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Estudo sobre AVC será apresentado em Congresso Nacional

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Vinicius e Lucas ao lado da professora Sandra - Fotos: Andressa Ramos

Depois de ingressar no curso de medicina da Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac), Vinicius Menegon, de 28 anos, descobriu que deseja seguir pela especialidade de neurocirurgia.

Durante uma experiência no Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, nessa área, e após acompanhar vários casos de cirurgia endovascular (embolização) de aneurismas cerebral, já que Lages é um dos centros de referência neste tratamento em Santa Catarina, o estudante se interessou a descobrir quais eventos influenciam ou estariam relacionados ao acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico, secundário à ruptura de aneurisma.

Para isso, desenvolveu, junto aos professores Gibrail Dib Antunes Filho e Sandra Martini Brun, um projeto para concorrer a bolsa do artigo 170 de iniciação científica, financiada pelo Governo do Estado, para que pudesse dar sequência a pesquisa. O estudo, que começou no ano passado, deve apresentar resultados parciais em setembro no XXXIII Congresso Brasileiro de Neurocirurgia.

A ruptura de aneurismas saculares intracranianos é a principal causa dos quadros espontâneos de hemorragia subaracnóide, situação extremamente grave que leva à morte em 32% dos 76% dos casos. Diversos estudos apontam para a incidência de HSA devido à ruptura de aneurisma e sua relação com o clima, idade e sexo.

Em Lages, foram analisados os prontuários de pacientes do HNSP, entre 2009 a 2015, com dados de: temperatura, pressão atmosférica com suas variáveis, idade, sexo, comorbidades, horário e dia do evento.

O maior número de incidência de HSA secundária (sangramento no espaço entre o cérebro e o tecido que cobre o cérebro) por ruptura de aneurisma foi durante a primavera. O que difere de um estudo publicado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Católica de Santos (Unisantos), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de SP (Fapesp), em que as quedas de temperatura foram associadas ao aumento no número de mortes por AVC, principalmente entre a população com mais de 65 anos.

Entre os idosos, a incidência de AVC associado a quedas na temperatura média é maior entre as mulheres. Quando os dados do Programa de Aprimoramento das Informações de Mortalidade, no Município de São Paulo (PRO-AIM) e da Estação Meteorológica do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP foram confrontados, houve a descoberta de que o risco relativo a ocorrência deste acidente (isquêmico e hemorrágico) era maior quando a temperatura média era menor, ou seja, abaixo dos 15 ºC. Acima dos 65 anos, as temperaturas médias mais baixas representaram maior risco de AVC hemorrágico para as mulheres, um resultado que surpreendeu os pesquisadores.

Mas Vinicius e Lucas Packer, que passou a integrar o grupo no fim de 2017, explicam que o estudo tem diferenças de estudos, já realizados em outros locais. Os resultados permitem observar que há a influência da variação da pressão atmosférica e não pela estação do ano.

Neurocirurgião e professor, Gibrail, integrante do projeto

Obstáculos

Dos 100 prontuários analisados, apenas 71 foram localizados. Destes, 21 eram pacientes de Lages, impossibilitando incluir os outros 50 no estudo. Mas o desafio se tornou um impulsionamento para uma nova fase.

O grupo de pesquisa, que inclui os acadêmicos e professores, irá abranger o estudo, incluindo moradores de outras cidades de Santa Catarina, entre 2010 a 2017, o que possibilitará identificar, mais apropriadamente os fatores de clima e comorbidades que levam ao AVC com ruptura de aneurisma.

Vinicius enfatiza que o estudo poderá auxiliar a comunidade a se manter atenta aos sinais e sintomas, e aos profissionais da área da saúde no desenvolvimento de protocolos de atendimento, para atender esta demanda.

“Se acharmos dados que nos auxiliem a definir uma ou algumas causas para o AVC, poderemos melhorar o tratamento de prevenção e minimizar a porcentagem de pacientes vítimas de acidente vascular cerebral, suas sequelas e consequentemente salvar mais vidas”, completa o neurocirurgião e professor, Gibrail.

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