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Em ano eleitoral, clima esquenta na política lageana

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Em meio às negociações para definir as candidaturas para as eleições de outubro, o clima parece ter esquentado nos bastidores da política em Lages. Manifestações de lideranças locais do MDB e do PSD em relação ao governador Eduardo Pinho Moreira (MDB), que assumiu o governo há 60 dias, repercutiram em todo o Estado. O CL conversou com representantes das duas siglas

Todo começou a partir de declarações dadas no lançamento da segunda unidade da Havan, em Lages, na última segunda-feira. Na ocasião, o prefeito Antonio Ceron (PSD) e o empresário Luciano Hang fizeram comentários acerca do aumento de impostos.

As manifestações soaram como uma crítica ao governador Eduardo Pinho Moreira, que encaminhou à Assembleia Legislativa do Estado (Alesc) a Medida Provisória (MP) 220/2018, prevendo alterações da alíquota de ICMS. Na prática, a proposta aumentaria a arrecadação do governo.

O presidente do MDB em Lages, Luiz Ademar Paes, teria reprovado tais declarações contra Pinho Moreira, seu colega de partido. Por conta disso, teria reagido e solicitado os cargos ocupados pelo PSD na Agência Regional de Lages (ADR), incluindo o do atual executivo da pasta, João Alberto Duarte.

Em entrevista ao CL, Paes negou ter pedido qualquer cargo. Segundo ele, a informação foi plantada por maldade. “As notícias não são verdadeiras. Temos uma aliança (MDB e PSD) e um carinho enorme com Colombo e João Alberto. Se depender de mim, a coligação vai continuar.”

O que o líder emedebista deixou claro é que, caso a coligação não seja mantida e que os dois partidos sigam rumos diferentes nestas eleições, é natural que o MDB busque ocupar os cargos da ADR de Lages. Por ora, contudo, enfatizou que uma decisão nesse sentido caberia tão somente ao governador Pinho Moreira.

Praticamente na mesma linha, o presidente do PSD em Lages, João Alberto Duarte, declarou que está tranquilo e que, atualmente, não há orientação no sentido de retirar os cargos dos pessedistas.

Também classifica as informações veiculadas como falsas, não obstante, considera como natural qualquer mudança que possa vir, caso a coligação não seja mantida para a eleição de outubro. Por fim, entende que a colisão pode continuar. “Tudo pode acontecer.”

No plano estadual, nota-se certo desgaste entre o MDB e PSD. Pinho Moreira tem demonstrado descontentamento com a situação econômica do Estado. Dentre as medidas para contornar os problemas financeiros, anunciou a extinção de cargos comissionados, para não ultrapassar o limite prudencial da folha de pagamento.

Importante ressaltar que Pinho Moreira era vice-governador de Raimundo Colombo e, só agora, vem se manifestar sobre a situação financeira do Estado. O CL encaminhou um e-mail à assessoria do governador na manhã de sexta-feira, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Entenda

A MP 220 sugere a redução da alíquota de ICMS de 17% para 12% para comercialização, industrialização e prestação de serviços. A medida divide opiniões – tanto entre os legisladores quanto as entidades representativas da indústria e do comércio. Isso porque, na prática, a MP promove aumento da arrecadação com a transferência da carga tributária de uma parte da cadeia produtiva para outra, entre a indústria que produz e o comércio que vende.

A proposta recebeu o parecer de inadmissibilidade da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na Alesc, pois os deputados entenderam que o assunto não justificava o caráter de urgência dado à alteração. O tema deverá seguir para deliberação no plenário da Assembleia, na próxima semana. Com a medida, o governo aumentaria a arrecadação em R$ 58 milhões.

De acordo com o deputado Gelson Merísio (PSD), membro da CCJ, cálculos dos lojistas indicam que a medida pode chegar a encarecer alguns produtos em até 6,35%, deixando essas empresas sem margem de lucro e obrigando o repasse ao consumidor, que recebe o impacto direto no bolso. O pessedista entende que uma mudança desse porte precisa de discussão profunda.

Entrevista com o governador

Correio Lageano: O hoje governador, que fazia parte do governo de Raimundo Colombo, não sabia que o Estado estava nessa situação? E se sabia, por que não deu publicidade aos fatos? 

Eduardo Pinho Moreira?A imprensa registrou, em diversas oportunidades, minha preocupação com a situação financeira do Estado e a necessidade de medidas para superar os desafios. Está registrado nos jornais. Não cabia a mim, naqueles momentos, a tomada de decisão.

As manifestações, agora, não têm, como pano de fundo, interesses eleitorais? 

Tenho reiterado que meu foco é a administração do Estado e o equilíbrio das contas públicas. Tanto que tenho tomado algumas medidas consideradas impopulares, porém necessárias à gestão. Se algumas medidas não forem tomadas agora, o Estado será ingovernável em 2019.

E a relação entre MDB com o PSD? Podemos dizer que está abalada por conta dos últimos acontecimentos? Qual é a chance de manutenção da aliança entre os partidos para eleição de outubro? 

Meu primeiro compromisso é com Santa Catarina, é governar para que os cidadãos tenham a garantia da saúde e da educação de qualidade, com segurança para criar seus filhos e prosperarem. A economia catarinense vai bem, o Estado está crescendo e superando a crise. Para tanto, ajustes precisam ser feitos. Talvez algumas medidas desagradem um ou outro setor, mas eventuais divergências partidárias não podem ser mais importantes do que a responsabilidade que o governo tem com a sociedade. A hora é de unir esforços, não de dividir.

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