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População discute assédio contra mulheres, na Câmara de Vereadores

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Plenário ficou praticamente lotado para discutir o problema - Foto: Bega Godóy

Com requerimento da vereadora Aida Hoffer (PSD), a Câmara de Vereadores de Lages realizou, na noite desta quarta-feira (28), audiência pública pelo Fim do Assédio Feminino. O que foi discutido será transformado em um documento, que servirá de parâmetro para o encaminhamento, desenvolvimento de ações e criação de políticas públicas no combate ao assédio, que pode ser físico, psicológico ou moral.

Segundo Aida, a ideia desse encontro foi amadurecida por causa da passagem dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. “O assédio acontece principalmente no transporte público e na rua. A mulher tem que ouvir cantadas, piadinhas e comentários ficando em situação de coação psicológica”, salienta.

A vereadora observa que, inicialmente, a intenção era fazer uma audiência sobre a força de trabalho feminina, empoderamento e a jornada da mulher. Mas ganhou peso com a manifestação de um grupo de acadêmicas do CAV, incomodadas pelo crescimento do assédio nos arredores da instituição. O tema da reunião foi ampliado, sobretudo após a participação das estudantes em uma sessão da Câmara, levantando a necessidade de combater todos os tipos de assédios.

Durante a sessão, o público que quase lotou as 132 cadeiras se manifestou. Como o vice-presidente da Associação de Moradores do Bairro Centenário, Élvio da Silva. “Há relatos de mulheres que sofrem assédio no ônibus e normalmente vindos de estudantes”, garante.

Outra pessoa que não falou mas esteve no plenário é a professora de filosofia e presidente da Associação de Pais e Professores (APP) do Cedup Renato Ramos da Silva, Janete Detoffol. Ela acompanhava algumas alunas de enfermagem e convidados.

“O Cedup tem fomentado o diálogo sobre estas questões, entre o corpo docente e alunos” , explica ao destacar que o momento é crucial, com relação às políticas públicas de conquista e direitos femininos.

Gecal

Para a professora, doutoranda em Educação e pesquisadora do grupo Gênero e Educação na América Latina (Gecal), Jô Antunes, que também esteve presente na sessão, o machismo tem relação direta com os assédios sexuais. “O assédio é um tipo de violência que esta intrinsecamente ligado ao machismo”.

Ela explica que isso começa com o patriarcado, um sistema social em que os homens mantêm o poder, predominantemente em funções de liderança política, autoridade moral, privilegio social, intelectual e controle das propriedade.

Ou seja, o machismo vem dessa mesma crença de que os homens são superiores às mulheres. “E esse machismo mata todos os dias. A cada duas horas uma mulher é morta e a cada 11 minutos uma mulher é estuprada”, alerta. Dessa forma, segundo a professora, há uma tarefa árdua a ser feita, de enfrentamento ao patriarcado e ao machismo. “Avançaremos muito pouco se não tivermos uma mudança de mentalidade e de cultura”.

Segundo a pesquisadora, não basta ficar apenas no campo da polícia ostensiva e da política, deve-se avançar na perspectiva da polícia preventiva e em políticas públicas. “Mas, sobretudo, fazer investimentos forte na educação, na formação e na pesquisa. Mudança de cultura se dá através destes aspectos. Educação e pesquisa”, completa.

Compromisso

A sessão contou com a presença de autoridades como da Polícia Militar, Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso, Secretaria Municipal de Políticas Públicas para Mulher e Assuntos Comunitários, representante do Grupo de Pesquisas, Gerência, Educação e Cidadania na América Latina (Gecal) e da Promotoria de Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra Mulher e Coordenação do Coletivo Feminino do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) e público em geral. O objetivo é envolver toda a sociedade na solução do problema.

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