A noite desta quarta-feira, 21 de janeiro, no Festival de Música de Santa Catarina (Femusc), será marcada por uma apresentação que sintetiza o espírito do evento: a formação musical construída a partir do encontro contínuo entre professores e alunos, tanto nos ensaios quanto no palco. O Grande Teatro da SCAR recebe, às 20h30, mais uma edição da série Grandes Concertos, reunindo intérpretes, docentes e repertório de grande relevância histórica.
Notícias de Lages no seu WhatsApp
Fique por dentro de tudo o que acontece na cidade e região
Piano, orquestra e obras emblemáticas no programa
O concerto tem como ponto central o Concerto para Piano e Orquestra, de Aram Khachaturian, interpretado pelo pianista brasileiro Alexandre Dossin, acompanhado pela Orquestra de Professores do Femusc. A programação inclui ainda a execução da suíte “Romeu e Julieta”, de Sergei Prokofiev, obra que figura entre os grandes marcos da música sinfônica do século XX.
Uma obra que acompanha o solista desde a juventude
Para Alexandre Dossin, a relação com o concerto de Khachaturian atravessa décadas e carrega um significado pessoal. “Conheci esse concerto ainda adolescente, quando morava no Brasil. Foi uma das primeiras partituras que comprei na vida, numa época em que as partituras eram caras e era preciso escolher muito bem. A edição que uso até hoje é aquela que comprei ainda jovem”, relembra.
Embora tenha estudado a obra desde cedo, a primeira execução aconteceu anos depois, durante um concurso na Europa. Desde então, o pianista passou a defendê-la de forma recorrente em sua carreira. “É um concerto que merece ser tocado mais. Ele dialoga com os grandes concertos tradicionais, como os de Tchaikovsky, Rachmaninoff, Chopin e Liszt, mas mantém uma identidade própria. Por isso, fiquei muito feliz quando o Alex Klein topou a ideia de fazermos essa obra aqui em Jaraguá do Sul, com a Orquestra de Professores”, afirma.
Orquestra de Professores reforça modelo pedagógico do festival
A presença da Orquestra de Professores no concerto evidencia um dos fundamentos do Femusc: o ensino por meio da prática artística compartilhada. No festival, o aprendizado não se limita às salas de aula, mas se estende aos palcos, onde professores e alunos constroem juntos a experiência musical.
“Tocar com a Orquestra de Professores é sempre um grande prazer. Todos, alunos e professores, fazem música juntos e participam desse processo cultural e educacional que é um marco do Femusc”, destaca Dossin.
Estreia de Lígia Amadio na regência da Orquestra de Professores
A apresentação desta quarta-feira também marca a estreia da maestra Lígia Amadio à frente da Orquestra de Professores do Femusc. Integrante do corpo docente do festival, ela assume a regência em um momento simbólico de sua trajetória profissional.
“Me sinto muito honrada. É uma alegria, realmente. Fazendo parte do corpo docente do festival e, agora, tendo a oportunidade de reger a orquestra dos professores, é um momento muito especial da minha carreira.” A estreia representa ainda um símbolo da ampliação da presença feminina nos pódios da música erudita no Brasil e no exterior.
Femusc como experiência transformadora
Professor da Universidade de Oregon (EUA), Alexandre Dossin mantém uma relação de longa data com o festival e ressalta o impacto humano e cultural do intercâmbio promovido pelo evento. “O Femusc é um festival que marca e muda vidas. Dividir o palco com professores de diferentes países é sempre especial, pois a música é uma linguagem internacional. Falamos várias línguas nos ensaios, mas o idioma principal aqui é a música, e é por meio dela que compartilhamos emoções com esse público tão caloroso”, resume.
Programação complementar e retirada de ingressos
Além do Grande Concerto, outras apresentações ocorrem ao longo da noite dentro da programação do Femusc. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados na bilheteria da SCAR, das 8h às 20h, ou pelo site femusc.com.br, com limite de dois por pessoa, sempre com liberação 48 horas antes de cada concerto.