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Desemprego atinge 13,4 milhões de pessoas no país

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Filas longas se formam em frente ao Sine, horas antes do órgão abrir - Fotos: Susana Küster e Núbia Garcia

Apesar de ter gerado 293.857 novos postos de trabalho nos quatro primeiros meses deste ano, o Brasil amarga uma alta taxa de desemprego. Estimativas do IBGE apontam que 13,4 milhões de pessoas estão desempregadas.

Santa Catarina, por sua vez, tem a menor taxa do Brasil, apenas 7,2%. Não existem dados em relação ao desemprego na Serra Catarinense ou em Lages, mas neste período o município abriu 820 vagas, um número bem significativo se comparado a outros anos.

É preciso explicar que a taxa de desemprego é calculada de acordo com o número de pessoas economicamente ativas, ou seja, àquelas que possuem idade para trabalhar (a partir de 16 anos). O índice de desempregados leva em conta, as pessoas que trabalham na informalidade ou que simplesmente, não estão em busca de um trabalho.

Não é possível saber os índices de desemprego em Lages e na Serra Catarinense, porque o IBGE, executa a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), somente nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Outro dado do IBGE, que não é atualizado mensalmente é o total de empregos formais. A atualização ocorre no início de cada ano, ou seja, o último é do 1º de janeiro deste ano.

Problema atinge até os qualificados

A maioria das pessoas que procura vaga de trabalho no Sine de Lages não possui ensino superior completo e muitos não possuem o ensino médio. A entidade atende a população de Lages e de vários municípios da Serra Catarinense.

A faixa etária é diversa, há àqueles que procuram a primeira colocação, os que têm mais de 60 anos e precisam trabalhar. Há também os que possuem qualificação e ensino superior, mas procuram emprego há mais de um ano via Sine e outros meios.

“Geralmente empregos que necessitam de força bruta e a parte administrativa são as áreas mais procuradas. A baixa qualificação não é mais a única razão pela qual as pessoas não conseguem emprego. Quando se abre um cargo exigindo qualificação aparecem 50 pessoas ou até mais”, conta a assistente social e supervisora do Sine, Kelly Aparecida Souza.

Por dia, em média, 150 pessoas são atendidas no Sine, 40 senhas são reservadas para aqueles que vão dar entrada no seguro desemprego e a demanda é livre para os que buscam colocação no mercado de trabalho.

O número de atendimento é estipulado para abrir o processo de seguro desemprego, pois o órgão está com falta de funcionários, alguns se aposentaram e não foi feito concurso ou contratação para repor, segundo Kelly.

Filas são longas

Desde janeiro, a procura tanto pelo seguro desemprego, quanto por trabalho tem aumentado. Para se ter uma ideia, o Sine abre às 12h30, mas por volta das 9 horas, algumas pessoas já começam a chegar no local e formar uma fila, que se estende pela calçada.

Os dados do órgão não são somente de Lages, Kelly explica que o Sine possui atendimento também em Campo Belo do Sul, Anita Garibaldi, São Joaquim, Correia Pinto e Otacílio Costa. “Então, os moradores dos outros municípios da região também vem para o Sine de Lages”.

Os relatórios de 2017 e este ano do órgão, mostram dados que preocupam. Em janeiro de 2017, 162 pessoas foram até o Sine em busca de seguro desemprego, sendo que no mesmo período deste ano, o número foi de 694. A quantidade de pessoas atendidas em janeiro de 2017, foi de 1.336, e o mesmo período deste ano registrou 2.615 atendimentos. “Esses números mostram que há muito desemprego na região. Hoje, vemos gente que trabalhava há muitos anos nas empresas e foram demitidas. Isso é coisa que era difícil de ver”.

Em dezembro do ano passado foram atendidas 450 pessoas que queriam seus seguros desemprego e em janeiro deste ano, o número passou para 694. Em relação àquelas que foram até o órgão atrás de trabalho, em dezembro de 2018, a quantidade foi de 1.285, que pulou para 2.615 em janeiro deste ano.


Ofertas de vagas

Em 2018, a quantidade de empregos ofertados pelo Sine foi de 452 vagas e 295 pessoas conseguiram emprego por meio do órgão. Este ano, os números mostram um cenário preocupante. De janeiro até o dia 20 de maio deste ano, foram ofertadas 184 vagas e 70 pessoas foram empregadas.

