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Peixes são encontrados mortos no Salto Caveiras

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Os peixes, que podem ser vistos em toda a extensão da barranca do rio na região do Salto, são da espécie cará. Foto: Adecir Morais

Atualizada às 12h49

O cheiro forte denuncia que algo de errado está acontecendo. Dezenas de peixes da espécie cará podem ser encontrados mortos sobre a água ou na barranca do Rio Caveiras, no Salto, em Lages. Os moradores ribeirinhos estão preocupados com a situação, pois temem que a água possa estar contaminada.

O morador Idelfonso Palhano da Silva, conhecido como Bentinho, que possui um bar no Salto, afirma que os peixes começaram a morrer há cerca de um mês e, por conta do risco de contaminação, até os pescadores se afastaram do local.

Bentinho diz acreditar que a mortandade é o resultado do uso de agrotóxicos em lavouras da região. “Está escutando este barulho? São máquinas banhando as lavouras [da região]”, comentou o morador com a reportagem, que esteve no local para verificar a situação.

O secretário Municipal de Meio Ambiente de Lages, Euclides Mecabô, informou que foram colhidas amostras da água para análise, e que a Polícia Militar Ambiental (PMA) de Lages está cuidando do caso. Preliminarmente, constatou-se redução de oxigênio na água, o que pode explicar a mortandade dos peixes.
Em nota enviada pela assessoria de imprensa, a PMA explicou que foram coletadas amostras para análise em três pontos diferentes do rio. Sustentou que os primeiros testes apontaram redução de oxigênio na água, entretanto, argumentou não ser possível saber se isso foi por intervenção humana ou por algo natural.

O órgão informou, ainda, que encaminhou o caso ao Ministério Público para as providências, e que está buscando apoio para realizar testes mais aprofundados para tentar descobrir que tipo de contaminação ou poluição há na água, isso porque não tem recursos para custear tais análises.

 

Rio Caveiras em perigo

 

Não é de hoje que o Rio Caveiras, que abastece toda a cidade de Lages, vem sofrendo com a ação do homem. Em fevereiro do ano passado, o CL publicou reportagem mostrando o avanço da degradação ambiental do local, principalmente entre a ponte da BR-116 e o Salto.

Um levantamento da Celesc, que possui uma usina hidrelétrica no Salto, divulgado na época, apontou que existem 147 construções irregulares em Áreas de Preservação Permanente (APPs) ao longo do alagado da usina. De fato, atualmente, é possível ver edificações praticamente coladas ao alagado da represa. A falta de uma legislação urbanística que contemple o local, ajuda a agravar a situação.

Além do avanço imobiliário, o uso de agrotóxicos em plantações de soja da região também ameaça o Rio Caveiras, isso porque os produtos usados para combater as pragas das lavouras podem parar na água. Outra mazela diz respeito ao fato de parte do esgoto sanitário da cidade ser despejado no rio, sem tratamento.

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