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Desenvolvimento da Serra Catarinense pode vir pelos trilhos

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Lages, 19 e 20/06/2010, Correio Lageano

 


A construção da Ferrovia Lages-Imbituba surge como mais uma proposta para fazer a região voltar a prosperar economicamente. Já que pretende melhorar em grande escala a logística da produção serrana. Embora o projeto de viabilidade não esteja pronto, a execução desta obra tem a simpatia da Frente Parlamentar das Ferrovias, desde que faça a ligação com a malha ferroviária do Estado.

 

 


Liderado pela Associação Comercial e Industrial de Lages (Acil) o projeto pretende fazer uma linha férrea que parte de Lages e chega ao porto de Imbituba, passando por nove municípios ao longo do trecho, sentido Oeste/Leste. Na Serra, Bocaina do Sul e Bom Retiro também estão no caminho da ferrovia.

 


O líder da Frente Parlamentar das Ferrovias, o deputado estadual Pedro Uczai, do PT de Chapecó, lembrou que o projeto de viabilidade deve mostrar o quanto a linha férrea representará na economia local. Sem estes dados, ele diz não poder opinar sobre o assunto. “O passo que tem que se dar é o estudo técnico, econômico-financeiro e ambiental desta ferrovia. Depois disso, será possível uma análise mais aprofundada”, disse.

 


O secretário executivo da Acil, Marcelo Schlichting, explica que o projeto de construção já foi enviado ao Ministério dos Transportes, onde passa por estudos de viabilidade econômica. Também foi apresentado em Audiência Pública, na Câmara de Vereadores de Lages, onde a ideia foi entendida como possível pelos empresários e por políticos, incluindo o deputado Uczai que participou da solenidade. “A partir de agora, haverá o estudo técnico, econômico e ambiental, e num próximo passo, haverá um encontro dos idealizadores com os prefeitos de cada município por onde a ferrovia deve passar”, fala o representante.

 


Quanto aos custos para a sua construção o secretário da Acil, diz que não existe a estimativa de um valor, já que este será definido pelo Ministério dos Transportes e anunciado na devolução do projeto, o que se sabe, de acordo com Schlichting, é que economicamente a linha férrea não teria indenizações muito expressivas. Já o deputado complementa que recursos para esta ferrovia, tanto projeto quando obra, não estão incluídos no orçamento do PAC 2.

 


De acordo com o secretário executivo da Acil, a economia local tem a característica de produção de bens de baixo valor agregado, como celulose, minerais e madeira bruta, por exemplo. “Saindo da cidade em caminhões o frete, muitas vezes, extrapola o valor dos produtos fazendo com que os custos se tornem mais altos e ficando fora do mercado competitivo”, diz. “Por isso, precisamos desenvolver alternativas de transporte, e a ferrovia, neste caso, vai baratear os custos, dando a nossa região um impacto maior na economia”, aposta. “O grande negócio será a competitividade. Se Lages tiver movimentação de cargas a economia pode se desenvolver, já que poderá entrar na concorrência para a exportação”, fala Schlichting.

 


Outro ponto levantado na elaboração do projeto é a situação do Porto de Itajaí, para onde a produção da Serra é destinada, e que, segundo Schlichting, está com a capacidade saturada. “Com a ferrovia entrando em operação a exportação seria feita diretamente para o porto de Imbituba, que tem total condições para receber os produtos”, fala. Partindo de Lages, a proximidade com Correia Pinto, é tida como positiva, tendo em vista que o Aeroporto Regional do Planalto e a BR-116 podem facilitar o transporte de cargas.

 


Uczai aconselha que as lideranças da Serra fiquem atentas à mobilização que busca alternativas para melhorar a logística do transporte, caso contrário a região poderá ficar fora da rota do desenvolvimento econômico e sustentável das ferrovias.

 

 

Frente defende ferrovias como alternativas viáveis ao país

 

O coordenador da Frente Parlamentar das Ferrovias, deputado estadual Pedro Uczai (PT), defende a implantação de projetos ferroviários como as alternativas viáveis para o desenvolvimento do país, já que considera insustentável o transporte somente pelas rodovias, tendo em vista o crescimento acelerado do país, que chega a 8% ao ano. “Estrategicamente as ferrovias vão integrar as regiões, baratear os custos de logística e agregar valor aos produtos”, afirma.

