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Insegurança toma conta da população de São Joaquim

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Via de regra, cidades do interior são conhecidas, Brasil afora, por serem pacatas e seguras. Portas destrancadas, carros sem alarme e janelas abertas, mesmo durante a noite, são comuns em cidades pequenas onde, geralmente, quase todos os moradores se conhecem. Na contramão desta tendência está o município de São Joaquim, na Serra Catarinense.

Apesar de ter pouco mais de 25 mil habitantes, a permanente sensação de insegurança e os registros de ocorrências policiais se assemelham aos de cidades grandes, deixando a população em alerta e com medo. Grades nas janelas (e às vezes nas portas), portões altos e câmeras de segurança nas casas e prédios, normalmente vistos em grandes centros, compõem o visual da pequena São Joaquim.

Os registros de assaltos e arrombamentos ou brigas em via pública têm sido frequentes. Quase todo mundo já passou por alguma destas situações ou conhece quem foi vítima. A advogada Cristiane Nunes Nesi, 37 anos, foi vítima de dois arrombamentos, um na casa e outro no escritório, em um período de dois anos.

O mais recente foi o arrombamento da sua casa, que aconteceu no dia 24 de dezembro do ano passado. Ela e a família saíram para almoçar, por volta das 11h50. Quando retornaram, perto das 15 horas, encontraram a casa arrombada e toda revirada. “Percebi que tinham entrado pela janela do banheiro e que levaram vários objetos eletrônicos e também uma quantia em dinheiro. Depois disso coloquei grade na janela do banheiro”, conta.

O primeiro assalto aconteceu há três anos, quando seu escritório foi arrombado. A ação dos bandidos foi semelhante, pois deixaram o estabelecimento revirado e levaram o dinheiro que encontraram no local. Além dos dois arrombamentos, há alguns anos um familiar foi assassinado enquanto tentava separar uma briga.

“A situação está muito complicada. Numa cidade tão pequena parece que não tem segurança mesmo, pois qualquer descuido da gente pode ser determinante para levar um prejuízo. Tenho uma filha adolescente e a segurança dela me deixa muito preocupada, porque ela fica bastante em casa e parece que nem lá está segura”.

 

Ocorrências mesmo nas proximidades da PM

O frentista Elizandro Goulart, 37 anos, geralmente chega ao posto onde trabalha por volta das 6 horas da manhã. Há algumas semanas, quando estava abrindo o estabelecimento, se deparou com a lanchonete em frente ao posto com a porta arrombada.

Com medo de entrar no local, pois não sabia se os malfeitores ainda estavam lá, acionou a polícia enquanto seu patrão avisava aos proprietários. Ele trabalha há um ano e dois meses no local e garante que neste período já aconteceram, nas redondezas, mais ocorrências policiais que o comum.

“Todo dia é uma coisa diferente. A gente trabalha direto com dinheiro e chega gente de todo tipo aqui no posto. Nós temos uma faca pra se defender, porque a gente não sabe da índole das pessoas”, afirma. O posto onde Elizandro trabalha e a lanchonete arrombada ficam a poucos metros da sede da Polícia Militar em São Joaquim e, para ele, isso demonstra o quanto os assaltantes foram audaciosos.

Adriana Pereira, 24 anos, é atendente na lanchonete que foi arrombada. De lá levaram uma televisão, máquina de bebidas, cafeteira e até mesmo alguns salgados que estavam prontos para serem vendidos. “A gente tem medo até de andar na rua, anda sempre se cuidando, porque não tem um dia que não aconteça uma coisa dessa. Tem pessoas que entram [na lanchonete] e a gente nota o jeito e fica preocupada, principalmente se é mau encarado”, conta.

Mesmo quem nunca foi vítima quer se proteger

A sensação de insegurança é tamanha, que até quem nunca foi vítima de nenhuma ação criminosa sente que precisa se proteger, mesmo sem saber exatamente do que ou de quem. O aposentado Misael José de Lira, 73 anos, mora com a filha e o genro. Na casa deles os portões são altos e há grades em todas as janelas.

“Graças a Deus nunca aconteceu nada com a minha família, mas a gente precisa sempre se prevenir. Tanto que estamos pensando em instalar câmeras de segurança e alarme. Já tem grades nas janelas e a minha filha quase nunca abre elas, só quando precisa limpar os vidros”, relata.

A advogada Taise de Haro, 30 anos, conta que, devido aos registros e notícias de ocorrências, evita até mesmo sair de casa à noite. “A gente sai e fica com medo de voltar e ter acontecido algo. Lá em casa a porta não fica mais destrancada nem durante o dia, isso que eu moro em apartamento”, afirma.

Até agora, nada aconteceu com ela, nem com sua casa, porém, o sítio do sogro da advogada, que fica há cinco quilômetros da cidade, já foi arrombado. Na ocasião, bandidos levaram móveis e equipamentos de trabalho.

Violência Contra a Mulher*

Ano 2016 Ano 2017 Ano 2018 (até maio)

Estupro consumado 8 13 6

Estupro tentado 5 9 2

Lesão Corporal dolosa 78 133 47

Roubo 20 14 6

*não contabiliza registros de violência doméstica

 

Outros crimes

Ano 2016 Ano 2017 Ano 2018 (até maio)

Homicídio Doloso 7 4 1

Estelionato 58 59 20

Furto 536 470 150

Furto de Veículo 41 39 5

Lesão Corporal Dolosa 162 231 94

Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido 10 5 7

Posse irregular de arma de fogo de uso permitido 9 6 2

Receptação 12 18 12

Roubo 48 46 16

Roubo de veículos 3 3 0

Tráfico de drogas 25 24 17

 

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