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Usuários deixam planos de saúde para utilizar SUS

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Foto: Camila Paes

O aumento dos preços dos planos de saúde afastou ainda mais usuários em 2018. Segundo dados da Agência Nacional de Saúde (ANS), desde 2015, cerca de 2,9 milhões de pessoas saíram do sistema de saúde privado. Em Lages, esta mudança tem refletido no aumento dos atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), como no Pronto Atendimento Tito Bianchini.

A secretária de Saúde, Odila Valdrich, explica que este aumento tem sido sentido desde 2017 e, há dois meses, o fluxo cresceu ainda mais. Uma pesquisa nacional revela que 30% dos pacientes que antes usavam planos de saúde migraram para o SUS. Ela ressalta que o impacto é violento, porque a estrutura permanece a mesma, mas o número de atendimento sobe.

“Nós temos a consciência que todos têm direito a ter o atendimento gratuito, mas é uma grande demanda e esgota a equipe.”

Em junho deste ano, a ANS publicou a autorização de reajuste máximo de 10% para planos de saúde médico-hospitalares individuais e familiares com ou sem cobertura odontológica. A medida é retroativa a 1º de maio deste ano e vale até 30 de abril de 2019.

O percentual é válido para planos de saúde contratados a partir de janeiro de 1999 ou adaptados à Lei nº 9.656/98 – atinge, portanto, 8,1 milhões de beneficiários, o que representa 17% do total de 47,3 milhões de consumidores de planos de assistência médica no Brasil, de acordo com dados referentes a abril de 2018.

Liminar concedida pela Justiça Federal de São Paulo, no último dia 12, chegou a limitar o reajuste a 5,72% a pedido do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). O Tribunal Regional Federal da 3ª Região, no entanto, suspendeu a liminar, abrindo caminho para o percentual máximo de 10% anunciado pela ANS.

Pronto Atendimento é para urgência

Odila também ressalta que as pessoas têm procurado o Pronto Atendimento por motivos de pouca urgência. Em média, entre 60% e 70% dos casos são de dor e cabeça, náuseas, falta de ar, tontura, tosse e dor de garganta, os quadros clínicos mais comuns que dão entrada no PA.

Muitos casos, considerados sem gravidade acabam competindo com os que realmente necessitam de atenção naquele momento e aumentam o tempo de espera para atendimento. Odila explica que isso também é um reflexo da saída dos usuários dos planos de saúde que, anteriormente, ao apresentar sintomas sem gravidade, agendavam consultas médicas pelos planos.

E esta demanda, segundo ela, não deve parar. Em casos não urgentes, a orientação é procurar as Unidades de Saúde para atendimento ou para agendar consultas com especialistas na Policlínica.

De acordo com dados da Prefeitura, entre os dias 1º e 7 de julho de 2018, foram realizados 1.870 atendimentos no Pronto Atendimento. Todos os pacientes que deram entrada, passaram pelo sistema de classificação que organiza o fluxo por cores, conforme a gravidade da ocorrência. O tempo de espera para o atendimento médico pode ser imediato, urgente, pouco urgente e não urgente. No período apurado de uma semana, verificou-se que do total dos pacientes atendidos, 189 foram classificados como pouco urgente. Outros 25 pacientes foram classificados como muito urgente.

Reflexo também nos leitos hospitalares

A utilização do Pronto Atendimento em substituição a um consultório médico pode, também, sobrecarregar o atendimento de demandas que comprometem o fluxo de atendimentos, como a falta de leitos hospitalares.

Desde o dia 1º de julho, todos os leitos da emergência e das salas de observação feminina e masculina estão lotados com pacientes aguardando internamento. A maioria idosos com problemas respiratórios ou cardíacos, que chegam a ficar até quatro dias no PA aguardando um leito hospitalar. Durante o período em que permanecem na unidade, recebem toda a atenção, com exames, medicamentos e o mesmo acompanhamento médico que deveriam receber no hospital.

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