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Paralisação mostrou como país depende da rodovia e dos caminhoneiros

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Em Lages, Idaza usa ferrovia para transporte de combustível - Foto: Susana Küster

A paralisação dos caminhoneiros fez os brasileiros perceberem como o país depende desses profissionais. Durante os dias de paralisação, sem o escoamento da produção nacional, faltavam produtos nos supermercados, especialmente, no setor de hortifruti; leite, carne fresca e ovos precisaram ser racionados, boa parte da população ficou sem gás de cozinha; e os postos, sem combustível. As aulas das redes estadual e municipal foram suspensas.

Tudo isso poderia ser evitado se o país tivesse alternativas para o transporte de produtos, como a rede ferroviária, por exemplo. Para se ter uma ideia, cerca de 80% do escoamento da produção do Brasil depende dos caminhoneiros, contra 53% da Austrália, 50% da China, 43% da Rússia e 8% do Canadá, de acordo com dados do Banco Mundial.

Os percentuais de uso das outras redes são: marítima (9,2%), aérea (5,8%), ferroviária (5,4%), cabotagem (3%) e hidroviária (0,7%), de acordo com a pesquisa Custos Logísticos no Brasil, da Fundação Dom Cabral.

Enquanto isso, o uso da rodovia cresce cada vez mais, contribuindo, também, para o crescimento da frota de caminhões. Entre 2001 e 2016, a frota que era de 1,5 milhão foi para 2,6 milhões, um aumento de 73,3%. Sendo que 1,09 milhão de caminhões são de empresas, 554 mil são de autônomos e 23 mil são de cooperativas. Os dados são de 2017, da Confederação Nacional do Transporte.

Privatização

A partir da década de 1990, várias rodovias começaram a ser administradas por empresas particulares, através de concessões. O objetivo era que os valores arrecadados pelos pedágios melhorassem as condições das estradas, como sinalização, manutenção da pavimentação, além de suporte médico e mecânico para os motoristas. Em contrapartida, as ferrovias começaram a ser privatizadas, mas não houve o mesmo investimento como na rede rodoviária.

Lages

A ferrovia que passa pelo município transporta, atualmente, clinquer (matéria-prima do cimento), combustível, e, raramente, soja e milho. Passa pelo trecho de dois a três trens por dia e cerca de 35 funcionários trabalham na base da empresa Rumo Logística, que é atual concessionária em Lages.

Potencial ignorado

Para Paulo Resende, coordenador do núcleo de Logística e Infraestrutura da Fundação Dom Cabral, os governantes brasileiros não investem nas ferrovias ou outro tipo de transporte porque isso não tem impacto eleitoral. Para ele, Essa seria uma das razões, por exemplo, para que o projeto da ferrovia Norte-Sul, que cruzaria o país, nunca tenha saído do papel. “Já viu alguém inaugurar ferrovia rapidamente para ganhar eleição?”, disse à BBC Brasil.

Falta interligação

Além de a questão política impactar na falta de investimentos nas ferrovias, há também outro fator que impede o avanço da rede. As ferrovias do Brasil não são interligadas, pois há vários tipos de bitolas, no mínimo oito variações. Na região sudeste, por exemplo, a bitola é de 1,60 metro e no Rio de Janeiro, tem de 1,10 metro, 1,00 metro e 1,60 metro. Isso foi feito na época de implantação como uma estratégia de segurança para estrangeiros não terem acesso fácil ao país, porém gerou enorme problema à ampliação da rede no país.

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