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Médico duplicava laudos para superfaturar salário

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Coletiva aconteceu segunda à tarde no HTR - Foto: Bega Godóy

Em coletiva, a diretora do Hospital Tereza Ramos, Beatriz Montemezzo, explicou como funcionava o esquema de fraudes do médico radiologista Adair Penso, as providências tomadas e os prejuízos causados por ele.

O médico que tinha dois vínculos empregatício e ainda sobreaviso com o hospital foi admitido em novembro de 2013, época em que ganhava pouco mais de R$ 5 mil, porém com o golpe, chegou a ganhar em um mês R$ 61 mil.

Ele duplicava os laudos de raio x e ressonância, tinha acesso  (senha e login) ao sistema Micromed, utilizado pelos 12 hospitais estaduais. E segundo levantamento dos 41 meses investigados, em apenas sete ele não adulterou o sistema, um esquema que perdurou entre 2015 a junho deste ano, quando o golpe foi descoberto. Penso causou um prejuízo de cerca de  R$ 180 mil.

Em 2014 o hospital, que é subordinado à Secretaria de Saúde do Estado, implantou o sistema de produção, começando a pagar no ano seguinte. O médico radiologista percebeu a fragilidade do sistema, pois viu uma brecha para atingir a meta mensal, que era no valor de R$12.500 por vínculo empregatício. Para ampliar os valores, ele inseria o mesmo laudo mais de uma vez no sistema e mudava apenas as datas. Inclusive fez isso quando os aparelhos estavam estragados.

“A situação deste médico provocou um prejuízo aos cofres públicos do Estado e não interferiu nos laudos dos pacientes.  Os pacientes devem ficar tranquilos e não há a necessidade de fazer novos exames. Os laudos originais estão preservados dentro do prontuário de cada um. O hospital mantém a sua credibilidade em relação aos laudos e toda a equipes que faz parte do corpo clínico”, disse Beatriz Montemezzo.

A coletiva aconteceu segunda-feira (5) à tarde e foi motivada pelas denúncias do repórter da Rádio Clube de Lages, Daniel Goulart, que fez entrevista com pacientes na manhã do mesmo dia. Daniel contou que as suspeitas começaram em função de reclamações dos ouvintes, no que se referia a demora de entrega dos laudos.

“As reclamações foram aumentando e sustentavam que o médico que dava os laudos tinha esquema. Investiguei  fiz pedido na ouvidoria do Estado para saber porque o médico se exonerou e descobri que o HTR já o havia denunciado” explica o repórter que investigou por seis meses reunindo provas contra o médico. “Posso garantir que foram mais de 1.500 pessoas que tiveram o laudo duplicado”, assegura.

A diretora do Hospital Tereza Ramos, Beatriz Montemezzo, disse que a fraude só foi descoberta porque o médico  reclamou do não recebimento do sobreaviso e, fazendo um levantamento, veio à tona o esquema, uma vez que o médico registrava laudos quando os aparelhos de tomografia e raio x estavam sem funcionar.

Ela contou que o caso nem passou pela Agência de Desenvolvimento Regional (ADR), foi direto para a Secretaria de Saúde do Estado. Um processo administrativo foi aberto e que o médico se antecipou pedindo a exoneração. O processo está tramitando e ao se conhecer o montante desviado, o médico será processado para devolvê-lo.

Beatriz  disse que, por meio de processo seletivo, já contratou dois médicos para assumirem o lugar do fraudador. Ainda segundo ela, o sistema de cotas  (liberação de exames) não foi afetado no período no qual o médico praticava a duplicação. O Correio Lageano não conseguiu contato com o médico Adair Penso.

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