Cotidiano

A Fazenda do Barreiro e a história do turismo rural em Lages

Casal Tânia Ávila e Laélio Bianchini, pioneiros do turismo rural em Lages, na janela de pedra da Fazenda do Barreiro
Foto: Divulgação/Prefeitura de Lages

Nas colinas frias e verdes da Serra Catarinense, onde araucárias guardam memórias e o pinhão é rei na culinária, vive um casal cuja história se confunde com a do próprio Turismo Rural no Brasil. Tânia Ávila e Laélio Bianchini são mais que proprietários da bicentenária Fazenda do Barreiro — eles são personagens vivos de uma narrativa que atravessa séculos, tradições e paixões.

Notícias de Lages no seu WhatsApp

Fique por dentro de tudo o que acontece na cidade e região

Entrar no canal

Onde o tempo se move devagar

No inverno, a geada pinta os campos de branco, e o cheiro de pinhão assado mistura-se ao aroma do café coado no pano. A Cozinha de Chão, com mais de 200 anos, é o coração pulsante da casa, onde conversas são temperadas com histórias de tropeiros, lendas serranas e memórias familiares.

Não há pressa. Não há barulho de cidade grande. Há apenas o som da cuia passando de mão em mão e o vento acariciando as copas das araucárias.

Berço do Turismo Rural brasileiro

Foi ali, em terras de Painel e Urupema, que o Turismo Rural começou a ganhar forma no Brasil. Em 1986, Laélio e Tânia abriram as porteiras para receber turistas, oferecendo mais que hospedagem: uma experiência de imersão no campo. Cavalgadas, pescarias, gastronomia tropeira e o aconchego de uma fazenda de verdade atraíam visitantes do Brasil e do exterior.

Hoje, a Fazenda do Barreiro é referência nacional e internacional, mantendo-se fiel à essência de quem vive e ama a vida rural.

Amor resistente como pedra de taipa

Casados há 60 anos, Tânia e Laélio são prova de que o amor, assim como as paredes centenárias da fazenda, resiste ao tempo. Entre confidências e risos, contam sobre a primeira vez que se beijaram em um balanço de ferro, que até hoje é ponto de encontro de novos namorados.

Tânia, forte e decidida, aprendeu a dirigir aos 12 anos e fala francês fluentemente. Laélio, contador de formação e contador de histórias por vocação, trocou os números pela lida no campo.

Guardiões de memórias

A Fazenda do Barreiro guarda relíquias que contam não apenas a história da família, mas também a de toda a região. Museus internos reúnem utensílios, documentos e curiosidades como a camélia, símbolo abolicionista, e um plátano de 124 anos.

Mais que um destino, uma experiência

Visitar a Fazenda é mergulhar em um Brasil profundo, de tradições preservadas e hospitalidade generosa. É entender que, no campo, cada dia é uma história nova, e cada visitante sai levando um pedaço da Serra no coração.

Como isso impacta sua vida?

Conhecer Tânia e Laélio é redescobrir a importância das raízes, da memória e do amor pelo lugar onde vivemos. Mais que turismo, é um convite para viver a vida com menos pressa e mais significado.