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Lula e Erdogan defendem acordo com Irã e criticam potências

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Brasília, 27/05/2010 (EFE)

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, voltaram nesta quinta-feira a defender o acordo que conseguiram com o Irã e exigiram das grandes potências que decidam entre "construir a paz ou construir conflitos".
 

 

Lula e Erdogan se reuniram hoje em Brasília e analisaram a cética reação das grandes potências, lideradas pelos Estados Unidos, sobre o acordo que alcançaram em 17 de maio, em Teerã, com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.
 

 

Segundo o acordo, que para os EUA está repleto de lacunas, o Irã se compromete a entregar à Turquia 1,2 tonelada de urânio enriquecido a 3,5% para, um ano, depois receber 20 quilos a 20%.
Em entrevista coletiva ao lado de Erdogan, Lula foi enfático ao dizer que o acordo era justamente o que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tentou negociar em outubro passado, mas não conseguiu, e que está muito perto do que Washington pediu em carta dirigida aos dois em abril passado.
 

 

"Por que não aceitam agora o que está no documento?" questionou Lula, sem mencionar o presidente dos EUA, Barack Obama, que teria assinado a citada carta.
O presidente lembrou que foi estabelecido um prazo de sete dias para que o Governo iraniano apresentasse o texto perante AIEA e que isso foi cumprido.
 

 

Também disse que o acordo aponta que o Irã entregará à Turquia seu urânio a 3,5% em um prazo de 30 dias, que ainda não venceu.
 

 

Sobre essa base, tanto Lula como Erdogan sublinharam que o Irã "está cumprindo" o acordado e que agora há de se tentar retomar as negociações, o que consideraram "difícil" perante a insistência dos EUA e de outras potências em avançar com as sanções no Conselho de Segurança da ONU.
 

 

Segundo Lula, após o acordo de Teerã "é necessário arejar a cabeça dos negociadores" para que pensem "na paz e não na guerra", pois "com truculência" e ameaças de "sanções" não se irá por um bom caminho.
 

 

O presidente apontou que Brasil e Turquia demonstraram ao Irã a importância de negociar e que, agora, os países que desconfiam do acordo devem decidir se querem construir a "paz ou conflitos".
Já Erdogan afirmou que Brasil e Turquia agiram sem pedir permissão a ninguém, em sua condição de membros não-permanentes do Conselho de Segurança da ONU e com a convicção de que é melhor trabalhar pela paz do que acentuar as diferenças.
 

 

O primeiro-ministro turco também ressaltou que, no momento, não há espaço para sanções, alegando que O Irã cumprirá o acordado, e disse que junto a Lula seguirá "com o esforço até o fim", pois "a única forma de servir à paz mundial é com tais iniciativas".
Após o encontro em Brasília, os dois líderes viajaram para o Rio de Janeiro, onde participarão amanhã do terceiro fórum da Aliança de Civilizações.
 

 

O encontro conta também com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que, em entrevista coletiva no Rio, declarou hoje que o Irã ainda não deixou claro que seu programa nuclear tem objetivos exclusivamente pacíficos e não-militares.
 

 

Embora tenha elogiado os esforços de Brasil e Turquia, Ban declarou que o Irã ainda deve ajudar a gerar confiança para uma possível retomada das negociações e impedir que se chegue às sanções.
 

 

"O Irã declarou que continuará enriquecendo urânio a 20%, o que causa grande preocupação na comunidade internacional", afirmou Ban.

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