postos de trabalho?

Sim. Atualmente estamos regularizando a área da antiga Novo Sul, que está sendo ocupada por várias empresas. Temos também um loteamento industrial nos bairros São Paulo e São Francisco, onde várias empresas foram instaladas, e na época, a prioridade era entregar o terreno, mas elas não possuem documentação. De forma alguma estamos criticando que instalou as empresas lá, mas estamos regularizando a situação, entregando os documentos dos terrenos. Em relação a esse assunto, tem uma questão séria que é responsabilidade do prefeito. Não é caça às bruxas, mas os terrenos que foram cedidos e não estão sendo utilizados a contento, vamos conversar com a empresa. Temos responsabilidade com o bem público. O dinheiro público não pode servir para aumentar o ativo da empresa. Mas estamos fazendo isso com muito respeito ao empreendedor. Esta é de fato a missão mais importante que temos, ampliar a oferta de empregos na cidade.

Lages sempre teve uma pecuária muito forte, mas tem um futuro promissor em relação aos grãos?

Eu tenho repetido uma frase: “o interior tem que ser a solução e não o problema”. No passado, o fato de Lages ser o maior município em território do estado, com mais de 1.500 quilômetros de estrada era considerado um problema. Temos que reverter essa situação e isso já está acontecendo com a organização da agricultura familiar. Nós temos uma região formada com propriedades típicas de agricultura familiar, Lambedor, Macacos e Índios. Mas temos a região da Coxilha Rica, onde são grandes propriedades. A pecuária sempre foi referência em quantidade e principalmente em genética, exportando qualidade para outras regiões do estado e do País. Mas atualmente está se abrindo um novo celeiro de grãos em Santa Catarina, com a implantação de 32 quilômetros de estradas na Coxilha Rica, a partir da Localidade da Vigia, em Capão Alto. A Coxilha já possui quatro mil hectares com soja e milho, mas estudo da Epagri apontam a existência de mais 30 mil hectares com potencial para a produção de grãos. Isso é maior que Campos Novos, atualmente o maior celeiro do estado. Temos agricultores gaúchos atravessando a fronteira para produzir com muita estrutura e técnica. Eles somam forças ao agricultor lageano, que também investe na atividade. Acredito no crescimento total do município quando ele produz bem no setor primário com leite, madeira, pecuária, hortaliças e grãos e na também é eficiente na indústria. O desenvolvimento pleno exige investimentos no setor primário e isso felizmente está acontecendo.

Neste contexto, por meio de convênios a prefeitura está melhorando as ruas da cidade e as estradas rurais?

Temos dois aspectos. No interior conseguimos dar uma recuperada em mais de mil quilômetros de estradas, mas agora estamos com o projeto porteira adentro. Neste processo estamos recuperando o trecho da estrada principal até a propriedade. Alguns têm 400 metros, outros 100 metros, mas para o morador, arrumar essa estrada é tão importante quanto manter as vias principais (gerais). Na cidade estamos com o projeto que á menina dos olhos do prefeito, que é zerar a necessidade de pavimentação nas ruas que passam o transporte coletivo. Em primeiro lugar, se é usada para o transporte coletivo, é porque ela é a de maior fluxo da região. Estamos elaborando os projetos técnicos e temos duas fonte de financiamento. A terceira fonte seria os recursos que economizamos com a demissão de comissionados, mas infelizmente esses recursos precisaram ser utilizados para outras finalidades, a exemplo da folha de pagamento. A economia aconteceu, mas os benefícios a que propus não vieram. São 76 ruas, das quais umas dez já foram feitas. E tem três ruas que considero estruturantes, a exemplo do que foi a Caldas Júnior para o Santa Helena. A Cirilo Vieira Ramos, que é a rua em pior estado dentro de Lages, que completa o anel da Avenida Ponte Grande, no Bairro Caça e Tiro. A outra é a Frei Nicodemos, aquela que vai do Centenário até a Rua Aujor Luz. Estamos elaborando o projeto para asfaltarmos. Queremos criar ali um centrinho, a exemplo do que já ocorreu nos bairros Guarujá e Santa Helena. Queremos elevar a autoestima da população da região. A outra é a aujor Luz que precisa ser revitalizada. Vamos atrás de recursos para poder dar esse benefício para a população lageana.

Essas obras que já estão ocorrendo, a exemplo do Mercado Público, irão ampliar o potencial turístico da cidade?

Em termos de belezas naturais a Serra Catarinense dá um banho na Serra Gaúcha. Mas lá o homem fez sua parte. Aqui (Serra Catarinense) nós demoramos um pouco para perceber isso. As rodovias já estão todas estruturadas, estão trabalhando na Corvo Branco e Rio do Rastro. Mas existe a necessidade de mais investimentos. O turismo não acontece somente em Lages, São Joaquim ou Urubici. Acontece de forma integrada, como é em Canela e Gramado. A vinda de produtores de vinho para a Serra Catarinense ajudou muito a melhorar nossas pousadas, nossas estruturas. Turismo é a indústria que mais cresce no mundo. Estamos agendando visita ao ministro do turismo, Vinicius Lummertz, em Brasília para tentar recursos para melhorar nossa infraestrutura. Por exemplo, na estrada da Coxilha Rica está sendo construído um hotel de alto nível, que também vai ajudar nesse processo.

Outro fator favorável é a existência de voos e a conclusão do aeroporto Regional em Correia Pinto?

Tem um a frase do saudoso governador Luiz Henrique que dizia: “o investidor não vem pela rodoviária. O grande investidor vem pela via área”. A expectativa, inclusive, é que tenhamos novas linhas, do interior do Rio Grande do Sul, passando por Lages até os aeroportos de Congonhas ou Guarulhos em São Paulo. O voo da empresa Azul é magnífico, mas somos um polo e precisamos de mais opções. Muitas vezes nos comparam a Chapecó. Chapecó é mais desenvolvida economicamente e geograficamente (está próxima de cidades de médio porte). Eles estão muito longe da capital e os voos são mais utilizados pela dificuldade de locomoção terrestre. Existe a possibilidade de abrirmos mais voos em Lages. Isso é importante para o desenvolvimento do município e para o turismo.

Como o senhor disse, muita coisa foi feita em 2018, mas também muito foi encaminhado para 2019. Qual é a expectativa?

Olha, me sentiria satisfeito se a gente conseguisse concluir as obras que estão em andamento na área de saneamento, a exemplo do Complexo Araucária, que é uma obra muito grande e irá beneficiar moradores de diversos bairros. Prosseguir com as obras de ruas e manutenção das estradas do interior. Inaugurar a Upa é outra meta. Fizemos um acordo com o Ministério Público para zerar a fila de espera nos Centros de Educação Infantil (Ceins). Inauguramos duas unidades, mas têm outras que precisam ser finalizadas. Me sentiria muito feliz se pudesse dar andamento à todas essas questões. Um problema é a arrecadação. A de outubro desde ano foi igual a de outubro de 2017. Caiu, se considerarmos a inflação. Assim, com os novos investimentos, temos a expectativa de aumento da arrecadação, para que possamos atender mais prontamente as demandas da população.

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