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Serra do Corvo Branco: Rodovia com 58 anos ainda não é asfaltada

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Manifestantes se reuniram no corte da pedra, na Serra do Corvo Branco para recolher adesões ao abaixo-assinado - Foto: Susana Küster

Moradores, empresários, agricultores, estudantes de Grão Pará e Urubici, além de turistas, enfrentam buracos, pedras afiadas, risco de deslizamento de terra e pedras, e também trechos em que somente um veículo pode passar por vez, na Serra do Corvo Branco, que liga os dois municípios, na SC-370 e também não possui iluminação.

A rodovia que começou a ter o caminho aberto em junho de 1959, passagem de veículos em 1974 e o início do asfalto em 1999, possui 9,3 quilômetros sem asfalto e em condições precárias.

E para reivindicar por melhorias neste trecho, foi realizada uma manifestação, que começou ao meio-dia de sábado e terminou de tarde.

Um dos organizadores do ato, o microempresário de Grão Pará, Márcio de Bona Mendes, 42 anos, conta que 600 pessoas assinaram um abaixo assinado. O objetivo é alcançar quatro mil assinaturas, para depois entregar o documento em uma audiência pública, que eles pretendem realizar na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina.

Ele conta que desde 2012, foram feitas cinco manifestações. “Faz exatos 47 anos que a primeira promessa foi feita, passaram vários governadores e todos disseram que terminariam, mas nenhum fez isso”.

Na opinião dele e de muitos que estavam no protesto, a estrada não é pavimentada porque há um grande jogo de interesses por trás. “Está para sair pedágios na BR-282 e BR-470, e, se terminarem essa Serra, o fluxo de veículos virá para cá, então há muita gente interessada em não asfaltar esse trecho”.

Se caso as autoridades não derem um retorno para a comunidade e a obra continuar parada, ele frisa que novos protestos acontecerão.

Obra

Um novo projeto de construção tem como responsável, a empresa Prosul e como data final de entrega, o dia 9 de março de 2018. Não há detalhes sobre o andamento do projeto, nem da obra e quais seriam os motivos dela se arrastar por tantos anos.

O Correio Lageano, na sexta-feira, entrou em contato com a assessoria de imprensa da Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) de Grão Pará, informando que a equipe iria cobrir a manifestação de sábado, e de tarde entraria em contato com o secretário do órgão.

Ficou acertada a entrevista, porém os celulares da assessoria e do secretário estavam na caixa postal, no sábado e domingo. Foi deixado recado na caixa postal, mas ninguém retornou as ligações.

A Serra do Corvo Branco pertence ao município de Grão Pará, a parte que pertence a Urubici fica bem antes, em um acesso que tem parte asfaltada. Em entrevista publicada na edição de fim de semana, o prefeito de Grão Pará, Márcio Borba Blasius, disse que, enquanto a readequação do projeto não ficar pronta, não se pode fazer nada, a não ser tapar os buracos. Informações extraoficiais são de que o projeto está pronto, mas esse dado não pode ser confirmado, devido a falta de confirmação da ADR de Grão Pará.

Turistas que não voltam mais

O trecho de 9,3 quilômetros sem asfalto e em más condições onde está pavimentado, parece pequeno, mas para quem o enfrenta diariamente, seja para estudar ou trabalhar, torna-se penoso.

Até turistas deixam de visitar a região, por conta da insegurança da estrada e danos causados nos veículos pela precariedade do trecho. É o caso do vendedor Cristiano Souza, 28 anos. Ele veio de Palhoça, no último sábado, pela primeira vez com a família para curtir a Serra.

Turistas de Palhoça dizem que não voltam mais, se a estrada não for pavimentada. Eles não achavam que as condições do trecho estavam ruins

Entretanto, admite que não volta mais. O perigo do pneu do veículo ser cortado por conta do cascalho afiado, colocado em alguns locais e a suspensão que pode estragar, espanta ele e muita gente. Além do desconforto e de possíveis danos no veículo, há também a insegurança da via. Sem iluminação, transitar a noite é um risco muito alto.

A natureza bela não compensa o risco de tantos problemas, segundo Souza. “E, se chover a situação piora mais. O carro que viemos não é rebaixado, mas é baixo. Se não arrumarem não voltamos mais, só se viermos com um carro mais alto, senão ficamos refém de qualquer situação que possa acontecer. A gente sabia que era uma estrada de chão, mas não imaginávamos que era tão precária”.

