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Guilherme, soldado do Exército, sonhava em ser mecânico na instituição

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Foto: Arquivo Pessoal/ Divulgação

“Hoje não estou triste e, muito pelo contrário, só quero fazer todo mundo ver da pior forma um sentimento de indignação vivido por muitos, mas expressado por poucos”. As palavras são do jovem Guilherme Cruz Wenningkamp, 19 anos, soldado do Exército que sonhava em ser mecânico. Os depoimentos sobre ele, de amigos da Serra e de Fraiburgo, sua cidade natal, não deixam dúvidas, era querido por todos.

Guilherme enviou o texto para um amigo, pelo WhatsApp, pouco antes de, com um fuzil, possivelmente ter cometido suicídio. Ele estava em serviço de guarda no quartel do 1º Batalhão Ferroviário de Lages e foi encontrado morto com ferimento na cabeça, na noite de segunda-feira (9). O amigo disse, nas redes sociais, que não imaginava que aquela conversa era um despedida.

Fabiano Antonio de Souza, foi professor de Guilherme no Senai e conta que no ano passado, das quatro vezes que esteve em Fraiburgo visitando a família, em três esteve na escola para rever professores.

“Fomos pegos de surpresa, era um aluno dedicado, o seu sonho era trabalhar como mecânico no Exército, ninguém imaginava que isso poderia acontecer,” lamenta. Segundo o professor, ele chegou a comentar sobre a prisão por ter fugido para ir no velório da tia, apesar de chateado, não parecia abalado. “Éramos amigos, estou muito abalado”, disse.

A auxiliar administrativa do Senai de Fraiburgo, Eluza Oliveira, também conhecia Guilherme. “Era nosso aluno modelo, estudou muitos anos conosco, chegou a gravar um vídeo para o Senai incentivando outros jovens a estudarem”, conta.

Foi menor aprendiz, fez curso de mecânica e depois se matriculou para eletromecânica. Como foi para Lages por conta do Exército, trancou a matrícula. Na terça (10), os alunos foram dispensados para irem ao velório, que aconteceu na cidade do Meio Oeste.

De acordo com nota enviada pelo Batalhão, há indícios de que Guilherme tenha cometido suicídio, entretanto, um inquérito policial militar foi instaurado para investigar o caso. A mensagem deixada por ele, fala de agradecimento a familiares e amigos, tristeza pelas humilhações sofridas e denúncias sobre roubo na instituição.

“Em um batalhão onde um serviço de guarda ao quartel pode ser prolongado por horas ou até dias por uma munição perdida, ou até mesmo uma peça de armamento, um superior não tem moral nenhuma para cobrar o zelo com o armamento, se todo dia são roubadas coisas de muito mais valor”… e completa: “isso ninguém vê, ou melhor “fingem não ver”, escreveu.

Ex-integrantes do Batalhão, em Lages, relatam experiências

“Me deparei com algumas situações de violência, nada muito explícito nem muito direto”, conta o jovem que serviu no 1º Batalhão Ferroviário, em Lages.  Ouvido pelo CL, preferiu não se identificar, e comenta sobre o que viu e viveu no quartel.

“O quartel, na verdade, é uma estrutura, uma instituição que se preserva muito e mesmo, em algumas coisas, sendo contra os Direitos Humanos, tende a resistir,” acredita.

Segundo ele, o método de formação, para quem faz o serviço militar obrigatório, é desumano, exige demais fisicamente e psicologicamente. “É um período de repressão, bem naturalizado por eles (instituição), existe a questão da hierarquia, mas mesmo os soldados mais antigos também têm o direito de repreender os mais novos,” afirma.  Após o primeiro ano, para quem fica engajado, as coisas ficam mais fáceis.

O jovem lembra que por conta dos treinamentos, um dos colegas quebrou a perna. Depois disso, o comando teria feito uma revisão dos métodos, pois “teriam percebido que estavam passando dos limites”.

“Como me senti durante esse tempo? é bem complicada a situação de repressão, violência psicológica, principalmente no acampamento, inclusive eles estão mudando alguns métodos que utilizavam, de dormir molhado e no chão, quando chove dormir no barro, passava muito frio, já teve caso de gente que teve hipotermia em acampamento, lá que acontece os extremos dessa situação,” reflete.

