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Momento é de glória para o cinema lageano

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Armin (E), João, Marcelo e Anne fazem parte do grupo lageano que faz cinema - Fotos: Camila Paes

O cheiro de pipoca no ar remete a um cinema lotado. Em fevereiro deste ano, o Cine Marrocos, em Lages, lotou e vendeu muita pipoca para os espectadores que chegaram a ficar de pé para assistir à produção independente “A Voz da Cidade”. Um marco histórico para o cinema lageano que, ano a ano, cresce cada vez mais. Desde João Amorim, que nos anos de 1980 começou a produzir, dirigir, atuar e escrever filmes feitos em terras lageanas e tem seu público, mesmo que singelo.

Entretanto, a estreia da “Voz da Cidade”, que conta a história do comunicador Carlos Joffre do Amaral, pode ser considerada um divisor de águas. A batalha para chegar até este dia 23 e para os outros que virão, é árdua e requer muito tempo de trabalho e dedicação para que essas produções possam ser exibidas.

A atual luta pelo cinema lageano começou em 2012, como relembra o cineasta Armin D. Reichert. Os interessados por trazer a cena de volta à ativa se reuniram em oficinas de cinema realizadas em Lages e resolveram começaram a produzir. Foi daí que surgiu o curta Errante. E, desde então, a produtora Coração Delator Filmes, que surgiu a partir desta ideia, lançou outros curtas como Minhas Noites em Paris, Edgar e o Mundo Submerso e a Última Chama, este que foi selecionado em quatro festivais internacionais.

Para Armin, que escreve, atua e dirige, a vontade de trabalhar com cinema surgiu quando decidiu que não queria uma arte tão solitária, como escrever poesias, por exemplo. Ele percebe que a produção na cidade não está nichada, e sim, mais para um coletivo, cada um com sua identidade diferente. “O Coletivo Audiovisual Lageano tem evoluído muito e temos que começar a trabalhar na ‘galera’ que quer começar agora”, ressalta.

Apenas da pouca idade, o adolescente João Victor Melo Vieira, 16, já tem experiência de alguns anos. Foi na escola que descobriu um festival de curtas. Mesmo ainda não podendo participar, insistiu na escola para que, ao menos, apresentasse sua produção. Como foi bem recebido pelos espectadores, o colégio mudou a programação e, no ano seguinte, alunos mais novos puderam participar.

João inscreveu o curta Trânsito produzido por ele e amigos e levou sete prêmios no festival. O curta seguinte, chamado Lucky, foi selecionado para o Curta Lages 3ª Mostra de Cinema, além de ser selecionado para o festival nacional My Road Rio. Neste ano, o curta Proscrito foi o vencedor do festival escolar, e selecionado para o Curta Lages 4ª Mostra de Cinema, que aconteceu no sábado (1º), no Teatro do Sesc.

O interesse de João pelo cinema começou cedo, mas foi só com o incentivo dentro da escolas que ele pode finalmente colocar em prática seu talento. Sobre o movimento do cinema em Lages, o jovem acredita que o movimento é mais uma forma de incentivo, principalmente para quem está começando.

João tem 16 anos e filmes que produz são premiados

Representatividade é importante

A gaúcha Anne Salles, antes de se mudar para Lages, primeiro procurou um grupo que falasse de cinema na cidade. A designer decidiu sair de sua cidade natal e trouxe na bagagem, seu amor pelo cinema. Ela sempre quis estudar cinema, mas achava que esta era uma opção muito utópica. Depois da faculdade, passou quatro meses nos Estados Unidos aprendendo na prática sobre produções cinematográficas. Em Lages, encontrou um grupo de pessoas que precisava de seus conhecimentos.

Desde de sua chegada, dirigiu o curta Restos, com uma equipe só de mulheres e está na pré-produção do seu próximo trabalho, no qual também optará por uma equipe feminina. Para Anne, é preciso mais incentivo para mulheres nesta área e despertar ainda mais o interesse. “Temos uma participação bem menor e precisamos fazer com que seja mais natural essa atividade”, ressalta.

O que mais surpreendeu Anne foi que, em Lages, o cinema é mais acessível, principalmente do cinema independente. Ela revela que trabalha em uma produtora em Caxias do Sul e mesmo assim, não tinha tanto contato como tem aqui na cidade. Além disso, o que impressiona Anne é que as universidades fomentam a produção de curtas de qualidade. “Mesmo sem orçamento, o pessoal está unido pela causa e não tem compromisso comercial”, acrescenta.

Para o cineasta Marcelo Machado, um dos seus sonhos é poder mudar o fato de que, para produzir muito do material lançado em Lages, não houve recursos suficientes para pagar o pessoal. “Gostaria muito de mudar isso, trazer para dentro de uma indústria, pequenas empresas, unidas pelo cinema”, ressalta ele, que garante que a movimentação economia das produções é maior do que se vê nas telas.

Visionário, Marcelo é quem colocou “A Voz da Cidade” no mundo e lotou o Cine Marrocos. Foram dois anos de produção, independente e com a ajuda da maioria dos participantes do Coletivo Audiovisual. Além de produzir, montar figurinos, gravar, a equipe também atuava quando necessário. “Trazer o público para dentro do cinema é fácil, o mais importante é a reação das pessoas e isso é o maior pagamento”, acrescenta.

Marcelo sempre gostou de produzir e começou a trabalhar no grupo SCC ainda adolescente. Foi ali que aprendeu muita coisa, o que hoje reflete na conquista de um sonho: poder abrir sua própria produtora. A paixão pelo trabalho é o que move o produtor. “Não sei se é o diferencial, mas é especial”, ressalta.

Filme de Marcelo lotou o Cine Marrocos

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