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Ferreiro, uma profissão milenar e ainda valorizada

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Seu Argeu mostra uma maneia, objeto com corrente utilizado para prender as pernas traseiras da vaca durante a ordenha - Foto: Patrícia Vieira

Milhões de empregos serão eliminados com os avanços tecnológicos. Você já deve ter ouvido esta frase? Mas certamente ela não se aplica à profissão de ferreiro, atividade que surgiu a cerca de dois mil anos antes de Cristo. O lageano Argeu Calixto do Santos, 79 anos, é um exemplo que a experiência ainda vale muito e não é superada por programas de computador ou máquinas.

Casado há 54 anos, com Iracema Ferreira Calixta, 70 anos, e pai de cinco filhos, seu Argeu esbanja criatividade e comprometimento com a profissão. Em uma conversa descontraída, na empresa Maw Máquinas Wiggers, onde trabalha, foi aos poucos perdendo a timidez e contou sua história.

Iniciou na atividade na década de 50, em uma pequena Ferraria, na cidade de Lages, foi  a pedido de seu pai. “Estava com 14 anos, e meu pai disse que tinha que trabalhar e me levou em uma ferraria”.

No local eles produziam as mais variadas peças em ferro, e principalmente ferraduras. Argeu conta que levou cerca de um ano para aprender bem o ofício. “Eu produzia em torno de 12 ferraduras, o suficiente para ferrar três cavalos por dia” conta. Na época, a maioria das pessoas não costumava ir aos centros urbanos para fazer suas compras, como acontece hoje. Assim, havia mais procura pelo trabalho deste profissional.

De acordo com o supervisor de manutenção da Maw Indústria e Comércio Máquinas, Gilmar Bettiol, o trabalho de ferreiro continua essencial e tem muito procura. A ainda hoje, muita gente prefere os objetos produzidos artesanalmente pelos ferreiros, como ponteiras, arreio, maneia, ganchos, argola, picão, picaretas. A preferência, é porque duram mais.

“É um ótimo profissional. Quando passamos um serviço para ele, não precisa dar muitos detalhes. Sua capacidade de criação é incrível. Muitas vezes, passamos a ideia e logo ele chega com peça pronta”, elogia o supervisor . Ele define seu Argeu como um profissional único na cidade.

A maioria das peças produzidas por Argeu são para o setor madeireiro, como ganchos, argolas. Mas ele também contribui com o conserto em máquinas industriais.

Outra atribuição do ferreiro é fabricar peças de acordo com encomendas de clientes, como cunhas, maneia, arreios e marcas para gado. Itens que não se encontram com muita facilidade no comércio.

Trajetória

Seu argeu lembra que 1959 mudou-se para Curitibanos. Lá começou a trabalhar em uma oficina que reformava carretas de cavalo. Com o tempo, de volta a Lages, iniciou como ferreiro na Metalúrgica Arco Íris, localizada no Bairro Triângulo.

Em meados 1965 foi trabalhar no 2º Batalhão Rodoviário em Lages. Algum tempo depois, chegou a trabalhar na Prefeitura de Lages. Depois foi para a empresa Industrial Máquinas, onde ficou por cerca de 10 anos. “Lá, foi onde trabalhei como ferreiro na manutenção de máquinas do setor madeireiro” disse. Passou também pela construtora Serrana, na pedreira situada atrás do Morro Grande, em Lages.

Em 2002 começou na empresa MAW, onde permanece até hoje. Ele disse que seu maior sonho é montar sua própria ferraria, “Quero montar, só que falta espaço na minha casa. Vou montar na rua”, brinca seu Argeu.

Para trabalhar como ferreiro, basta ter força e muita habilidade. Argeu não tem mais que o ensino fundamental e, tudo que sabe, aprendeu ainda quando garoto. Ele também não fez nenhum curso profissionalizante. Mas, mesmo assim, sabe toda as técnicas.

O Ferreiro na história

Acredita-se que a profissão de Ferreiro exista desde quando o homem aprendeu a manipular e moldar os metais (em torno de 2.000 a.C.), sem grandes distinções até os tempos atuais.

Durante a idade média era comum a imagem do ferreiro da aldeia, responsável por praticamente toda a metalurgia do feudo ou povoado, sendo que muitas vezes, nestes tempos, o ferreiro se tornara sinônimo de forjador de armas, já que era função dele fabricar as espadas, lanças, machados utilizados pelos soldados da época.

O Ferreiro foi também um dos profissionais mais solicitados na Idade Média pela necessidade de equipar os exércitos com couraças, elmos e outros dispositivos de proteção, ou de armas, como espadas, lanças e flechas em ferro temperado de grande resistência.

Curiosidade

E como eram somente os ferreiros que produziam os espetos no passado, nasceu a expressão, “Casa de ferreiro, espeto de pau”, para designar a desídia de algum profissional das ferrarias. Além das ferramentas e objetos já mencionados, outros itens, como esporas, aviamentos para cavalos, como os arreios, que servem para encilhar e colocar freio, que vai à boca do animal, durante décadas eram encomendados nas ferrarias pelas lojas de ferragens.

Fonte: www.destaquenoticias.com.br

Tecnologia x emprego

De acordo com o Fórum Econômico Mundial (WEF), publicado em 2016, em cinco anos, 7,1 milhões de empregos serão eliminados no mundo, devido ao processo de desenvolvimento robótico, inteligência artificial e biotecnologia.

Análise feita pela consultoria Ernst & Young, com base em diversos estudos, aponta que até 2025, um em cada três postos de trabalho devem ser substituídos por tecnologia inteligente.

O Fórum calcula ainda que até 2020, as tecnologias vão eliminar 5,1 milhões de vagas em 15 países e regiões que respondem por dois terços da força mundial de trabalho, incluindo o Brasil.

A tecnologia não apenas otimiza os processos, como também está mudando as relações de trabalho. Mesmo que o mercado para o ferreiro seja restrito, pois atualmente, a maioria das peças e objetos são produzidos em escala industrial, graças aos grandes avanços tecnológicos, a profissão milenar ainda tem uma clientela fiel.

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