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Projeto Lixo Orgânico Zero quer mudar forma de tratamento do lixo em Lages

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Foto: Camila Paes

O gasto com o recolhimento do lixo é um dos cinco maiores nas prefeituras brasileiras. Em Lages, um projeto de compostagem de resíduos orgânicos pretende mudar essa realidade e reduzir, drasticamente, o encaminhamento deste tipo de lixo para o aterro sanitário municipal.

O Lixo Orgânico Zero, criado no Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV), foi um dos contemplados com os editais do Fundo Nacional do Meio Ambiente e Fundo Socioambiental, e receberá R$ 985 mil para ser colocado em prática.

O engenheiro agrônomo e professor universitário Germano Güttler explica que, com esse apoio, a intenção é levar o projeto de compostagem doméstica a 20 mil residências lageanas, ou seja, que 40% da cidade passe a reaproveitar o lixo produzido dentro de casa.

Germano ressalta que a forma de implementação dos espaços de compostagem, visa a atender parte da população que não tem contato ou experiência com hortas e que possa montar um local dentro de casa de fácil manejo.

O surgimento do projeto foi por volta de 2003, dentro das escolas públicas de Lages, onde construíram-se hortas orgânicas. Entretanto, com o passar dos anos, percebeu-se que as mesmas eram difíceis de serem mantidas dentro dos espaços escolares, pois precisam de mão de obra e cuidados mais específicos. Foi assim que se decidiu rever as ações e refazer o projeto, com a intenção de melhorar e facilitar a implementação das hortas orgânicas.

Germano explica que seguiu o caminho inverso: reaproveitar o lixo orgânico produzido dentro das cozinhas das instituições, com o preparo de merendas e lanches, e usando em espaços pequenos para a compostagem.

Começou em duas escolas, na creche Valéria Goss e no Sesc. Uma importante parte do aumento das Mini Compostagens Ecológicas foi pela participação das agentes de saúde, via coordenadora do grupo, Margarete Antunes.

Em pouco tempo, percebeu a grande capacidade dessa nova forma de implementar hortas nas escolas, que além de oferecer o cultivo de alimentos usado na alimentação dos estudantes, também reduzia a produção de lixo.

Além disso, uma em cada três pessoas de Lages muda seus hábitos quando percebe que realizará ações ecologicamente corretas. “É preciso deixar de ter fobia de lixo”, ressalta o professor, que no começo precisava escolher lugares longe do público, que ainda aprendia como funcionava a compostagem.

Em 2013, o projeto foi contemplado com um recurso da Promotoria do Meio Ambiente, via incentivo do promotor Renee Cardoso Braga, onde recebeu R$ 150 mil. Com isso, o Lixo Orgânico Zero chegou a 107 escolas de Lages, num período de 20 meses.

No ano passado, a equipe do projeto se inscreveu nos editais do Fundo Nacional do Meio Ambiente e Fundo Socioambiental, nos quais foi contemplado com R$ 985 mil. Nesta semana, começam as capacitações e, em seguida, o projeto que pretende abranger 40% da cidade, será colocado em prática.

É intenção, de acordo com Germano, levar 25 bolsistas para os ambientais escolares lageanos e, assim, incentivar que as famílias utilizem a compostagem orgânica dentro de suas casas.

Os benefícios são muitos. O professor explica que, em Lages, gasta-se mensalmente, em média, R$ 600 mil com o recolhimento do lixo. Anualmente, isso significa R$ 8 milhões. 60% deste valor gasto para manutenção dos aterros sanitários é para tratar o lixo orgânico e os outros materiais que são contaminados pelo mesmo.

Caso a cidade passe a lidar com estes resíduos de forma consciente, pode haver economia de até R$ 4 milhões durante o ano. Germano ressalta que é preciso tirar o lixo do circuito tradicional do lixo e em qualquer resíduo que possibilite o crescimento de uma raiz, como é o caso das hortas provenientes da compostagem, deixa de ser resíduo.

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