“A quantidade de empregos oferecida é pouca, isso que visitamos empresas oferecendo o sistema do Sine, mas algumas preferem ofertar somente no banco do emprego, outras pelo Facebook ou outros meios”.

Uma outra explicação, para a quantidade pequena de vagas no Sine, é a forma com que o órgão trabalha. Kelly explica que seguindo uma diretriz do sistema Sine, na oferta de vagas não se pode colocar qualquer tipo de discriminação, como idade, sexo ou outro tipo de exigência, como cor da pele. “São exigências discriminatórias, que não aceitamos e algumas empresas pedem”. Desta forma, algumas empresas têm vagas mas não disponibilizam no Sine.

Economistas analisam cenário econômico

O economista e professor de Cenários Econômicos do Centro Universitário Internacional (Uninter), Cleverson Pereira, lembra que no último trimestre do ano passado, a economia estava estagnada e com a posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL), muitos esperavam que a situação melhorasse.

“Essa expectativa de melhora gerou uma atração de investidores mais confiantes e realmente poderia acontecer um crescimento. O problema é que as reformas Fiscal e da Previdência não ocorreram e isso para quem quer investir, gera medo e desconfiança, consequentemente uma pausa nos negócios e geração de riquezas, além de um PIB negativo”.

Pereira afirma que o Brasil pode entrar em uma recessão no segundo semestre, ou seja, terá maiores índices de desemprego pelo país, menos investimentos das empresas, mais endividamento da população, entre outros fatores que podem surgir. Porém, a recessão pode não ocorrer, se, na visão dele, a Reforma da Previdência for votada neste semestre ou até julho.

“A expectativa do governo era de que o país tivesse, este ano, um crescimento do PIB de 1,5% a 2%. Isso já sabemos que não vai acontecer. Agora se a reforma for aprovada com os parâmetros necessários para se atingir uma boa economia, fará com que a confiança de investidores internos e externos se estabeleça. A entrada na recessão ou não, depende da Reforma da Previdência”.

Além da esperada aprovação da Reforma da Previdência, tem a Reforma Fiscal, que também pode ser votada ainda neste ano. Para o economista é preciso uma medida brusca para mudar a situação atual, que parece ser um ciclo vicioso sem fim.

Muitos empresários não investem, porque têm medo de se arriscar; muitas pessoas não gastam, pois estão endividadas, desempregadas ou com pouco dinheiro; várias empresas demitem, porque não há procura por seus produtos e precisam economizar recursos e por aí vai.

Outras medidas

Além da Reforma da Previdência e Fiscal, que segundo o governo federal e os economistas entrevistados pelo CL, são a salvação para não deixar o país entrar na recessão, o economista e professor da Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac), Flávio Valente, afirma que é preciso mais medidas do governo.

“Reduzir o custo da máquina pública e incentivar os investimentos público e privado; diminuir a disparidade gigantesca que existe entre o setor público e privado, um exemplo disso são os altos salários do Poder Judiciário e Legislativo; fomentar a indústria e baixar a taxa de juros”.

Falta de apoio prejudica crescimento do país

Para o economista e professor de Cenários Econômicos do Centro Universitário Internacional (Uninter), Cleverson Pereira, a falta de apoio do governo federal no Congresso Nacional prejudica a melhora da economia do país. O economista e professor da Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac), Flávio Valente também concorda com isso.

Afinal, a incerteza política reflete diretamente na economia. “Falta um relacionamento político e de articulação do governo federal com o Congresso. Concordo que não se deve entregar algo para alguém, para se conseguir apoio. Porém, o mercado não tem perdão, as consequências na economia não esperam”, comenta Pereira.

Na visão dele, a Reforma da Previdência poderia já ter sido aprovada e com o teto mínimo de economia de R$ 1,16 trilhão em 10 anos, se o governo federal tivesse apoio. “Do jeito que está indo, no Brasil, vai chegar o momento que o país gerará imposto somente para pagar a previdência e não terá investimentos para saúde, educação ou outro setor”.

Governo estuda liberar saques em contas ativas do FGTS

O governo de Jair Bolsonaro (PSL) estuda liberar saques de contas ativas do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS), numa medida similar à implementada pelo governo Michel Temer (MDB) no caso de contas inativas.

