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Família pede apoio para autistas com transtorno severo

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Direção da Apae diz que medida foi para proteger o aluno, os colegas e professores - Foto: Camila Paes

Recentemente, os pais de Gabriel Buch Ramos, 18, fizeram um desabafo nas redes sociais sobre a situação do jovem que é autista e há mais de 40 dias não pode frequentar a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) em Lages.

O advogado e professor universitário Mário de Figueiredo Ramos e a esposa Josiane Buch Ramos questionam quais as alternativas têm para o filho, que precisa frequentar a instituição e, mas, por conta desse afastamento, tem ficado em casa.

A preocupação do casal não é somente em relação à situação do seu filho, mas de todas as famílias que vivem este problema.Aqui em Lages, de acordo com o advogado, já se identificaram cerca de 60 casos da síndrome.

Gabriel passou, nos últimos meses, por uma crise de anemia e isso o deixou mais agressivo. Mário explica que isso também é um fase, já que o jovem passa pela adolescência e devido ao transtorno, a agressividade pode se intensificar. Quando isso começou a acontecer, a instituição chamou os pais para tratar sobre o assunto, que pediram um apoio maior da escola para autistas severos.

Este é o maior problema, segundo Mário. A falta de profissionais e estrutura para atender casos mais severos de autismo, como é o de Gabriel. “O menino não pode ficar trancado dentro de casa e o caso do meu filho não é o único”, revela.

A filha de Mario e Josiane, Helena, 23, também é autista e frequenta a Apae há mais de 20 anos. Ele explica que, neste meio tempo, nunca tiveram problemas e sempre foram atendidos conforme suas necessidades.

A mãe Josiane ressalta que a situação está complicada e que falta infraestrutura e profissionais capacitados. “Os pais são os maiores responsáveis por seus filhos, mas a sobrecarga é grande”, acrescenta.

Ela ainda enfatiza que é muito difícil, do ponto de vista familiar, ficar como cuidadora durante o tempo todo. Por isso, os casos de abandono são altos em casos de crianças autistas, pois as famílias têm dificuldade em lidar com a situação. “Não é só a Apae, faltam políticas públicas. Precisamos de um Centro de Assistência Social (Cras) e de profissionais preparados.”

Josiane também acrescenta que a família vive em um limbo, sem apoio das instituições e também discriminação, porque os casos de autismo severo são descartados dos órgãos que deveriam prestar apoio. Os pais de Helena e Gabriel ressaltam que é um direito constitucional dos filhos a permanência na escola e de inúmeras famílias, que também passam pela mesma situação.

Apae diz que afastamento é temporário

A diretora da Apae em Lages, Roseli Freitas, ressalta que a instituição atende ao público de deficientes intelectuais e que o Gabriel apresenta um quadro de agressividade com professores e alunos. “Nós sabemos que é direito dele frequentar a Apae, mas os professores têm direito de não serem machucados”, acrescenta.

Roseli explica que Gabriel será aceito novamente na associação quando o quadro de agressividade melhorar. Ela relata que o jovem chegou a voltar para a instituição durante o período, mas continuou agressivo.

A diretora enfatiza que não está negando o atendimento, mas sim protegendo os alunos e também Gabriel. Além disso, o apoio aos pais permanece. “O poder público tem que fazer políticas públicas para contemplar esses alunos e nós fazemos o que podemos”, explica Roseli.

Ministério Público

O promotor de Justiça da 14ª Promotoria de Direito e Cidadania, Carlos Renato Silvy Teive, reafirma que a educação é um direito de todos. No caso específico do Gabriel, disse que é necessário conhecer os fatos e tentar entender se houve alguma irregularidade no afastamento do rapaz, e que a Promotoria “está aberta a atender as famílias e tentar encontrar alternativas”.

O promotor orienta que em situações semelhantes, o Ministério Público deve ser procurado para encaminhar o problema.

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