Santa Catarina

Temporada de agroglifos: o que sabemos sobre os sinais “alienigenas” que aparecem em SC

Formação geométrica em agroglifo vista do alto em plantação de trigo em Ipuaçu, SC
Agroglifo de 2011 em Ipuaçu | Foto: Ivo Hugo Dohl/Prefeitura de Ipuaçu

Em Santa Catarina, mais precisamente na região Oeste, os meses de outubro e novembro se tornaram sinônimos de expectativa e mistério. É nesse período que surgem os agroglifos, desenhos geométricos e enigmáticos que aparecem da noite para o dia em plantações de trigo, principalmente no município de Ipuaçu. O fenômeno, que teve seu primeiro registro oficial em 2008, continua chamando a atenção de curiosos, estudiosos e moradores da região.

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Desde o primeiro aparecimento, Ipuaçu virou ponto de referência para o fenômeno dos agroglifos. As figuras surgem de forma repentina e com precisão impressionante: caules dobrados quase rente ao solo, sem sinais de destruição das plantas, rastros ou marcas de pneus. A geometria das imagens desafia explicações racionais e dá margem a diversas teorias.

Segundo especialistas, o período entre meados de setembro e fim de novembro coincide com a fase de colheita do trigo na região. Nesse momento, o caule das plantas está mais flexível e permite que as figuras sejam formadas sem destruir a lavoura.

A aparição dos desenhos costuma ser antecedida por relatos de luzes misteriosas no céu, vistas por moradores locais. Alguns descrevem esferas luminosas silenciosas cruzando o horizonte durante a noite. Esses relatos alimentam teorias que vão desde visitas extraterrestres até explicações espirituais e cósmicas. Para alguns médiuns, os sinais teriam origem subterrânea ou seriam manifestações de outras dimensões.

Pessoas analisam agroglifo circular em plantação de trigo no Oeste catarinense
Ufólogos analisam agroglifo em Ipuaçu em 2010 | Foto: Jorge/Prefeitura de Ipuaçu

Apesar disso, também há registros de agroglifos considerados “falsos”, feitos por mão humana. Quando isso ocorre, especialistas apontam detalhes como desalinhamento, quebra dos caules e imperfeições no desenho.

Casos recentes: o que aconteceu nos últimos anos

Em 2024, um novo agroglifo foi registrado em 14 de outubro. A equipe liderada por Luiz Prestes Junior percorreu mais de oito horas até Ipuaçu para investigar o caso, conversar com moradores e registrar a figura, que surgiu de forma repentina.

No ano anterior, em 2023, o desenho apareceu mais cedo, em setembro, mas foi classificado como obra humana devido à falta de precisão e danos às plantas. Já em 2022, um agroglifo mais complexo surgiu em outubro, e chamou a atenção por apresentar leves alterações magnéticas, segundo o pesquisador Alcides Cores, da revista UFO. Ainda que os dados não tenham sido conclusivos, o caso reforçou o mistério em torno do fenômeno.

Um dos episódios mais marcantes ocorreu em novembro de 2020, após dois anos sem registros. A figura era composta por um círculo de aproximadamente 50 metros de diâmetro, com um triângulo e três arcos, tudo cuidadosamente dobrado sobre o trigo.

Ao longo dos anos, Ipuaçu se consolidou como um dos principais destinos do chamado “turismo ufológico” no país. A cidade atrai pesquisadores, curiosos e entusiastas de fenômenos inexplicáveis. Em 2008, por exemplo, o surgimento dos primeiros desenhos atraiu cerca de dois mil visitantes. Desde então, a expectativa se renova a cada primavera.

Agroglifo em formato de figura com três extremidades aparece em campo de trigo em Ipuaçu
Foto: Divulgação/Prefeitura de Ipuaçu

Como isso impacta sua vida?

Os agroglifos, mesmo sem interferência direta no cotidiano da maioria dos moradores, colocam o Oeste de Santa Catarina no centro das discussões sobre fenômenos inexplicáveis. A visibilidade que o fenômeno traz movimenta o comércio local, atrai olhares de diferentes partes do país e projeta a região como referência nacional em casos ufológicos.