O objetivo é o mesmo: injetar recursos capazes de alavancar a volta do crescimento. A medida, entretanto, ainda segue em estudo, e só deve ser implementada após a eventual aprovação da Reforma da Previdência. “Nós temos que começar pelas coisas mais importantes”, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, em entrevista à Agência Brasil.

“As coisas devem se acelerar nas próximas três ou quatro semanas”, disse o ministro, em referência à tramitação da Reforma da Previdência no Congresso. Ao citar medidas de estímulo ao crescimento que devem ser anunciadas após a aprovação da nova Previdência, Guedes mencionou a nova rodada de liberação dos saques nas contas do FGTS. “Inativas e ativas. Ativas também”, afirmou ele, sem dar mais detalhes sobre a medida.

O governo cogita a liberação dos saques em contas ativas ante o esgotamento dos recursos disponíveis nas contas inativas, que já tiveram o saque liberado pelo governo Temer. Guedes frisou, porém, que a medida segue em estudo, e que ainda “não foi batido o martelo”.

Hoje, o saque nas contas ativas do FGTS só é permitido em situações específicas, como no caso do trabalhador ser demitido sem justa causa ou se for para utilizar os recursos na aquisição de casa própria.

Para o economista e professor de Cenários Econômicos do Centro Universitário Internacional (Uninter), Cleverson Pereira, e, o professor da Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac) e economista, Flávio Valente, a liberação do FGTS é uma medida paliativa e não resolverá a economia estagnada e nem a possível entrada do país em uma recessão. “É uma medida que vai melhorar o PIB por 90 dias, depois, se a reforma não for aprovada, entra em um ciclo pior do que estava, pois as pessoas não terão uma reserva financeira”.

Fonte: Agência Brasil

Através do Banco do Emprego, 384 pessoas foram contratadas em 2019

Banco do emprego quer qualificar interessados

Baixa qualificação e escolaridade são os motivos que mais deixam as pessoas desempregadas em Lages, analisa o secretário do Desenvolvimento Econômico e Turismo, Mario Hoeller de Souza. “Quanto menos estudo, menos possibilidade tem de trabalho. No mínimo, a maioria das empresas, hoje, pede o segundo grau completo”.

Por isso, ele conta que o Banco do Emprego em Lages, tem incentivado as pessoas a fazerem cursos de qualificação. “Teremos um problema grande aqui em Lages, porque a Berneck exige ensino médio completo e curso técnico. Eles querem contratar cerca de 600 pessoas e lageanos (as)”. O órgão oferece cursos rápidos de qualificação de solda, para trabalhar em pet shop, de empregabilidade que ensina como se portar em entrevistas, entre outros.

A instituição indica que quem não possui ensino fundamental e médio completo, faça a prova do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). Encceja é um exame para jovens e adultos que não tiveram oportunidade de concluir os estudos na idade apropriada.

Os interessados em tentar o certificado do ensino fundamental devem ter, no mínimo, 15 anos de idade, completos na data da prova. Já para o certificado do ensino médio, a idade mínima exigida é 18 anos.

Contratação

Hoje, há 5.182 currículos ativos no Banco do Emprego e 28.592 currículos inativos. Os ativos são aqueles que estão atualizados com números de telefone e demais informações. “É preciso, a cada seis meses, atualizar os dados”. Neste ano, os dados do órgão revelam que 3.727 pessoas foram encaminhadas para entrevistas, sendo que 419 foram contratadas. Do dia 20 a 26 de maio, foram contratadas sete pessoas.

Como a recessão econômica pode impactar no dia a dia

Postos de trabalho não são gerados; muitas pessoas ficam sem dinheiro e reduzem drasticamente o consumo. A produção baixa, o que deixa os produtos caros, e, aumenta o índice da inflação. A metodologia que o governo usa para conter a inflação é o aumento da taxa de juros.

Isso são alguns sinais da recessão. “O governo ficaria os quatro anos tentando fazer com que o país saia da recessão”, afirma o economista e professor de Cenários Econômicos do Centro Universitário Internacional (Uninter), Cleverson Pereira.

Apesar de algumas destas situações já estarem acontecendo, como índices altos de desemprego, o economista frisa que o país ainda não está em recessão e sim está com a economia estagnada.

