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Interdição frustra passeio de turistas na Serra do Rio do Rastro

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Serra do Rio do Rastro está interditada desde segunda-feira. Fotos: Andressa Ramos

Nidia, 52 anos, e Santiago, 50 anos, conhecidos como Cérebro e Pinky, são apaixonados por viajar e conhecer lugares com sua motocicleta. Casados há cinco anos, já percorreram diversos quilômetros por Santa Catarina. Neste ano, planejaram sair de Posadas, na Argentina para conhecer a imponente e famosa Serra do Rio do Rastro na Serra Catarinense. Foi em um vídeo no Facebook que Nidia viu a beleza da Serra. Saíram da cidade natal na sexta-feira (1º) e depois de pouco mais de 800 quilômetros chegaram em Santa Catarina, onde foram explorar outros caminhos antes do último e tão esperado destino.

Estiveram na Serra do Corvo Branco, que apesar de bloqueada, conseguiram passar. Neste ponto, conheceram o casal Paulo, 55 anos e Luceline, 57 anos, que vieram de Assis, em São Paulo também para conhecer a Serra do Rio do Rastro. De lá, se hospedaram em Urubici e, na manhã desta quinta-feira (7), decidiram ir ao ponto planejado há meses.

Mas ao chegarem no posto da Polícia Militar Rodoviária se depararam com uma placa amarela “Atenção, rodovia interditada”. O que havia sido pensado desde o ano passado foi interrompido. Puderem conhecer a Serra, apenas do Mirante. É a primeira viagem interestadual de Paulo e Luceline. O planejamento era descer a rodovia e seguir para casa. Já o casal argentino tinha como destino Curitiba e depois Posadas.

Os dois casais tiveram que mudar a rota para a BR-282, isso porque a Serra do Rio do Rastro foi interditada na noite de segunda-feira (4) e a previsão de liberação é somente para o início da próxima semana. Alguns trechos da rodovia precisam de reparos.

Turistas de São Paulo e Argentina foram pegos de surpresa, pois não sabiam da interdição.

Liberação ficará só para semana que vem

 

O Correio Lageano, conduzido pelo comandante da Polícia Militar Rodoviária (PMRv) de Bom Jardim, 3º Sgt, William Bonetti, desceu nos dois pontos que foram sinalizados pelo Deinfra para a recuperação. Na primeira parte, a pista que havia cedido foi recuperada com uma camada de asfalto, a segunda parte está sinalizada com cones e faixas zebradas, a mureta está caindo e na pista há rachaduras. Em todo o trecho percorrido é possível perceber que, na verdade, boa parte do caminho precisaria de um reparo, desníveis e rachaduras são comuns.

Durante o monitoramento de rotina, na última segunda-feira, realizado pela Polícia Militar Rodoviária (PMRv), foi constatado a evolução de rachaduras na pista de rolamento. Da mesma forma, uma mureta de proteção lateral e a encosta, abaixo dela, ameaçam cair sobre a pista inferior. O bloqueio do tráfego ocorre entre os postos da PMRv na localidade de Guatá, em Lauro Muller, até o de Bom Jardim da Serra.

O engenheiro civil do Deinfra, Carlos Augusto Rogério, explica que foram liberados de forma emergencial R$ 200 mil para a manutenção da Serra. De imediato pequenas correções estão sendo feitas para liberação da rodovia que está prevista para semana que vem. Além disso, no ano passado foram liberados R$19 milhões para obras de contenção ao longo da via. A licitação está em fase de finalização, mas não há previsão de quando a construção possa começar.  

Rachaduras e desníveis são visíveis em várias partes da Serra.

 

Rodovia parada causa prejuízos

 

Mas não foram somente os turistas os prejudicados pela interdição da Serra, a rede hoteleira e de restaurantes já sente o impacto em apenas três dias.  As artesãs do mirante percebem um certo impacto de queda nas vendas, mas comentam que não podem afirmar que a causa total é devido a interdição, pois é comum nesta época de volta às aulas a diminuição de movimento acontecer.

O proprietário do Empório Aparados da Serra, que fica às margens SC-390, Julio Fernando Regis, comenta que há muito tempo é falado sobre os riscos da Serra do Rio do Rastro, ele culpa os caminhões que trafegam no trecho com cargas e tamanhos acima do permitido. Apesar disso, ele espera que os valores liberados sejam utilizados para a reestruturação, contenção e reparos e que tudo seja feito o mais rápido possível, afinal o turismo tem aumentado a cada ano e os proprietários estão investindo muito mais em pousadas e outros ramos.

O movimento só não despencou 100% na Tenda da Lili graças aos moradores de Bom Jardim da Serra, que também compram no estabelecimento, mas, mesmo assim, as vendas estão baixas. O medo de Ana Paula Vicente Santos que trabalha no comércio é de que os produtos perecíveis comecem a estragar e a interdição se resulte em mais prejuízos.

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