“Guilherme era um cara padrão”

Um dos ex-colegas de Guilherme que pertencia ao mesmo pelotão dele, no ano passado, relatou que “ele era um cara muito gente boa, parceiro, como a gente dizia no quartel, ele era um cara padrão”. O contato não era diário, mas, às vezes, saíam juntos para festas. Depois que saiu do quartel, em janeiro deste ano, ambos acabaram se afastando.

Sobre as humilhações que Guilherme disse ter sofrido, afirma que “de certa forma” todos sofrem e que “as pessoas lá dentro (superiores) não enxergam muita coisa”. Em seu depoimento, Guilherme reclamou que não foi liberado para o velório de uma tia. Fugiu e quando voltou foi preso.

“Ano passado a tia que ele considerava uma mãe morreu, estava de serviço, e não queriam liberar ele para ir no velório, ele deixou o fuzil e as coisas e fugiu, ficou preso por isso,”, conta o ex-militar que conheceu a vítima. Segundo ele, os superiores não querem saber se os soldados estão se sentindo bem ou mal. “Acredito que deveriam tentar ser mais compreensivos em algumas coisas,” comenta.

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“Não teve como reverter”, diz médico sobre morte de paciente

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O Pronto Atendimento tem sofrido com a superlotação, o que acaba sobrecarregando o trabalho da equipe de médicos e enfermeiros - Foto: Adecir Morais

O diretor técnico do Pronto Atendimento de Lages, Pedro Iung disse, nesta terça-feira (17), que a equipe que atua na unidade fez de tudo para evitar a morte de uma mulher, de 55 anos, que deu entrada no local, na última segunda (16). Ele narrou a cronologia dos fatos e garantiu que todo o atendimento foi feito dentro do que determina o protocolo de atendimento.

De acordo com ele, a paciente, que morava em São José do Cerrito, chegou na unidade às 14h47, trazida por familiares. Às 14h51, passou pelo setor de enfermagem, quatro minutos mais tarde, recebeu atendimento de médicos e enfermeiros na sala de emergência. Ela morreu após sofrer uma parada respiratória, depois de sucessivas manobras na tentativa de reanimá-la.

Pedro afirmou que a mulher deu entrada na unidade em estado grave e com sintomas de infarto. No setor de emergência, recebeu todo o atendimento necessário. “A paciente chegou em estado gravíssimo, não teve como reverter [a morte]”, declarou o diretor, salientando que a mulher tinha histórico de pressão alta, diabetes, tabagismo e infarto.

Em relação a uma possível queda da paciente enquanto recebia atendimento, o diretor destacou que, ao tentar levantar-se da maca, ela foi acudida por uma enfermeira, mas “escorregou” e ficou de “joelhos no chão”, sendo socorrida imediatamente pela equipe de enfermagem.

“Em absolutamente nenhum momento a paciente ficou sozinha ou deixou de ser atendida. Infelizmente, a morte aconteceu em decorrência do problema cardíaco, conforme consta no atestado de óbito”, reforçou uma nota encaminhada pela Secretaria Municipal de Saúde. O CL não conseguiu contato com familiares da mulher.

Onde buscar atendimento

Em Lages, existem dois estabelecimentos que atendem casos de urgência e emergência (Pronto Atendimento e Hospital Nossa Senhora dos Prazeres – HNSP). O diretor explicou que, pelo SUS, quando um paciente apresenta sintomas de infarto, precisa ser atendimento no Pronto Atendimento primeiro.

Nesta unidade, é avaliado o tipo de atendimento que o paciente precisa. Se houver diagnóstico de infarto, o médico encaminha o caso ao setor de emergência do HNSP, referência regional em cardiologia.

A unidade avançada do Samu também pode encaminhar casos de infarto para este setor. Pacientes que vêm do interior, encaminhados com diagnóstico, também são levados para este setor. Todos os atendimentos de urgência e emergência em Lages, exceto os casos de acidente de trânsito, precisam ser atendidos no Pronto Atendimento.

Vale lembrar que esta unidade, tem sofrido nos últimos dias com a superlotação, o que acaba sobrecarregando o trabalho da equipe médica e de enfermagem da unidade. Só nesta terça, havia 26 pacientes aguardando vagas em hospitais do município, sem falar de dezenas de pacientes que esperavam nos corredores.

