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Investimentos na Serra se concentram em Lages e Correia Pinto

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Empresa Vemar Máquinas, hoje, funciona em um barracão na Área Industrial de Lages - Fotos: Susana Küster

São poucos os municípios da Serra Catarinense que estão recebendo investimentos de empresas de grande porte. O Correio Lageano entrou em contato com os 18 municípios que fazem parte da Associação dos Municípios da Região Serrana (Amures), e constatou que alguns não possuem nenhuma empresa se instalando ou em processo de implementação.

Outros não deram retorno aos telefonemas do CL. Nessa pesquisa, se destacam Lages e Correia Pinto, com investimentos no setor madeireiro e cooperativista. Confira, a seguir, o levantamento. A pesquisa foi realizada diretamente com as administrações municipais. Assim, outros investimentos podem estar ocorrendo sem o conhecimento das prefeituras, ou em municípios que não responderam a nossa reportagem.

Lages

Fase de projetos

A indústria madeireira M7 comprou um terreno de 40 mil metros quadrados na Área Industrial do município e tem previsão de começar a construção neste ano. Por enquanto, os trâmites estão nos projetos.

Estão previstos cerca de 300 empregos diretos que farão produtos, em sua grande parte, para a exportação. O investimento é de cerca de R$ 20 milhões. Segundo informações da empresa, falta a prefeitura fazer a terraplanagem, prevista para iniciar neste mês. Depois disso, se inicia a obra e, após seis meses, a ideia é a empresa começar a operar.

Fase de construção

Com um investimento de R$ 300 mil reais e, uma produção estimada de 80 mil toneladas de molas de grampos por mês, a Vemar Máquinas e Manutenção hoje está construindo uma nova estrutura na Área Industrial. A produção é vendida para oito parceiros, distribuídos em vários Estados do país, como Bahia, Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, entre outros. O empresário Everaldo Imhos, conta que possui máquinas paradas porque não possui energia suficiente no barracão.

“Estamos saindo de uma área de 450 metros para 684 metros de área construída e a ideia é fazer outro barracão, pois o terreno possui quase 4 mil metros”. A previsão é que a nova estrutura seja inaugurada este ano e empregue mais 10 pessoas, totalizando 20 funcionários. A empresa, hoje, funciona 24 horas e, às vezes, nos fins de semana.

Fase de projetos

A Berneck tem um investimento de R$ 800 milhões com geração de 600 empregos diretos e 1 mil indiretos. Com um terreno de 800 mil metros quadrados, terá 100 mil m² de área construída às margens da BR-116, próximo a ponte sobre o Rio Caveiras, e já mostra a dimensão do empreendimento.

Em outubro, está programada a execução da terraplanagem e os encaminhamentos para o projeto de licenciamento ambiental começaram. A fábrica possibilitará R$ 650 mil por mês em retorno do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) aos cofres de Lages.

A previsão é de que a fábrica comece a operar no final de 2020 e se estima uma produção de 1 milhão de metros cúbicos por ano de madeira serrada e MDF, sendo que cerca de 40% será para a exportação. De acordo com o gerente de Desenvolvimento Econômico de Lages, Amauri Bacci, a fábrica produzirá 25% a mais do que a unidade de Curitibanos. “Eles querem contratar funcionários daqui para construir e trabalhar na empresa”. Essa é a primeira fase de implantação, embora o planejamento seja para dobrar os números em uma ampliação.

Fase de licenças

A Copercampos investirá em uma nova unidade de armazenagem de grãos na comunidade de São Jorge, na Coxilha Rica, em Lages. O asfalto que está sendo feito nessa região foi um dos fatores que atraiu a nova unidade.

Em fase de obtenção de licenças para início das obras, a cooperativa deve iniciar a construção dos silos, moega de recebimento, secadores, balança, escritório e residência ainda em 2018. O investimento nesta unidade é superior a R$ 8,2 milhões e vai atender os produtores rurais que estão abrindo áreas de pastagens para produção de grãos.

A Copercampos conta, hoje, com 33 unidades de armazenagem de grãos em municípios de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A capacidade estática de armazenagem da cooperativa é de 720 toneladas de cereais. A cooperativa teve na safra 2016/2017 um recebimento de mais de 12,6 milhões de sacos de 60 quilos. O setor de armazenagem de grãos corresponde por 44,5% da movimentação econômica da cooperativa, que faturou em 2017, mais de 1,3 bilhão.

Fase de terraplanagem

A segunda loja da Havan, na cidade, fica às margens da BR-282 e possuirá 7 mil metros quadrados. A expectativa é de que a loja inaugure em novembro e gere 200 novos postos de trabalho. As obras possuem investimento de cerca de R$ 30 milhões.

Em entrevista concedida em abril, para o Correio Lageano, o dono da Havan, Luciano Hang, que já possuiu 100 filiais em todo o País e pretende dobrar esse número nos próximos quatro anos, anunciou que Lages receberá uma Havan maior e melhor. Ele ressaltou que a cidade tem o 10º melhor faturamento da empresa.

Terraplanagem onde será construída a Havan

Fase de licenças

Cerca de 250 funcionários diretos e prevista para abrir em dezembro deste ano, o Fort Atacadista deve investir na sua filial lageana, R$ 30 milhões, na Avenida Belisário Ramos, perto da Casa Colibri.

A previsão é de que nos próximos 15 dias se comece a terraplanagem, enquanto a empresa aguarda a expedição de licenças por parte da prefeitura. Na modalidade de atacado e varejo, deverá oferecer mais de 8 mil itens, entre alimentos, bebidas, perecíveis, perfumaria e limpeza, além de um catálogo em açougue e farmácia. A área de 21 mil m² contemplará um prédio de 10 mil m².

