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Eles arriscam a própria vida para colher pinhão

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Foto: Andressa Ramos

A queda de David Silva, de 23 anos, de um pinheiro araucária nesta sexta-feira (13), em Painel, na Serra Catarinense, traz à tona a realidade e os desafios que as pessoas enfrentam na hora da colheita do pinhão. Ele reside na Localidade de Casa de Pedra e trabalhava em local de difícil acesso. O resgate foi realizado com o helicóptero da Polícia Militar.

Painel é o maior produtor estadual da semente e acidentes são mais comuns que se imagina. Jair Córdova da Rosa, de 63 anos, colhe pinhão e sobrevive do fruto há 40 anos.  Neste período caiu de uma araucária uma vez, há 28 anos. Um dos galhos em que estava pisando quebrou e o que estava apoiado com as mãos também rompeu. Caiu de uma altura de mais de 6 metros e carrega até hoje a marca daquele dia, uma cicatriz na sobrancelha.

O agricultor comenta que é difícil encontrar quem suba em pinheiros altos, pelo risco da queda ou até pelo medo da altura. Além disso, quem colhe o pinhão não é valorizado na hora de revender.

Mesmo com as dificuldades, Jair passou seu conhecimento de colher pinhão e quais as árvores que produzem mais para o filho Diogo Melo da Rosa, de 26 anos. Agora, quem sobe nos pinheiros é Diogo e, depois, os dois e até a mãe, Maria Delfina Melo da Rosa, de 52 anos, fazem a separação das falhas e pinhões.

Em função do risco, muitos produtores estão deixando de colher o pinhão, principalmente nas árvores mais altas. Algumas atingem mais de 10 metros de altura, situação que dificulta a escalada. Muitas pessoas que subiam, abandonaram a atividade em função da idade, ou por medo de acidentes. Com isso, a cada ano parte da safra não é colhida, fica na copa dos pinheiros.

Baixa remuneração

Outro fator que desestimula a prática de colheita é o preço oferecido pela semente. Alegando que o pinhão não precisa ser plantado e que basta colhê-lo, alguns compradores oferecem R$ 1 por quilo, quando o mercado o produto é comercializado a mais de R$ 6 em início de safra.

Formas de escalada

Os pinheiros geralmente são altos, o tronco e galhos são revestidos com grimpas que espetam. Mesmo assim, algumas pessoas se abraçam ao tronco e sobem. Amarram uma vara de taquara na cintura e quando atingem o cume, se firmam e derrubam as pinhas que estão grudadas nos galhos. Outros utilizam um artefato chamado de espora, que contribui para fixar os pés no tronco. Os mais precavidos utilizam um cinto de segurança, que fica preso ao tronco.

Safra

Neste ano, a safra está um pouco abaixo, se comparada ao ano passado. O engenheiro agrônomo da Epagri, Cesar Alessandro Oliveira Arruda, explica que algumas áreas da região são de maior produção do pinhão, além disso, há os pinheiros com safra mais tardia, em que até o pinhão, devido a geada, fica seco e mais maduro. O processo da geada faz com que o pinhão leve mais tempo para ter bichos.

Cesar observar que muitos produtores já têm os pinheiros mapeados, dessa forma consegue fazer o escalonamento e uma média de como será a colheita no ano.

Acidente

O helicóptero Águia foi para o local, que é de difícil acesso. Uma equipe do Samu integrou a tripulação e atendeu o homem após ele ser socorrido pela equipe da Secretaria de Saúde de Painel.

Segundo informações da tripulação do Águia, a vítima foi resgatada e encaminhada para atendimento no Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, em Lages. A vítima teria sofrido várias fraturas, com suspeita de fraturas na coluna e costelas

Resgate feito pelo Águia 4 – Foto: Águia 4/ Divulgação

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