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Parto raro que só acontece em 1% dos casos emociona equipe médica em SC

Parto raro que só acontece em 1% dos casos emociona equipe médica em SC
Parto raro que só acontece em 1% dos casos emociona equipe médica em SC Foto: JDV Nascecom

Em um dos tipos mais raros de nascimento registrados na medicina, dois irmãos vieram ao mundo compartilhando não apenas a placenta, mas também a mesma bolsa amniótica — algo que ocorre em apenas 1% a 2% das gestações gemelares. O parto aconteceu nesta terça-feira (24) em um hospital de Santa Catarina e comoveu a equipe médica.

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O nascimento dos gêmeos no Hospital Jaraguá, em Jaraguá do Sul, Norte do estado, mobilizou profissionais da saúde em um procedimento classificado como de altíssimo risco. Os bebês são do tipo monocoriônicos monoamnióticos, ou seja, dividiram a mesma placenta e a mesma bolsa durante toda a gestação — uma condição extremamente rara e delicada.

A médica Érica Marques, generalista em processo de especialização em ginecologia e obstetrícia, integrou a equipe do parto e descreveu a experiência como emocionante e desafiadora. “É sempre um grande desafio para a equipe médica. Exige monitoramento intensivo, decisões rápidas e muito preparo. Por outro lado, é também emocionante participar de um momento tão raro e especial”, afirmou.

🧬 Entenda por que o caso é tão raro

Segundo a explicação da médica, esse tipo de gestação ocorre quando um único óvulo é fecundado e se divide em dois embriões, tornando os gêmeos idênticos. A depender do momento dessa divisão, os bebês podem ou não compartilhar estruturas como placenta e bolsa amniótica.

Na maioria das gestações gemelares, os irmãos se desenvolvem em placentas separadas, o que representa cerca de 70% a 80% dos casos, conforme dados da FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e do ACOG (Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas).

Outros 20% a 30% compartilham a mesma placenta (monocoriônicos). E, dentro desse grupo, apenas 1% a 2% também dividem a mesma bolsa (monoamnióticos), como ocorreu no caso registrado em Santa Catarina.

Esse tipo de gestação é o mais arriscado entre os casos de gêmeos, devido à extrema proximidade entre os bebês e a possibilidade de entrelaçamento dos cordões umbilicais, o que pode levar a complicações severas.

⚠️ Riscos envolvidos nesse tipo de parto

As gestações monocoriônicas monoamnióticas exigem um nível de acompanhamento médico elevado, já que o risco de complicações aumenta significativamente. Entre os principais desafios estão:

  • Síndrome de transfusão feto-fetal (STFF): desequilíbrio no fluxo de sangue entre os dois bebês;
  • Restrição de crescimento seletiva: quando um dos fetos recebe menos nutrientes que o outro;
  • Entrelaçamento dos cordões umbilicais: risco alto de interrupção do fluxo sanguíneo;
  • Parto prematuro: comum em gestações múltiplas e especialmente nesse tipo de gestação.

👶 Emoção dentro da sala de parto

O momento do nascimento foi marcado por emoção e alívio. A equipe médica celebrou o sucesso da cirurgia e a saúde dos dois bebês.

“Após todo o preparo, o sentimento que fica, com os olhinhos marejados, é de dever cumprido: ver os dois bebês chegarem bem ao mundo, ouvir o primeiro choro, acompanhar a emoção da família. É um momento que marca não só os pais, mas também toda a equipe”, relatou Érica Marques.

Ela também compartilhou uma foto especial segurando os dois recém-nascidos no colo, reforçando o clima de celebração por trás do desafio.

🏥 Estrutura hospitalar faz a diferença

Segundo a médica, um dos pontos que permitiram o sucesso do parto foi a capacidade técnica e estrutural do hospital de Jaraguá do Sul, que conseguiu conduzir uma gestação tão delicada sem a necessidade de transferência para grandes centros médicos.

Esse tipo de atendimento reforça a importância de fortalecer hospitais regionais, como os de Lages, para que possam oferecer suporte completo mesmo em casos fora do padrão. Ter acesso a uma rede de saúde preparada faz toda a diferença para:

  • Garantir segurança à gestante e aos bebês;
  • Evitar deslocamentos de emergência para outras cidades;
  • Valorizar o sistema de saúde pública e privada local;
  • Consolidar hospitais regionais como referência em complexidade.

Como isso impacta sua vida?

Histórias como essa mostram que ter um pré-natal bem feito e acesso a atendimento qualificado próximo de casa pode ser decisivo — especialmente em gestações de alto risco. Para a população da Serra Catarinense, isso reforça a importância de valorizar e fortalecer os serviços de saúde locais, garantindo que momentos raros como esse também possam ser vividos com segurança e emoção por aqui.