O Censo Demográfico 2022, divulgado pelo IBGE, confirma uma tendência cada vez mais forte em Santa Catarina: as mulheres estão tendo menos filhos e em idades mais avançadas. Com média de 1,51 filhos por mulher, o estado registra uma das menores taxas de fecundidade do país e um crescimento expressivo no número de mulheres que decidem não ter filhos.
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Santa Catarina tem uma das menores taxas de fecundidade do Brasil
Entre as 27 unidades da federação, Santa Catarina aparece na sétima posição entre as menores taxas de fecundidade, com média de 1,51 filhos por mulher. Em situação semelhante estão o Rio de Janeiro (1,35) e o Distrito Federal (1,38). Na outra ponta do ranking, estados da Região Norte, como Roraima (2,18) e Amazonas (2,07), lideram os índices de natalidade. A média nacional é de 1,55 filho por mulher.
Mulheres estão engravidando mais tarde
O Censo também mostra que as catarinenses estão entre as brasileiras que mais adiam a maternidade. A idade média para ter o primeiro filho no estado é de 28,69 anos — atrás apenas do Distrito Federal (29,31), Rio Grande do Sul (29,00) e São Paulo (28,94). Nacionalmente, essa média é de 28,1 anos.
Cresce o número de mulheres que optam por não ter filhos
Outra mudança significativa nos hábitos reprodutivos em SC é o aumento do número de mulheres que decidem não ser mães. Em 2010, 8,2% das catarinenses com idade entre 50 e 59 anos não tinham filhos. Doze anos depois, esse número saltou para 12,8%. O padrão acompanha a média nacional, que foi de 11,8% para 16,1% no mesmo intervalo.
Quanto maior a escolaridade, menor a taxa de fecundidade
A relação entre escolaridade e decisões sobre maternidade é clara nos dados do IBGE. Em Santa Catarina, mulheres com ensino médio incompleto têm, em média, 1,91 filhos. Já aquelas com ensino superior completo têm apenas 1,15 filhos. Além disso, o primeiro filho chega mais tarde para quem tem mais anos de estudo: 31,1 anos entre as com ensino superior, contra 27,7 entre as com ensino médio incompleto.
Essa lógica se repete em todo o país. Mulheres com baixo nível de instrução (sem escolaridade ou com fundamental incompleto) têm, em média, 2,1 filhos. Entre as que completaram o ensino superior, a média cai para 1,19 filho. Segundo Izabel Marri, gerente do IBGE, o acesso à informação e aos métodos contraceptivos está diretamente ligado à autonomia reprodutiva: “A mulher com mais escolaridade sabe onde procurar os métodos contraceptivos e faz escolhas mais conscientes”.
Como isso impacta sua vida?
A queda na fecundidade e o adiamento da maternidade têm reflexos profundos na sociedade. As mudanças afetam desde políticas públicas de saúde, educação e planejamento urbano, até projeções econômicas e do mercado de trabalho. Compreender essas transformações é essencial para pensar o futuro das cidades catarinenses — e preparar o estado para um novo perfil populacional.