Já a opinião do economista e professor da Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac), Flávio Valente é diferente. Para ele, o país já vive uma recessão, mas que pode piorar muito, se o governo não fizer nada.

“Vai ter mais instabilidade social, aumento de criminalidade, o nível de desemprego aumentará e muitos não conseguirão suprir suas necessidades mais básicas. Os mais privilegiados saem do país, levando mais capital nacional para fora”.

Economia brasileira cai 0,2% no primeiro trimestre do ano

O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e caiu 0,2% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o último trimestre de 2018. A queda ocorreu depois de altas de 0,5% no terceiro e de 0,1% no quarto trimestres do ano passado.

Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro, a economia brasileira cresceu 0,5% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado e 0,9% no acumulado de 12 meses.

Os dados mostram que, do último trimestre de 2018 para o primeiro trimestre de 2019, a queda de 0,2% foi puxada por um recuo de 0,7% no setor industrial. As principais atividades em queda foram a indústria extrativa mineral (-6,3%), construção (-2%) e  indústrias da transformação (-0,5%).

A agropecuária também teve queda (-0,5%). Os serviços tiveram taxa positiva de 0,2% no período, evitando uma queda mais acentuada da economia. Sob ótica da demanda, a queda foi puxada pela formação bruta de capital fixo, isto é, os investimentos, que caíram 1,7% do último trimestre de 2018 para o primeiro trimestre deste ano. As exportações também caíram (-1,9%). Ao mesmo tempo, os consumos do governo e das famílias cresceram 0,4% e 0,3%, respectivamente. As importações tiveram alta de 0,5%.

Fonte: Agência Brasil

 

Algumas caras do desemprego

No Banco de Emprego de Lages, encontramos vários tipos de profissionais buscando uma colocação no mercado de trabalho. Há os que possuem experiência em diversas áreas. Àqueles com qualificação para a vaga que buscam, mas não possuem o tempo de experiência exigido pelo empregador.

Outros têm idade para se aposentar, mas não possuem tempo de trabalho para isso e precisam de renda. E, também existem àqueles que nunca trabalharam, não têm experiência e querem ingressar no mercado de trabalho. Não importa o tipo de profissional, todos passam por dificuldades para conseguir uma ocupação.

Ilza Melo Ramos

Há dois meses desempregada, Ilza Melo Ramos, 52 anos, não vê a hora de trabalhar. “As contas vão chegando e não tem como pagar, eu era contratada da prefeitura”. Ela tem técnico em contabilidade, também em segurança do trabalho e é bacharel em Direito. Fora os cursos de qualificação, como oratória e inglês. “Qualificação não falta, o que não tem é oportunidade. Eu moro sozinha, meus filhos já saíram de casa”.

Ela sente preconceito dos empregadores em relação a idade. Acredita que quando passa dos 35 anos, a pessoa tem dificuldade de conseguir emprego. Tanto é, que apesar de querer trabalhar na área que possui qualificação e experiência, aceita qualquer emprego. “Olha, já trabalhei como recepcionista, auxiliar de escritório, digitadora, auxiliar contábil…já exerci várias funções”.

Ilza já entregou currículo e fez várias entrevistas, mas não foi contratada

Marilene das Graças Fonseca

Técnica em segurança do trabalho, Marilene das Graças Fonseca, 49 anos, trabalha hoje como atendente em um café, mas quer atuar na área de sua formação. Não consegue, porque conta que quando os empregadores sabem que possui mais de 40 anos, não a contratam.

Ela reclama dos cabides de emprego e das vagas em que as pessoas são indicadas por alguém. Já foi cuidadora, fiscal de ensino, funcionária pública, auxiliar de produção, entre outras funções e não acredita que não consegue um trabalho melhor. “Temos uma biografia grande e os empresários preferem os mais novos, sem experiência, que geralmente são mais baratos”.

Se conseguir emprego na área, ela pretende fazer um tecnólogo em segurança do trabalho e se qualificar mais. Divorciada, ela possui três filhos, dois moram fora e um com ela. “Isso dificulta ainda mais, pois fiquei um ano e dois meses desempregada e precisei fazer muitos bicos. Pedi ajuda em grupos de What´s App e me indicaram esse trabalho que estou agora”.