 


O primeiro projeto trata da construção da Ferrovia da Integração, que ligará Itajaí ao Extremo-Oeste. De acordo com o deputado, os editais do projeto de engenharia de Itajaí a Chapecó e o projeto de viabilidade técnica de Chapecó a Dionísio Cerqueira serão publicados ainda este mês. “Os recursos para a construção desta linha estão garantidos no PAC 2”, disse Uczai. Entretanto, a assessoria da Casa Civil, em Brasília, confirmou apenas a liberação de recursos para o estudo de viabilidade, de Chapecó a Dionísio Cerqueira, e alegou que para a obra não há nada previsto no PAC 2. O único município da Serra, por onde esta linha passará, será Ponte Alta.

 


A construção da Ferrosul (antiga Ferroeste), pretende ligar os três estados do Sul, além de Mato Grosso do Sul. Ela parte da cidade de Maracaju/MS e termina na cidade de Rio Grande/RS, passando pelo Oeste de Santa Catarina. Para a concretização desta, Uczai revela que cada estado envolvido terá de entrar com R$ 25 milhões, com mais R$ 120 milhões de contrapartida do PAC 2. O projeto será votado na Assembleia Legislativa na próxima terça-feira.

 


A reativação e modernização da Ferrovia do Contestado que liga Mafra a Marcelino Ramos/RS, e está sob concessão da América Latina Logística (ALL). Segundo Uczai o trecho não está sendo conservado da forma que deveria e por isso, a ALL está sendo pressionada a reassumir o trecho (desativado) ou devolver para o governo. “Estamos organizando uma audiência com a ALL para apresentar a ela o potencial econômico da região e comprovar a viabilidade econômica desta ferrovia”, disse.

 


Além destas, o deputado cita ainda a Ferrovia Litorânea, que já está com estudos de viabilidade, no valor de R$ 18 milhões em operação, e vai ligar o Porto de Imbituba ao porto de São Francisco.

 


Lages é um dos principais entroncamentos do Sul


A região de Lages é considerada, pela ALL, um importante entroncamento para a movimentação ferroviária de cargas do Sul do País, pois liga Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.

 

Diariamente, circulam pela região 10 trens, com uma média de 70 vagões/cada, carregados com polietileno, cimento, madeira, combustíveis, soja, trigo e milho. A concessionária garante que a região recebe fortes investimentos na troca de trilhos, dormentes, ativos e tecnologia. Sendo que, em 2010 estão sendo investidos R$ 300 milhões na malha Sul do país.

 


No caso da ferrovia do Contestado, a concessionária diz que se trata de um trecho de baixa densidade de carga, que pode voltar a ser movimentada, desde que sejam formalizados acordos comerciais para o transporte na região. A empresa realizou recentemente um estudo de demanda, e de acordo com o volume apresentado por três empresas interessadas em transportar pela ferrovia, a ALL elaborou projeto logístico e concluiu que o volume apresentado e os diferentes pontos de origem e destino tornam a operação ferroviária inviá­­vel economicamente.

 


A empresa diz que caso no futuro a região apresente interesse em executar o transporte de cargas pelo modal  ferroviário,  a  ALL  pode  retomar  esta  operação de forma ágil e eficiente.


Malha ferroviária do Estado

 

A Ferrovia Tereza Cristina S.A. (FTC) utiliza 164 quilômetros de trilhos no Estado. Os direitos da concessão limitam-se a Santa Catarina. Acesso ao porto marítimo de Imbituba (SC) e o principal produto transportado é carvão.

 


A América Latina Logística S.A (ALL) opera 1.190 quilômetros pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Principais produtos transportados: soja e o farelo de soja, produtos siderúrgicos e contêineres.

 


O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) fez um estudo de Viabilidade do Sistema Ferroviário em Santa Catarina. De 45 simulações de traçados, de trechos novos e existentes apenas três foram considerados viáveis pelo órgão:

 


O corredor Planalto Serrano, que já é atendido pelas linhas das ALL. A Ferrovia Litorânea, que liga as regiões Norte, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis e Sul do Estado. E a Ferrovia Leste-Oeste (Integração), liga o Oeste Catarinense com o Litoral, suas regiões e portos marítimos.

 

Foto: Deise Ribeiro

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