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Polícia Militar realiza Operação 4000 em toda a Serra Catarinense

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Foto: Polícia Militar/ Divulgação

Mais de quatro mil policiais trabalharam na Operação 4000, que ocorreu em todo o estado de Santa Catarina nos dias 6, 7, 13 e 14 de julho. Na Serra Catarinense, a ação foi liderada pelo comandante da 2ª Região de Polícia Militar, Coronel Moacir Gomes Ribeiro. Os 21 municípios contaram com o apoio de 250 policiais do 6º BPM, Polícia Militar Ambiental, Cavalaria e Central Regional de Emergências.

Nos quatro dias de trabalho ostensivo, foram abordadas 1131 pessoas durante vistoria em 197 estabelecimentos comerciais. Nas 67 barreiras de trânsito foram atendidos 586 motoristas.

Na região de São Joaquim, que contempla ainda as cidades de Painel, Urubici, Urupema e Bom Jardim da Serra, foram realizadas 27 barreiras policiais e abordados 180 veículos. A PM esteve em 38 estabelecimentos, onde abordou 254 pessoas. Foi lavrado um termo circunstanciado por posse substância análoga à maconha, duas armas de fogo apreendidas e uma arma branca.

Em Otacílio Costa, Correia Pinto, Palmeira e Ponte Alta a Operação registrou 28 barreiras policiais e abordou 156 veículos, três deles foram removidos. A polícia fez vistoria em 59 estabelecimentos comerciais e abordou 321 pessoas nestes espaços. Houve apreensão de substância semelhante à maconha, duas CNHs recolhidas e dois estabelecimentos sem alvará.

Este tipo de ação policial tem um cunho educativo e busca reduzir a criminalidade, em especial, a letalidade violenta, vias de fato, furto, roubo e fatos relacionados com a violência contra mulheres, que no geral estão ligadas direta ou indiretamente a ingestão de bebidas alcoólicas e uso de drogas.

Por Catarinas Comunicação

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Defensoria Pública realiza força-tarefa no sistema prisional

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Defensor público Anderson Ouriques, que atua em Lages - Foto: Adecir Morais

A Defensoria Pública de Santa Catarina começou, ontem, uma força-tarefa no sistema prisional do Estado. O objetivo é analisar mais de sei mil processos de detentos do regime semiaberto, beneficiando aqueles internos que estão cumprindo pena de maneira irregular.  Os trabalhos seguirão até 14 de dezembro.

A força-tarefa, que já chegou à nona edição, envolve 25 defensores públicos em todo o Estado. Em Lages, serão analisados processos de detentos do Presídio Regional, que atualmente abriga 171 internos do semiaberto, isto é, a unidade comporta um número maior de sua capacidade.

Conforme o defensor público em Lages, Anderson Ouriques, Santa Catarina tem, atualmente, 4.903 presos no regime semiaberto, destes, 3.303 estão cumprindo pena no regime fechado por falta de vagas, o que contraria a legislação.

Com o mutirão, a ideia é fazer cumprir a Súmula Vinculante 56 do Superior Tribunal Federal (STF), de 2016, que estabelece que a falta de vagas em estabelecimento adequado nas prisões, não autoriza a manutenção do condenado na prisão em regime pior.

A ideia da força-tarefa é fazer com que os detentos que já estejam próximos de cumprir a pena, possam usar tornozeleira eletrônica em prisão domiciliar. O Estado tem 600 tornozeleiras. Além disso, a Defensoria vai pedir a liberação do interno que estiver perto de cumprir a pena.

Anderson destacou que a falta de vagas é um problema do sistema prisional catarinense. Atualmente, o Estado conta com mais de 20 mil detentos no total, cerca de 4,5 mil a mais que o número de vagas, que é de 16.309.

Regime semiaberto

O semiaberto é um dos três tipos de regimes de cumprimento das penas privativas de liberdade previstas no ordenamento jurídico, com base no Código Penal e na Lei de Execução Penal. Os outros dois são o regime aberto e o fechado.

Por lei, o preso deste regime tem o direito de trabalhar, dentro (em pequenas empresas no interior da unidade) ou fora da prisão (quando é liberado da carceragem pela manhã para trabalhar e volta no final da tarde). Além de progressão da pena (a cada três dias trabalhados, o preso tem o direito a um dia de redução da pena que cumpre), o benefício é uma forma de ressocialização.

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