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Novo valor do diesel ainda não chegou aos postos

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Alexandre vai pagar a última prestação do caminhão em novembro - Foto: Bega Godóy

A Petrobras elevou, na sexta-feira, em 13,03% o preço médio do diesel nas refinarias, passando para R$ 2,2964 por litro, um dia após a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) publicar novos valores de referência para a comercialização do produto. O preço-base do óleo diesel ainda não atingiu a cadeia (refinarias, distribuidoras e postos)

Embora seja o primeiro aumento desde junho, quando os preços do diesel foram congelados a R$ 2,0316 por litro, como parte do acordo oferecido pelo governo para acabar com os protestos de caminhoneiros, o aumento não estava previsto.

O assessor jurídico do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo de Santa Catarina, (Sindipetro), Ciro Stradioto, explica que houve um ajuste do custo do petróleo na refinaria, o barril subiu e, assim, como a gasolina sobe entre 1% e 2%, diariamente. “Não é só uma questão política-econômica do Brasil, é uma situação mundial o petróleo ter aumentado, pois o resto do mundo está neste contexto”, diz.

No entanto, ele observa que o reflexo no Brasil é maior e, por isso, custa mais, quando se considera a desvalorização da moeda brasileira em relação ao dólar. “Os produtos ficam mais caros, o mesmo acontece com a gasolina”, completa. O novo preço é o maior desde os R$ 2,3351 por litro de 23 de maio. Dentro da era de reajustes diários da Petrobras, a máxima foi de R$ 2,3716 por litro, em 22 de maio.

Sem aventuras

O caminhoneiro, Alexandre Tolentino, de 48 anos, não gostou da previsão de aumento. Ele está contando os dias para terminar de pagar o financiamento que fez para adquirir o seu Wolkswagem 9115 3,4. Quando fez o negócio, há quase três anos, achou vantajoso, hoje, já tem dúvidas. “Não dá para ficar rico. Dá para sustentar minha filha e esposa”.

O paulista de Jundiaí é dono de uma empresa de entrega de materiais, a ALX, trabalho realizado com utilitários somente dentro de São Paulo. O caminhão, comprou para viagens longas, fora do Estado. Não se arrependeu, mas já decidiu: não vai mais aventurar. “Ótimo não está, mas melhorou um pouco”, diz ele.

O motorista disse que apesar da implantação, por parte do Governo Federal, da tabela nacional de fretes, nem todas as transportadoras respeitam e qualquer aumento do diesel causa turbulência. “Às vezes, temos que nos sujeitar a valores menores. Tem de haver fiscalização”, explica ele que levou componentes eletrônicos para Caxias e, provavelmente, deva carregar em Itajaí.

Aumento esperado

Para o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Estado de Santa Catarina (Sindicam/SC) e da Federação dos Caminhoneiro Autônomos de Santa Catarina (Fecam/SC), Francisco Biazoto, o reajuste é justo. “Ficou congelado por 90 dias. É lógico que iria ser reajustado por causa do aumento do dólar”, assegura.

Segundo ele, o aumento será sentido lá na ponta, na mesa do consumidor e não será de imediato. “Quem paga mais, somos nós o consumidores finais”, salienta.

Biazoto garante que a tabela nacional de fretes sofrerá reajustes. “Não dá para comprar caminhão, mas com essa tabela dá, ao menos, para se manter na profissão”, pondera. A tabela ainda tem itens em discussão, como tipo de carga, se líquida, perigosa ou até de valor alto. “Antes, o frete era negociável, mas o motorista saia perdendo quase sempre. Hoje, com o frete de retorno estabelecido dá mais tranquilidade ao transportador”, resume.

Como fica

O combustível mais consumido no país terá alta de mais de 14%, a depender da região. Já considerando-se o desconto de 30 centavos por litro previsto no programa de subvenção, o preço de comercialização do diesel subirá 14,4% no Centro-Oeste, para R$ 2,4094 por litro. No Sudeste, o avanço será de 10,55%, para R$ 2,3277 por litro.

No Nordeste, incluindo Tocantins, o valor foi a R$ 2,2592 por litro, alta de 12,6%, enquanto no Norte, o aumento é de 12,5%, para R$ 2,2281. Por fim, no Sul, a ANP relatou alta de 13,1%, para R$ 2,3143 por litro no preço de comercialização. Os reajustes ocorrem diante do aumento nos preços internacionais do diesel e no câmbio.

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