Cotidiano

Há exatos 89 anos, o zepelim Hindenburg cruzava os céus de Santa Catarina

Max Pires
01/12/25
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Em 1º de dezembro de 1936, moradores de diversas cidades catarinenses viveram um momento histórico e surpreendente: o sobrevoo do Hindenburg em SC, o maior dirigível do mundo, uma gigantesca nave alemã que cruzou os céus do estado e chamou atenção por onde passou. O episódio, que hoje completa 89 anos, ainda está vivo na memória de quem testemunhou a cena e nas imagens preservadas em cidades como Blumenau, Joinville, Brusque, Indaial, Corupá e Jaraguá do Sul.

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Hindenburg sobrevoando bairro com casas coloniais em Jaraguá do Sul em 1936
O dia em que o Hindenburg cruzou os céus de Jaraguá do Sul – Foto: Arquivo histórico de Jaraguá do Sul

O que fazia um dirigível alemão nos céus de Santa Catarina?

Nos anos 1930, os dirigíveis alemães eram símbolo de tecnologia e poderio europeu. Em 1930, o Graf Zeppelin fez sua primeira viagem da Alemanha ao Brasil, pousando em Recife. Já em 1936, o Hindenburg, ainda maior e mais avançado, realizava sua última viagem do ano, com destino ao Rio de Janeiro. A rota foi alterada estrategicamente para incluir cidades brasileiras com forte presença de imigrantes alemães, como Joinville, Jaraguá do Sul, Blumenau, Corupá e Brusque.

O sobrevoo foi planejado como uma demonstração de prestígio da engenharia alemã e também como gesto simbólico de aproximação cultural. Santa Catarina, com suas raízes germânicas, fez parte desse trajeto, e o imenso dirigível foi visto por milhares de moradores atônitos com aquela estrutura silenciosa e surreal cortando o céu.

Graf Zeppelin estacionado com equipes de solo ao redor durante visita à Califórnia
Graf Zeppelin faz escala histórica na Califórnia nos anos 1930

Imagens, testemunhos e manchetes da época

Em Brusque, a jovem Ursula Rombach se lembra de ter assistido ao sobrevoo com a família. Em Blumenau, moradores aguardaram nas janelas e ruas o momento de ver o Hindenburg passar. Jaraguá do Sul registrou fotos do evento e publicou nota no jornal “O Correio do Povo”, descrevendo a passagem com entusiasmo na coluna de fatos locais escrita em alemão. As reações variaram entre emoção e pavor, com pessoas acreditando até que se tratava do fim do mundo. A suástica visível na cauda da aeronave deixava clara a origem política do voo.

Zepelim sobrevoa cidade catarinense com palmeiras e arquitetura colonial no centro
Zepelim sobrevoa Joinville na era dos dirigíveis

A tragédia que encerrou a era dos dirigíveis

Menos de seis meses após cruzar os céus catarinenses, o Hindenburg se incendiou em Nova Jersey, nos Estados Unidos, matando 36 das 97 pessoas a bordo. O desastre, amplamente divulgado, encerrou a era dos dirigíveis como meio de transporte transatlântico. No Brasil, a aproximação com a Alemanha também perdeu força com o avanço da Segunda Guerra Mundial. O Aeroporto Bartolomeu de Gusmão, no Rio, construído para receber essas aeronaves, foi transformado em base militar.

Explosão do dirigível Hindenburg durante tentativa de pouso nos Estados Unidos em 1937
Explosão do Hindenburg encerra era dos zepelins em 1937

Como isso impacta sua vida?

Resgatar a passagem do Hindenburg por Santa Catarina é uma forma de valorizar a memória e a história regional. Ao lembrar desse episódio, percebemos como nossas cidades estiveram conectadas aos grandes acontecimentos mundiais. Em tempos de avanços tecnológicos, é curioso notar que há quase um século, moradores de Brusque, Blumenau e outras cidades catarinenses já se espantavam com uma máquina voadora que parecia saída de um filme de ficção.

Multidão observa de perto o dirigível alemão ancorado no solo durante visita ao Brasil
Dirigível alemão impressiona população durante passagem pelo Rio de Janeiro nos anos 30
Max Pires
Max Pires administrator

Já criei blog, portal, startup… e agora voltei pro que mais gosto: contar histórias que fazem sentido pra quem vive aqui. Entre um café e um latido dos meus cachorros, tô sempre de olho no que realmente importa pra nossa cidade.