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Entidades negociam evento em Lages

Lages, 21/05/2015, Correio Lageano, por Bega Godóy

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O presidente da Federação Catarinense de Voleibol (FCV) Dante Klaser esteve em Lages para propor à Fundação Municipal de Esporte (FME) sediar a fase classificatória da Liga Nacional Feminina. O torneio equivale ao Sul Brasileiro sub 23.

De acordo com o calendário da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), o evento está programado para ser realizado na segunda quinzena de julho com participação de seis equipes do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

O superintendente da FME, José Capela Batalha disse que a competição gera gastos ao município e por isso fará uma contraproposta.“A competição que será de terça a sábado custará em torno de R$ 20 mil”, diz ele se referindo aos pagamentos da  arbitragem, hospedagem e refeições das delegações.

Capela disse que para assumir o custo tem que ter o aval do  Governador Raimundo Colombo para assegurar o repasse. E que uma das condições é de que a competição seja aberta ao público, sem cobrança de ingressos. As negociações seguem, e conforme o superintendente nesta semana Dante e ele voltam a falar do assunto.     
No encontro, eles também conversaram sobre outras possíveis promoções na cidade.

E um Mundial não  foi descartado, mas isso será definido se o Aeroporto Correia Pinto estiver funcionando. A CBF dividiu o país em regiões e o Sul Brasileiro se torna mais viável, segundo o presidente da federação catarinense porque as equipes se deslocam de ônibus.

No futuro, a Serra deve sediar um Mundial

Dante Klaser preside a Federação Catarinense de Voleibol há 15 anos e é um dos responsáveis de colocar Santa Catarina no cenário nacional. Trouxe para o estado a Superliga, Jogos da Liga e o Mundial ano passado em Jaraguá. Na ocasião jogaram Brasil e Itália.

Ele que é também conselheiro-secretário da Confederação Brasileira de Voleibol promove uma das finais das categorias de base com frequência em praças catarinenses. A crise financeira também atingiu as promoções dos eventos, mas segundo Dante entre um ajuste e outro foi possível realizar nessa semana o circuito de Vôlei em Chapecó.

“Estamos trabalhando num ano difícil, mas não nos entregamos. Queremos que o voleibol de Santa Catarina continue no patamar que sempre foi merecido no brasileiro”, explica.

Em Lages, Dante além de homenagear o professor José Judas Tadeu Ribeiro com o título emérito pelos relevantes trabalhos no vôlei brasileiro, conversou com o superintendente Capela e cogitou eventos em Lages sediados pela Confederação. Com mais urgência espera definir a fase classificatória da Liga Nacional.

Dante Klaser

  • O presidente da FCV é critico. Para ele a educação física é voltada para a recreação e não trabalha a iniciação.

 O Jones Minosso comporta quais eventos?
Dante  Klaser: A praça do Jones Minosso é sensacional. Trouxemos o Sul Americano de Seleções adulto masculino há uns 10 anos. Um evento histórico. Conto para o Brasil inteiro que tivemos que alugar 38 aquecedores e colocar ao redor da quadra. O frio era tão intenso que ninguém queria mais jogar. A competição durou  uma semana. Eram seis equipes. Veio a seleção de Bernadinho, da Argentina, Paraguai e outras. Também comandei os Jogos Abertos, no ano da inauguração do ginásio. Uma arena com capacidade para receber um Mundial.

O que o senhor pensa para Lages?
Felizmente o tempo está correndo. Tenho eventos a propor como o Jogo da Liga Mundial ou jogos da Liga B ou coisa parecida para que Lages também se destaque no cenário nacional e até Mundial. O Mundial é transmitido para 100 países em televisão aberta. Falta o Aeroporto, não dá para levar e buscar as Seleções de ônibus. Acho difícil e muito dispendioso financeiramente, mas soube pelo Capela que o Aeroporto de Lages será entregue em cinco meses. Não dá nem para oferecer uma final da Liga Nacional, sem Aeroporto barra tudo.

Quanto custa um Mundial?
Um evento custa em torno de 300 mil reais e se recupera boa parte na bilheteria. Ano passado em Jaraguá faltou hotel na cidade e tivemos que apelar para outras cidades da redondeza. Pomerode acomodou o pessoal que veio assistir aos jogos.

Como o senhor vê o voleibol?
Os treinadores e profissionais têm que sair de dentro das quadras e divulgar o que estão fazendo. O voleibol ainda é um bom produto. Pode transmitir disciplina, perseverança, afeto familiar. É um esporte que transmite boa educação.

O Brasil ainda tem um ídolo?
Estávamos acostumados a sempre estar no topo. Sabia que estávamos perdendo ídolos. Ficou parado no Giba, William, Marcelinho e Ricardinho. Esqueceu-se de  investir na base. Nossa base praticamente está deficitária. Insisto que não é o problema só do vôlei. Não aceitamos um esporte que não tem ídolo. É difícil convencer uma criança a fazer esporte se ela não vê na frente dela um ídolo. Isso emperra o crescimento de qualquer modalidade. O ídolo pode se formar ao natural ou por meio da imprensa.

O  Giovane, capitão da Seleção Brasileira, foi um bom ídolo?
Praticamente foi feito. Tinha uma fisionomia boa, o que o  ajudou. As pessoas escolherem ele. Já o Giba foi um ídolo ao natural. Ele cativou muita gente e até hoje as crianças ficam ao redor dele. A esperança seria o levantador Bruninho da Seleção Brasileira, mas precisa ter carisma. Falta alguém da CBV apostar para fazer dele um ídolo.

É caro manter uma equipe?
Você  não pode contar com uma equipe considerando a bilheteria. É uma temporada curta que vai de setembro a maio e custa um R$ 1 milhão, 2, 3, 4, vai de acordo com o poder. Uma temporada completa custa entre R$ 10 a 11 milhões.

Por que um time que teria sede em Lages não vingou?
O patrocinador estava certo. A equipe iria disputar a Super Liga. O Ricardinho fazia parte do projeto que era baseado em empresa. Não dá  para viver em função dos órgãos públicos. É muito dinheiro. O contrato seria assinado em Brasília, mas a Seara, a patrocinadora, foi vendida  um dia antes. E o grupo que a assumiu não quis dar andamento ao projeto. Na época, a Seara também deixou de patrocinar a Confederação Brasileira de Futebol.

 Foto:Bega Godóy