Marilene lamenta não conseguir trabalho na profissão que ama e estudou

Moisés Furlan

Com 26 anos, Moisés Furlan, procura emprego há um ano e não consegue. Antes trabalhava como autônomo e hoje percebe que sua qualificação não adianta, pois não possui experiência no trabalho. Ele acredita que o desemprego está grande, porque a maioria das empresas não se interessam pela formação da pessoa e sim pela experiência.

“Muitos têm curso superior e não conseguem emprego”. Ele é formado em técnico em segurança do trabalho e trabalhava em uma serralheria. Furlan também possui técnico em funções administrativas, curso de informática e um de qualificação de vendas. “Tenho força de vontade, facilidade em lidar com o público, mas falta oportunidade, eles pegam quem tem experiência na área”.

Furlan mora com os pais, mas isso o deixa angustiado. Ele quer ser independente financeiramente. “Temos que correr atrás dos nossos sonhos e objetivos. Se continuarem assim, de não dar oportunidade para os que não têm experiência, existirão cada vez mais jovens desempregados. Por enquanto, tenho feito bicos”.

Moisés lamenta que os empregadores prefiram somente quem tem experiência

Claudio Francisco da Silva

Aos 60 anos, Claudio Francisco da Silva, trabalhou 33 anos como pedreiro. Antes, atuava como metalúrgico em grandes empresas de Joinville. Está sem emprego de carteira assinada há quatro anos e, por enquanto, atua com trabalhos temporários. O problema é que fazer bico não tem renda fixa e, também, nem sempre há serviço.

Apesar de já ter 60 anos, trabalhou 15 anos como autônomo, sem pagar INSS, isso fez com que o tempo para se aposentar avançasse muito. Experiência é o que não falta para ele, que sabe trabalhar com carpintaria, construção, hidráulica, ferragens, cerâmica e estrutura.

“Praticamente, só não mexo com eletricidade. Não fiz curso nenhum, aprendi com a vida. O problema é que quando olham minha idade, não me contratam. Fora isso, vejo que falta emprego mesmo. Tem muita gente desempregada”.

Enquanto não é contratado, Claudio continuará com bicos

Maicon Vaz

Há seis anos trabalhando como pedreiro, Maicon Vaz, 28 anos, está há um ano e oito meses sem serviço de carteira assinada. Para melhorar sua situação financeira, ele se tornou um Microempreendedor Individual (MEI) e mostra seus trabalhos em uma página do Facebook. “Só que tem muita concorrência. Conseguimos trabalho por indicação, divulgando o serviço na internet e com cartão”.

Antes de ser pedreiro, ele trabalhava como auxiliar de serviços gerais e de produção. Quando viu que o salário de pedreiro era mais alto que servente, decidiu observar os pedreiros nas obras e aprender o serviço.

Com dois filhos pequenos, um de 8 anos e outro de 3 anos, ele almeja um emprego diferente e com renda fixa para ter mais estabilidade financeira. Está estudando informática e quer trabalhar com programação de sistemas. “Minha esposa trabalha como auxiliar de serviços gerais e queremos melhorar de vida”.

Maicon quer trabalhar com carteira assinada

Consultor dá dicas para conseguir um novo emprego

O desemprego está em alta e por mais que haja uma perspectiva de melhora com a Reforma da Previdência, isso não ocorrerá logo. Outro ponto é que se observa um crescente desânimo dos profissionais por vários motivos, segundo o consultor em recursos humanos e diretor executivo da Bazz Estratégia e Operação de RH, Celso Bazzola, isso cria uma crescente busca por um reposicionamento no mercado no trabalho.

Ele afirma que em momentos de incertezas na economia e nos resultados das empresas, o surgimento de novas oportunidades fica comprometido, com isso, conseguir trabalho tende ser mais dificultoso. Mas, não é impossível, leia as dicas do consultor:

  • Pode parecer difícil manter a calma diante das informações negativas do mercado, mas, neste momento manter a tranquilidade e equilíbrio torna-se um fator essencial para seu reposicionamento;
  • Para e repare como sempre a ansiedade e o desespero tendem a dificultar ainda mais o raciocínio e apresentação de suas habilidades técnicas e comportamentais, por isso se controle. Além disso, agir por impulso e decidir por uma oportunidade qualquer, não agregará em sua vida profissional, mantenha o raciocínio lógico;
  • Amplie sua rede de relacionamentos, isto é trabalhe o seu network, lembrando que esse não deve ser utilizado somente nas necessidades. Assim, esteja pronto também para ajudar e nunca deixar de ser lembrado;
  • Defina a estratégia para que possa desenvolver sua autoapresentação, de forma transparente, segura e que demonstre preparo;
  • Crie interesse por parte do entrevistador, através de um currículo bem elaborado, com ordem e clareza na apresentação escrita e verbal, apresentando quais seus objetivos e seu potencial;
  • Cuidar da imagem pessoal é tão importante quantos os demais itens, demonstram autoestima e amor próprio, pois, primeiro temos que gostar de nós mesmos para depois gostar do que fazemos;
  • Busque conhecimento e informações além de sua formação, a fim de manter-se atualizado diante das mudanças de mercado;
  • Conheça as empresas que têm interesse em buscar oportunidades, analisando seus produtos ou serviços, estrutura e sua colocação de mercado;
  • Tenha transparência e autenticidade, esses pontos que atraem as empresas, portanto, não queira construir um personagem, seja você mesmo, demonstre o quanto tem valor nas competências técnicas e comportamentais.

O consultor também dá dicas para quem está empregado e insatisfeito. “O fato de passarmos por uma crise não significa que os profissionais empregados, mas desmotivados devam ficar estagnados, sem analisar novas possibilidades”. Porém, ele aconselha que primeiramente se busque quais os motivos que estão levando a condição de desmotivação, criando oportunidades de mudança do ambiente e tornando-o mais atraente.

Após essas ações e análises, o consultor recomenda que se busque novas oportunidades. “Contudo, antes de deixar a colocação atual, aguarde o melhor momento e uma boa proposta para tomar a decisão em definitivo”.

Enquanto isso não ocorrer, ele indica que se busque motivação para contribuir com a empresa, atitude que considera, no mínimo, profissional e que dará respeito e consideração futura. “Lembrando que deixar um legado positivo em resultados e em atitudes pode consolidar sua imagem em seu campo profissional”.

Especialista em RH analisa perfil dos profissionais

A lageana Fernanda Ramos, 37 anos, gerente e head (cabeça) de pessoas, da startup Vindi, uma fintech de pagamentos online e soluções financeiras, que fica em São Paulo, analisa o perfil dos profissionais hoje em dia. Ela é psicóloga formada pela Univali, em Florianópolis e tem 11 anos de atuação na área de RH generalista.

Correio Lageano: Mesmo sem renda, alguns profissionais preferem aceitar empregos somente em suas áreas. Por que ocorre isso?

Fernanda Ramos: O perfil do profissional tem mudado bastante. Hoje vemos que os profissionais estão mais seletivos, buscando propósitos profissionais que se conectem com os seus propósitos de vida. A renda, muitas vezes, vem em segundo plano. Benefícios como flexibilidade de horário, no dress code (sem regras para vestimenta), oportunidade para contribuir e empreender acabam pesando no momento da escolha do candidato.

Qual o foco de contratação da maioria das empresas diante desse cenário, onde há mais desempregados?

O foco das empresas é buscar profissionais que tenham fit cultural (modo de expressar um alinhamento entre os ideais do candidato e os da empresa ao qual ele deseja uma vaga) com o negócio, que se conectem com os valores e com a missão da empresa e que contribuam para evolução do negócio, gerando valor e resultado.

Competências comportamentais são avaliadas e, muitas vezes, são mais importantes que a expertise técnica. O que favorece o profissional que está desempregado buscando uma nova oportunidade e em outra área.

Sobre funcionários com mais tempo de empresa, isso é bom ou ruim para o currículo?

O tempo de empresa não é mais visto como um critério importante para a contratação, ele é avaliado positivamente, pois demonstra um profissional que busca estabilidade e segurança, desde que não demonstre estagnação. O tempo sendo longo ou curto, deve ser de contribuição, entrega e resultado. A questão do propósito é o que mais conta. Os profissionais e as empresas buscam relações de ganha a ganha, enquanto isso estiver acontecendo é válido. As formas de contratação também mudaram, o mercado vem se adaptando de acordo com novo perfil dos profissionais, contratos CLTs, terceirizados, freelancer, por projeto, trabalho remoto, são vistos com bons olhos.

Fernanda é gerente de RH

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