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Ruas de Buenos Aires enchem em comemoração pelos 200 anos de independência

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Buenos Aires, 27 de maio/2010 (EFE)

 

Milhares de pessoas encheram as ruas de Buenos Aires nesta terça-feira, nos eventos em comemoração pelo Bicentenário da Revolução de Maio, que abriu o caminho para a independência da Argentina, em 1816.

 

As diferenças políticas não conseguiram estragar os atos do último dia de comemorações, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o da Bolívia, Evo Morales; o do Chile, Sebastían Piñera; o do Equador, Rafael Correa; o do Paraguai, Fernando Lugo; o do Uruguai, José Mujica; e o da Venezuela, Hugo Chávez.

 

No ato central da comemoração, Cristina convocou os argentinos a superarem as diferenças e a participarem da construção do país.
"Convoco todos os argentinos a construírem um país no qual todos possamos nos sentir parte dele, não só porque se está no Governo, mas porque soubemos superar diferenças e construir um projeto estratégico que nos guie", disse a presidente, depois de inaugurar a Galeria dos Patriotas Latino-americanos na Casa Rosada.

 

Cristina revelou que desde que assumiu o poder, em dezembro de 2007, seu Governo estava "quase obsessivo" com o Bicentenário, para conseguir fazer uma comemoração "diferente, popular, com o povo nas ruas", e agradeceu aos cidadãos por seu "patriotismo, alegria e sentido cívico" com os quais participaram dos eventos.

 

"Nosso povo está melhor que há 100 anos", disse Cristina, que lembrou que "não existiam direitos sociais e a atividade sindical era proibida" e que seu país não podia eleger seus governantes "livre e democraticamente".

 

"Temos identidade, temos paixão pela verdade, pela Justiça", ressaltou a presidente, que foi aos eventos hoje com um vestido branco e um casaco azul, as cores da bandeira argentina.
Cristina quis comemorar o Bicentenário com a inauguração da Galeria de Patriotas Latino-americanos, da qual fazem parte de Simón Bolívar a José de San Martín, passando por Ernesto Che Guevara, Salvador Allende, Juan Domingo Perón e Evita.

 

Horas antes do discurso presidencial, a cúpula da Igreja Católica fez chamados à unidade, na catedral de Buenos Aires, com a presença de dirigentes da oposição, e na basílica de Nossa Senhora de Luján (padroeira da Argentina), com a participação da presidente e de seu Governo.

 

Os pedidos da Igreja foram feitos em um momento de conflito político entre a presidente e o prefeito de Buenos Aires, o conservador Mauricio Macri, que se traduziu, ontem à noite, na ausência de Cristina na reabertura do Teatro Colón, na cidade.

 

No entanto, os argentinos demonstraram estar acima das tensões políticas e o enfrentamento entre o Governo nacional e o da Prefeitura da capital não conseguiu estragar a festa para os mais de um milhão de pessoas que foram às ruas hoje para comemorar o 200º aniversário da Revolução de Maio.
Recebida pelos líderes convidados, Cristina conseguiu a duras penas abrir passagem em meio à multidão nos arredores da Casa Rosada, para assistir ao espetáculo de luz e som projetado na fachada do edifício, reproduzindo cenas da história argentina.

 

A festa continuará com o desfile dos 200 anos, um espetáculo musical que será comandado pelo grupo Fuerzabruta, com mais de 2 mil participantes entre atores e técnicos, e de fogos de artifício.
De volta à Casa Rosada, Cristina oferecerá um jantar a 200 convidados, entre os quais estarão os líderes convidados, governadores, parlamentares, dirigentes sindicais, empresários, cientistas, atletas e representantes do setor de cultura.

 

Foto: Agência EFE

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