No feriado de Nossa Senhora dos Prazeres, padroeira de Lages, um presente especial para os apaixonados pela cidade e pela Serra Catarinense: a trajetória romântica e inspiradora de Laélio Bianchini e Tânia Ávila, casal que se tornou símbolo do turismo rural no Brasil. Diretamente da bicentenária Fazenda do Barreiro, eles compartilham memórias que misturam amor, pioneirismo e tradição.
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Cenário de cinema na Serra

A Serra Catarinense se revela com campos cobertos de araucárias, copas pesadas de pinhão e o branco da geada que, no inverno, pinta tudo como uma tela. Mais adiante, um riacho de águas frias abriga tilápias, convidando para o almoço e para as brincadeiras das crianças no verão. Uma ponte de madeira rústica se torna cenário perfeito para casais eternizarem momentos. Quero-queros, curucacas e seriemas fazem parte da orquestra natural. No pasto, cães, gatos, gado e ovelhas convivem em harmonia.
Ao lado, uma antiga casa de madeira solta fumaça pela chaminé. No fogão a lenha, pinhão assa enquanto uma mesa de café colonial exibe quitutes serranos: pão caseiro com mel, bolo de cenoura, rosca de coalhada, bolinho de chuva, orelha de gato, bijajica, sopinha de feijão e omelete de galinha caipira. O aroma do café coado no pano completa o quadro — um verdadeiro colo de afeto.
Onde o tempo desacelera

Aqui não há pressa nem barulho de cidade grande. É possível desligar o celular e olhar nos olhos, ouvir de verdade. As fazendas e hotéis fazenda da Serra oferecem essa experiência em todas as épocas do ano: férias, feriados, datas especiais. E entre elas, a Fazenda do Barreiro se destaca, recebendo visitantes em qualquer estação com hospitalidade genuína.
Quatro décadas de turismo rural

O turismo rural no Brasil está completando 40 anos e sua história começa em Lages. A cidade é pioneira e referência nacional e internacional no segmento. Para celebrar, a Prefeitura de Lages está produzindo um documentário com personagens fundamentais dessa trajetória, a ser lançado em setembro de 2026.
Entre os nomes marcantes está o de Adones Zimmermann, considerado criador do turismo rural no Brasil, e empresários como Sônia Gamborgi e Vilson Urbano. Mas é impossível contar essa história sem falar de Tânia e Laélio.
262 anos de história

Fundada em 1763 pelo português José Joaquim Pereira, a Fazenda do Barreiro hoje é administrada pela oitava geração da mesma família. Dois museus guardam objetos que contam essa longa trajetória. As atividades de hospedagem começaram em 1986, colocando a propriedade entre as pioneiras do turismo rural no país, ao lado do Hotel Fazenda Pedras Brancas.
Além das paisagens e da história, a fazenda oferece gastronomia típica, cavalgadas, caminhadas, pesca e passeios de bote pelo Rio Divisa. Uma experiência completa da vida no campo.
Amor resistente como as taipas

No dia 15 de agosto, feriado municipal, Tânia e Laélio relembram suas histórias à beira da lareira, na Cozinha de Chão. Casados há 60 anos, eles dividem não apenas uma vida, mas uma missão: preservar a tradição e receber visitantes como se fossem da família.
Laélio nasceu na Fazenda Morrinhos e, após se formar técnico em contabilidade, deixou a profissão para viver do campo e contar histórias. Entre suas memórias, guarda um diploma de Honra ao Mérito recebido em 1981.
Família e legado
Dessa união nasceram dois filhos, Eduardo e Adriana, e quatro netos bem encaminhados na vida. Eduardo administra a fazenda atualmente, mantendo viva a essência do lugar. Os hóspedes de longa data, alguns frequentando há mais de 20 anos, são testemunhas desse legado.
Tradição e simbolismo

A propriedade mantém curiosidades como as casas de pedra de taipas e a camélia na fachada, símbolo das fazendas abolicionistas. Um plátano de 124 anos recebe visitantes na entrada, compondo o cenário para chás e piqueniques.
Histórias que atravessam fronteiras
A Fazenda do Barreiro já recebeu turistas da América do Sul e da Europa, vindos de países como Suíça, Alemanha, Inglaterra, França e Bélgica. As conversas misturam culturas, idiomas e experiências — do futebol à culinária.
Bodas de Diamante e reconciliações

Entre as histórias de amor, uma das mais marcantes é a reconciliação após uma breve separação, quando Tânia se hospedou na pousada vizinha. Bastou uma visita de Laélio para que voltassem a viver sob o mesmo teto, provando que o romance continua vivo.
Uma mulher à frente do tempo
Tânia aprendeu a dirigir aos 12 anos, teve seu primeiro carro aos 15 e estudou no Colégio Santa Rosa de Lima, onde aprendeu francês. Já viajou para Estados Unidos, Inglaterra e França. No turismo rural, assume papel essencial, cuidando da cozinha, do atendimento e da gestão, mostrando a importância da presença feminina no campo.
O balanço do primeiro beijo

Na fazenda, um balanço branco guarda outra lembrança: foi ali que Laélio roubou o primeiro beijo de Tânia. Hoje, a peça continua servindo como “namoradeira”, testemunha de um amor que atravessa décadas.
Como isso impacta sua vida?
Conhecer a história de Tânia e Laélio é mais que visitar um ponto turístico: é vivenciar um exemplo de amor, tradição e visão empreendedora que ajudou a colocar Lages no mapa do turismo rural. É entender que a preservação das raízes culturais e do modo de vida no campo também é uma forma de construir futuro.