Terreno onde será o atacado fica na Avenida Belisário Ramos

Palmeira

Fase de projetos

A empresa Cravil, tem previsão de começar as obras em outubro de 2018 e gerar 10 empregos. O terreno em que a empresa pretende se instalar possui 20 mil metros quadrados e fica na Estrada Geral de São Sebastião do Canoas. A Cravil fará o beneficiamento, a secagem e o armazenamento de grãos. O investimento será de R$ 4 milhões.

Fase de projetos

A Madeireira Pitz tem previsão para começar as obras em dezembro deste ano e produzirá tábuas para caixaria e exportação. O investimento inicial será de R$ 700 mil e a empresa pretende se instalar em um terreno de 24 mil metros quadrados, localizado na Estrada Geral de São Sebastião do Canoas, também. A área construída será de 250 mil m² e a empresa irá gerar oito empregos diretos.

Cerro Negro

Obra concluída

A unidade da Copercampos de Cerro Negro, inaugurada em 2016, recebeu novos investimentos neste ano. O local tinha espaço de armazenagem para 240 mil sacos e um silo com capacidade de 100 mil sacos foi construído, ampliando o espaço para 340 mil sacos de 60 quilos. O investimento de mais de R$ 1,2 milhão vai atender a demanda de armazenagem dos produtores rurais, que antes tinham de depositar a produção nas unidades de Anita Garibaldi e Campo Belo do Sul.

Cooperativa em Cerro Negro recebeu investimento de mais de R$ 1,2 milhão – Foto: Divulgação

Correia Pinto

Fase de construção

A empresa Madeserra está investindo cerca de R$ 10 milhões e vai gerar em torno de 100 empregos diretos, fora os indiretos, segundo o secretário de Obras, Agricultura, Indústria e Comércio, José Carlos Marian.

O empreendimento fará madeira serrada para exportação, sendo que cerca de 10 mil toneladas de toras de pinus por mês serão processadas. A construção é feita em uma nova Área Industrial do município. “Vai gerar 4 mil metros cúbicos de madeira serrada por mês e a matéria-prima vem daqui e de outras cidades da região”, frisa o secretário.

A previsão é de que a fábrica comece a operar em novembro deste ano. A Madeserra já possui unidades em Santa Cecília, e na Fazenda Rio Grande, no Paraná. “Só esta empresa vai movimentar por ano, cerca de R$ 30 milhões com exportações de chapas laminadas e paletes, além de gerar em torno de 130 novos empregos”, informa o prefeito, Celso Rogério Alves Ribeiro.

O terreno de 29 mil metros quadrados foi doado pela prefeitura, e só o galpão onde será instalada a caldeira terá 800 m². A caldeira já chegou no local e possui capacidade de secagem de oito mil metros cúbicos de madeira. A área total edificada pela empresa deve superar 2 mil m².

Madeserra vai gerar cerca de 100 empregos diretos – Foto: Prefeitura de Correia Pinto/ Divulgação

Fase de construção

Outra empresa que está investindo na cidade também é do ramo madeireiro. É a Global Exportação, que pertence a chineses que irão investir cerca de R$ 15 milhões, gerando em torno de 200 empregos diretos. A fábrica está em construção e tem previsão para abrir em novembro deste ano, também.

A estimativa é processar 20 mil toneladas de toras por mês, o que irá gerar 10 mil metros cúbicos de madeira pronta. “Todo o equipamento deles para construir e fabricar está vindo através de containers. A produção irá para a China, Europa e Estados Unidos”, diz o secretário Marian.

Ele afirma que o pinus é o ouro verde da cidade, pois agrega valor e as florestas possuem um alto desenvolvimento. “Devido ao melhoramento genético, o pinus daqui cresce em 18 anos, sendo que nos outros locais leva até 50 anos”. Essa rapidez no corte atrai indústrias que buscam agilidade para expandir os negócios.

Há outras duas empresas em negociação para se instalar no município. “O prefeito Celso fez os contatos e conseguimos viabilizar a instalação dessas duas. Acreditamos que logo virão mais”.

Obra concluída

Os investimentos na ampliação da unidade da Copercampos de Correia Pinto foi de R$ 1,2 milhão. Foi construído um novo silo de armazenagem, com capacidade para 100 mil sacos de 60 quilos. A capacidade estática da unidade é hoje de 340 mil sacos de 60 quilos.

Rio Rufino

Obra concluída

A empresa Erva Mate Serrana concluiu a obra de 820 metros quadrados no município e começou há, mais ou menos, um mês a operar. Trabalham no local quatro funcionários, mas a empresa gera trabalho indireto para 30 pessoas. O secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Paulo Nunes, afirma que foram investidos R$ 2 milhões no local. O terreno possui 3,6 mil m². A produção da fábrica é de 25 toneladas por mês.

Foto: Divulgação

Sem dados ou Investimentos

Os municípios de Bocaina do Sul, Otacílio Costa, Ponte Alta, São Joaquim, Urubici e Urupema informaram que não possuem nenhum investimento de empresas em andamento. As cidades de Bom Jardim da Serra, Bom Retiro, Campo Belo do Sul, Capão Alto, Painel e São José do Cerrito não passaram dados até o fechamento dessa edição.

Em Anita Garibaldi, pediram 15 dias de prazo para retorno, alegando falta de estrutura devido a cassação do prefeito João Cidinei da Silva (PR). O CL deu o prazo de quatro dias para todos retornarem as informações.

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