As novas ameaças de tarifas comerciais dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acenderam um sinal de alerta na indústria catarinense. Na segunda-feira (14), a FIESC promoveu uma reunião de urgência com representantes do setor exportador para discutir os desdobramentos da proposta de sobretaxa de 50% anunciada pelo governo norte-americano.
Notícias de Lages no seu WhatsApp
Fique por dentro de tudo o que acontece na cidade e região
Incertezas sobre a aplicação da medida
Embora Donald Trump tenha declarado a intenção de implementar a tarifa, ainda não houve publicação oficial por parte do Departamento de Comércio dos EUA. A expectativa é que nos próximos dias sejam divulgadas regras mais claras sobre os produtos afetados, critérios de isenção e datas de vigência.
Entre as dúvidas está o critério da aduana americana para definir o início da cobrança: se valerá a data de embarque no Brasil ou a de chegada nos portos dos EUA.
Alguns segmentos, como madeira, minérios críticos, peças de motor e aeronaves seguem sob investigação da seção 232 e mantêm a tarifa atual até novo parecer. Outros produtos já têm tributação definida: medicamentos (200%), filmes (100%), semicondutores (a partir de 25%) e cobre (50%).
Setores mais vulneráveis de SC
Dados de 2024 mostram que a madeira lidera as exportações catarinenses para os EUA, representando 37,3% do total. Veículos e peças somam 14,8%, seguidos por equipamentos elétricos (13,3%), máquinas (6,8%) e móveis (6,7%). Todos devem sentir impacto, caso a medida seja oficializada.
Maria Teresa Bustamante, presidente da Câmara de Comércio Exterior da FIESC, destacou que as articulações seguem ativas e que o setor de madeira tem recebido atenção especial diante da investigação em curso.

Agenda de mobilização em Brasília
O presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, tem compromisso agendado para quarta-feira (16) com o vice-presidente Geraldo Alckmin e a secretária Tatiana Prazeres, do MDIC. A pauta é garantir a inclusão de Santa Catarina no grupo de trabalho nacional que vai discutir alternativas ao impacto da tarifa.
Como isso impacta sua vida?
Santa Catarina depende fortemente da exportação industrial, em especial para os EUA. Regiões como o Vale do Itajaí e Norte do estado concentram empresas do setor madeireiro, metalmecânico e automotivo. Se a tarifa for oficializada, a queda na competitividade pode afetar contratos, renda e empregos em diversas cidades.