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Morre catador baleado por bombeiro militar

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Lages, 22/06/2010, Correio Lageano

 


Depois de seis dias hospitalizado, morreu domingo, na UTI do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, Gilmar Antônio Pires de Jesus, 25 anos. Ele foi baleado no pescoço, e o suspeito pelos tiros é o sargento do Corpo de Bombeiros, Paulo Godinho.

 


O crime ocorreu segunda-feira (14) ao meio-dia, no pátio da casa da aposentada Jurema Ramos Pires, 64 anos, mãe da vítima. O disparo atingiu o pescoço de Gilmar que teve rompimento parcial da artéria carótida e perdeu grande quantidade de sangue. Ele recebeu socorro rápido, mas não resistiu à gravidade do ferimento e morreu por volta das 20 horas de domingo.

 


A morte de Gilmar causou revolta e indignação entre familiares. É que ele foi baleado na frente da mãe, mesmo ela tendo implorado ao militar para que não atirasse.

 


Gilmar era casado havia seis anos, com Natália de Jesus Ribeiro, 24 anos. Tinha três filhos. Uma menina de um ano, um menino de três e outra menina de seis anos. Estava desempregado e fazia bicos como catador de material reciclável. Natália está desolada e disse que “nada justificaria o gesto do militar para puxar o gatilho”.

 


Pelo que contou Jurema Pires, seu filho entrou correndo no pátio de sua casa, na rua Farias de Brito, porque estava sendo perseguido por Paulo Godinho e outro homem. Ainda segundo Jurema, eles fecharam o portão e sem muitas palavras Godinho teria puxado o revólver calibre 38 e atirado. “Ele ainda deu um tapa no rosto de meu filho, antes de atirar. Esta cena nunca mais sairá memória”, desabafou a mãe.

 


O militar declarou na Delegacia de Polícia que a arma disparou e que pretendia segurar Gilmar para entregá-lo à polícia, por ter furtado dois botijões de gás e duas chapas de alumínio. Mas, para Natália foi um ato de covardia o que fizeram com seu marido. “Ele podia até ter comedido um erro, mas o sargento não podia ter atirado. Ele não está acima da lei. Além do mais, Gilmar estava dominado e pedindo pelo amor de Deus que não atirasse”, contou.

 


No velório, ontem à tarde, na capela mortuária do bairro Habitação, o clima era de desolação. E a família da vítima não admite que o sargento Godinho continue trabalhando, depois de ter cometido o crime. O comando do Batalhão dos Bombeiros disse aos familiares que o crime ocorreu durante a folga do militar e por isso não poderia ser afastado do trabalho.

 


Os primeiros depoimentos de testemunhas devem ser ouvidos esta semana, pelo delegado Luiz Ângelo. Um inquérito policial foi instaurado.

 

 

Família doou todos os órgãos de Gilmar

 

 

“O Gilmar morreu, mas seus órgãos salvarão outras vidas. Só quero saber no futuro, quem é a pessoa que recebeu o coração de meu filho”. A declaração é de Jurema Pires. Numa atitude inédita na família, eles decidiram doar todos os órgãos de Gilmar ao ser confirmada a morte cerebral. Uma equipe da central de captação se deslocou a Lages de helicóptero para retirar os órgãos.

 


Além do coração, rins, pulmões e fígado, foi autorizada a captação. A ideia foi de uma irmã de Gilmar que também é doadora de órgãos e de sangue. Ela conversou com os pais e entenderam que a vida de Gilmar continuaria em outras pessoas. Só não foi autorizada a captação de ossos e pele. Os demais órgãos foram todos enviados para a central em Florianópolis.

 


A recomendação da família foi que as córneas de Gilmar fossem doadas para uma irmã, de 14 anos que nasceu cega. A menina já passou por duas tentativas de transplante, mas houve rejeição. “Quem sabe agora que é um irmão o doador, pode ser compatível. É nossa esperança”, disse a mãe. A córnea de Gilmar pode ajudar um outro irmão que é deficiente de uma vista.

 

 

Fotos: Deise Ribeiro

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