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Transporte entre cidades-sedes da Copa será desafio para o Brasil

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Brasília, 20/06/2010, Agência Brasil

 

Em um país continental como o Brasil, o transporte interestadual para a Copa do Mundo será um desafio.

 

Na França, a malha ferroviária é muito eficiente, mas, para receber a Copa do Mundo de Futebol, em 1998, foi preciso investir em melhorias.

 

A secretária-geral para Grandes Eventos Esportivos do país, Thérèse Salvador, observa que um grande evento é a oportunidade para uma região melhorar seu parque de transporte.

 

“Já temos infraestrutura para receber muita gente na França, mas sempre existe um programa para melhorar, dobrar as estradas, os trens, os ônibus”, afima Thérèse.

 

O sistema ferroviário francês tem quase 32 mil quilômetros de extensão – é o maior da Europa Ocidental.

 

A malha do trem de grande velocidade (TGV), que chega a 320 quilômetros por hora em operação comercial, tem 1.872 quilômetros, a segunda maior do mundo, atrás apenas do Japão, que tem 2.387 quilômetros de trem-bala.

 

Para a Copa, as dez cidades-sede foram ligadas pelo TGV, com o tempo máximo de três horas de viagem. Marselha foi beneficiada na época.

 

O líder da Maioria no Conselho Municipal, Ives Morraine, lembra que houve uma coincidência, já que o TGV chegou à cidade a tempo de servir aos torcedores que foram para a Copa.

 

“É verdade que o projeto já existia bem antes, mas, igualmente em 1998, as obras da linha TGV Paris-Marselha também terminaram. Houve uma conjunção. Ao mesmo tempo, tivemos a chegada do TGV e da Copa do Mundo de 1998”.

 

O projeto do trem de alta velocidade da França conta atualmente com 299 quilômetros de linha em construção e 2.616 planejados. Além disso, o país tem quase 900 mil quilômetros de rodovias e 478 aeroportos.

 

A França é a sexta maior economia do mundo e o território é de 544 mil quilômetros quadrados, um pouco menor que o do estado da Bahia.

 

Quarta maior economia do mundo, a Alemanha tem 350 mil quilômetros quadrados de extensão e a maior população da União Europeia.

 

A construção da rede de autoestradas começou em 1930 e atualmente tem 12 mil quilômetros, além de 40 mil quilômetros de estradas federais.

 

O país tem a terceira maior densidade de estradas por carro no mundo.

 

O pedágio é apenas para caminhões de carga e veículos de pequeno porte não pagam.

 

A linha do trem de alta velocidade alemão, o ICE, tem 1.285 quilômetros em operação, 378 em construção e mais 670 quilômetros planejados.

 

Para a Copa de 2006, o consultor da Fifa Horst Schmidt lembra que a primeira preocupação dos alemães foi a estrutura dos estádios e a segunda, o transporte dos torcedores entre as 12 cidades-sede.

 

“Quando essa tarefa estiver realizada, então se coloca de imediato a próxima questão: como melhorar a infraestrutura das vias de tráfego e dos transportes em todo o país, o transporte de transporte de estado a estado, como também entre as cidades.

 

Oferecer ao torcedor boas possibilidades de locomoção, seja nacional ou internacional”.

 

Segundo a diretora da Secretaria de Transportes de Frankfurt, Nora Pullman, em primeiro lugar, veio o planejamento.

 

“Depois, reuniram-se em grupos de trabalho todos os órgãos envolvidos com o sistema.

 

Isso foi uma experiência nova, pois, até então, esses eventos não eram tão bem organizados.

 

As entidades do Emta [European Metropolitan Transport Authorities] juntaram-se e marcavam o que devia ser feito com quem, quando e onde.

 

Então, rapidamente entendemos como a Copa do mundo é um evento tão grande, tão extenso e tão complexo.”

 

Para a Copa da África do Sul, país cujo território é um pouco menor que o do estado do Pará, o Departamento de Transportes está disponibilizando 110 ônibus para a locomoção dos torcedores.

 

A Fifa havia sugerido o transporte entre as nove cidades-sede de avião ou em carros alugados.

 

O urbanista Iuli Nascimento, que mora em Paris, pondera que no Brasil o caminho deve ser o mesmo.

 

“O país é muito grande, eu creio que eles vão ter que se organizar com o transporte aéreo, porque fazer a ligação pelo solo, por trem, é muito dispendioso e as distâncias são muito longas. Também não é tradição brasileira fazer o transporte por trem.”

 

No Brasil, por enquanto, o projeto do trem de alta velocidade só prevê o trajeto de São Paulo a Campinas e ao Rio de Janeiro, num total de 511 quilômetros.

 

A previsão é de que ele fique pronto para a Copa do Mundo em 2014.

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