Fernando Soares Junior veio com os amigos de Campinas, São Paulo, de motocicleta. Mas, diz que é porque as motos são preparadas para estradas de chão

Moto preparada

De Campinas, em São Paulo para a Serra. Esse foi o caminho do advogado Fernando Soares Junior, 49 anos que veio com mais cinco amigos de motocicleta. É a segunda vez que ele se aventura no local, mas ressalta que faz isso porque sua moto BMW de 1000 cilindradas é alta.

“Ela é preparada para qualquer tipo de via, que se fosse melhor com certeza viriam mais turistas. Até nós, poderíamos vir com nossas famílias”. Um dos amigos dele veio com uma moto, que não é própria para estrada de chão e sofreu para subir a Serra. Depois de pousar em Urubici, o grupo foi para Curitiba.

Números

Dados da Secretaria de Turismo de Urubici são de que, em média, 120 mil turistas passam por ano na cidade. No Grão Pará, cerca de 900 veículos trafegam na cidade em um fim de semana. Fora o fluxo de caminhões com carga de madeira, hortaliças, grãos, leite e outros produtos que passam pela Serra do Corvo Branco para abastecer a região.

Produção agrícola comprometida

O lavrador Silvio Boing, 67 anos, mora na Localidade Santa Terezinha, em Urubici e transporta cerca de 140 mil litros de leite por mês para Braço do Norte. Ele perdeu a conta de quantas vezes foi preciso um trator para puxar seu caminhão, que empaca na Serra por conta das pedras, barro e buracos na pista. “Às vezes o trator precisa puxar o caminhão ou limpar a pista, porque cai muita barreira e pedra na pista”, lembra.

Ele percorre 51 quilômetros para levar sua produção de leite pela Serra do Corvo Branco, mas precisou, muitas vezes, mudar o trajeto e isso fez com que o leite estragasse. O caminho mais curto para levar as hortaliças ao Sul e ao Litoral do Estado é por meio da Serra, através da SC-370.

Outros trajetos que ele faz para chegar até Braço do Norte é pela SC-390, que passa por Urubici, Bom Jardim da Serra, Serra do Rio do Rastro e Orleans, resultando em um percurso de 190 quilômetros.

Outro, ainda maior, é pela BR-282, trafegando por Rancho Queimado, Anitápolis e Santa Rosa de Lima, com um total de cerca de 245 Km. “As vezes desço mais de uma vez por dia, as vacas não esperam. Não é só eu, tem mais caminhão de leite que desce aqui”, conta.

Certa vez, ele lembra que estragou a embreagem do caminhão e um trator teve que puxá-lo, e, outro caminhão foi no local para levar a carga. “Quantas vezes tive que ir até Braço do Norte ligar para alguém vir me socorrer, pois além da carga emperrada, o caminhão estragou na Serra. Essas pedras que arrumaram na estrada cortam os pneus”, lamenta.

Situação da rodovia entrava investimentos

Empresário de Criciúma, Sandro Boselo Blasius, 31 anos, sonha em investir em Urubici, mas é realista e sabe que não haverá retorno enquanto a estrada da Serra do Corvo Branco continuar em situação precária.

Ele gostaria de implantar uma pousada ou algum outro empreendimento próximo a Serra, mas devido à dificuldade de acesso, alega que não haverá retorno financeiro. “O turismo fica bloqueado também, porque muitos não se arriscam a descer. Não só eu, mas muitos gostariam de investir aqui e não fazem isso por conta dessa estrada”.

Quando era criança, ele e os amigos subiam a Serra de bicicleta para brincar. E há treze anos, ele e a família vão quase todo fim de semana a Urubici para passear. “Temos uma casa no pé da Serra e convidamos amigos de Criciúma para subir, mas já aconteceu de no meio da Serra ter que voltar, porque veículo com tração dianteira não sobe por conta das pedras, lodo e cascalho solto”.

Ele confessa que muitas vezes deixou de convidar amigos e parentes para subir a Serra, porque as condições do trecho sempre surpreendem.

Grande parte do trecho, não tem como passar dois veículos ao mesmo tempo

Estudantes

Anderson Bach Warmling, 20 anos, mora em Orleans e estuda Economia na Unibave, que fica na cidade, mas todo fim de semana ele ou sua família, que mora em Urubici, atravessam a Serra para se visitar.

A viagem leva 80 quilômetros, mas se o trecho está muito ruim eles vão pela Serra do Rio do Rastro, aumentando mais 50 quilômetros no percurso. “A proteção do motor do meu carro, que é um Gol, destruiu devido às pedras. Um amigo meu, que também mora em Orleans e tem família em Urubici, teve que trocar o motor do carro, porque uma pedra bateu no carter e danificou o motor”.

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