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Escolas precisam ter Plano de Emergência Contra Incêndios

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Incêndio na escola Godolfin Nunes de Souza foi controlado por professores, antes da chegada do Corpo de Bombeiros - Foto: Arquivo CL

Quando um aluno bateu à porta da sala dos professores da Escola de Educação Básica Godolfin Nunes de Souza, na manhã do dia 10 de junho, anunciando que estava acontecendo um incêndio na unidade, dois professores prontamente correram em direção ao local indicado pelo estudante e, usando três extintores, apagaram as chamas.

Enquanto isso, em poucos minutos, antes mesmo que o Corpo de Bombeiros chegasse à escola, que fica no Bairro Penha, em Lages, outro grupo de professores providenciou a retirada de todos os estudantes de dentro da instituição, para garantir sua segurança.

A rápida iniciativa e a efetividade da ação só foram possíveis porque, algumas semanas antes, direção, professores e funcionários da escola haviam participado de um treinamento que integra a implementação do Plano de Emergência Contra Incêndios da escola.

“Quando eu e o professor Lauro [de História e Geografia] abrimos a porta, vimos que já estava pegando fogo em todas as cortinas, as chamas tinham atingido o teto e o forro de PVC estava derretendo. Nos certificamos de que seria seguro entrar e procedemos para apagar o fogo. Se a gente tivesse identificado chamas muito altas ou muita fumaça, não teríamos entrado, pois não somos profissionais e precisamos primar pelas nossas vidas”, explica o professor de Educação Física, Blei Campos Junior.

Blei e Lauro fazem parte do grupo de profissionais que passou pela capacitação, o que lhes deu segurança para agir na hora do incêndio. Além disso, Blei já tinha conhecimento prévio sobre ações de emergência, pois é membro dos escoteiros.

“Com o treinamento [feito na escola] a gente sempre aprende muita coisa. Eu tinha conhecimento, mas nunca tinha passado por nenhuma situação semelhante. A capacitação foi fundamental para a que a gente tivesse segurança sobre como agir naquela hora”, avalia.

A assessora de direção do Goldofin, Neila Moreira Branco, é a responsável pela elaboração do Plano de Emergência Contra Incêndios da escola. O plano compreende várias etapas, que vão desde a capacitação dos profissionais, até o desenvolvimento de um projeto de evacuação (que determina as rotas para retirar alunos e funcionários com agilidade e segurança em meio a um sinistro) e a criação de uma Brigada de Incêndio dentro da escola.

“Nós já apresentamos o projeto de evacuação para a Regional de Educação e fizemos as capacitações, definindo as funções que cada um deve ter se acontecer um incêndio. Agora falta escolhermos os brigadistas”, completa.

Durante um incêndio na escola Godolfin Nunes de Souza, Blei e outro professor usaram os conhecimentos adquiridos em uma capacitação para conter o fogo – Foto: Núbia Garcia

Capacitação começou em março

Uma iniciativa do 5º Batalhão do Corpo de Bombeiros, a implementação do Plano de Emergência Contra Incêndios, bem como a criação de Brigadas de Incêndio em todas as escolas da rede pública de ensino, começou efetivamente a ser cobrada no ano passado e cada escola teve um prazo para elaborar seu próprio plano. Por isso, desde março deste ano, profissionais de escolas das redes estadual e municipal de Lages já passaram por capacitações.

“O Plano de Emergência serve para pensar o sinistro no ambiente de trabalho e tomar algumas decisões. Nas escolas, por exemplo, é feita uma reunião para discutir o ambiente de trabalho, a possibilidade de um incêndio e qual seria a função de cada um, atribuindo responsabilidades. Grupos de professores, direção e demais servidores, todos são capacitados sobre o que fazer para evacuar a escola de forma rápida e segura”, explica o gestor de atividades técnicas do 5º Batalhão do Corpo de Bombeiros, primeiro-tenente Thiago da Silva.

Ele explica que, tanto o plano de emergência quanto as brigadas fazem parte do sistema preventivo de incêndios, que contempla, ainda, dispositivos como extintores e placas indicativas de saída. “Todos eles visam a promover algum tipo de segurança em edificação no momento de um sinistro.”

Thiago explica que, dentre as atividades necessárias para efetivar o plano, é preciso fazer simulados de incêndios, que servem como ferramentas para identificar se a equipe escolar aprendeu como proceder diante de um incêndio.

Segundo ele, todas as escolas devem fazer o mínimo de dois simulados por ano, um com aviso prévio e outro sem aviso, para identificar se os envolvidos respondem de forma adequada.

Sobre o plano

Cada escola deve elaborar seu Plano de Emergência Contra Incêndios, observando as particularidades de cada edificação. Pronto, o plano passa por aprovação do Corpo de Bombeiros.

De acordo com a coordenadora de Educação, Claudia Maris Coelho Pezzi, as 44 escolas da rede estadual que compõem a Coordenadoria Regional de Educação de Lages (CRE) já participaram dos treinamentos e apresentaram seus planos de emergência, porém, alguns deles ainda não foram aprovados pelo Corpo de Bombeiros.

Ela ressalta que 15 escolas já realizaram o simulado de incêndio, contudo, a implementação das brigadas nas escolas ainda está em andamento.

O diretor-administrativo da Secretaria Municipal da Educação de Lages, Agnaldo Pereira, explica que as 129 escolas da rede (110 da área urbana e 19 da área rural) já passaram pela fase de capacitação, que começou em março, e os planos de fuga estão sendo elaborados.

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