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Bombeiros relatam Operação de resgate do trilheiro Fabrício Silveira

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Foto: Corpo de Bombeiros/ Divulgação

Foram mais de 24 horas de operação para o resgate de Fabrício Silveira, conhecido como Lalau que, ao retornar de uma trilha, por volta das 23 horas de sábado (15), deslizou e caiu aproximadamente 10 metros em uma ribanceira, de onde conseguiu avisar aos colegas que estava bem e que encontraria um caminho alternativo para chegar até o acampamento.

Às 3h30 da madrugada de domingo (16), como Fabrício não havia retornado ao acampamento, os amigos, acionaram o Corpo de Bombeiros, que iniciou todo o trabalho de busca e resgate.

O terceiro sargento Maicon da Silva Ataíde estava de serviço na madrugada de domingo (16) quando recebeu o chamado para atender à ocorrência. O atendimento começou às 7 horas da manhã, quando o sargento chegou na localidade Pinheiro Marcado, em Bocaina do Sul, e começou a coletar informações.

Às 8h30 foi até o ponto onde Fabrício caiu, desceu os 10 metros, e percebeu que a vítima havia caminhado muito pelo local e, depois, descido mais alguns metros. O sargento comenta que dava para ver os lugares por onde Fabrício caminhou e se segurou, além disso, o tecido da sua jaqueta estava grudado na vegetação e, assim, percebia os locais por onde passou.

Depois de fazer o reconhecimento da área e ver o quanto era perigoso o terreno, voltou para o primeiro patamar e esperou a chegada do soldado Luciano Rangel com o cão bombeiro Barney. Rangel estava dormindo, levantou, se arrumou e saiu sentido à localidade de Pinheiro Marcado, em Bocaina do Sul, onde ocorreu a queda, na companhia de seu cão.

Local era de difícil acesso

Os dois bombeiros e Barney demoraram três horas para descer 100 metros por meio de rapel. Os socorristas comentaram sobre as dificuldades e os perigos dessa descida, afinal, por ser uma rocha côncava, não havia onde se segurar, nem apoiar os pés, e os cabos acabavam raspando nas pedras, o que aumentava a chance de os cabos se romperem.

Na descida, o sargento conseguiu avistar o corpo de Fabrício entre as árvores, em seguida, Barney, o cão bombeiro, começou a latir e ficar agitado. Aquele instante foi crucial para toda a operação, encontrar meios para manipular o corpo e arrumá-lo dentro da maca cadavérica para que os policiais militares do Águia 04 pudessem fazer o resgate, dos bombeiros e do cachorro.

Isto já era próximo das 14 horas de sábado e um fator fez com que todo o cenário da operação mudasse de rumo. O vento prejudicou a aproximação do helicóptero do paredão e aumentou o perigo de o cabo se romper. Então, os militares optaram por guardar o cabo e pensar em outra forma de saírem dali.

Desgaste físico e frustração

O único alimento do dia, dos dois bombeiros, foi uma banana para cada um. Eles ficaram oito horas suspensos no cabo, sem se alimentar ou ir ao banheiro. E, com essa hipótese de não conseguirem ser resgatados pelo Águia e já estarem na operação há 18 horas, havia a possibilidade de dormirem pendurados.

Mas perto das 23 horas, conseguiram ser retirados por uma segunda equipe do Corpo de Bombeiros. Para se ter uma ideia, Barney e Rangel pesavam juntos 130 quilos, peso que era sustentado pelo cabo. Na hora de arrumar o corpo dentro da maca, eles tinham um espaço de meio metro quadrado e levaram quase duas horas para isso. Rangel enfatiza que todos os limites de segurança foram extrapolados na tentativa de retirar o corpo do local.

Sargento Maicon comenta que ficou com medo, inclusive de morrer, devido às condições do terreno. “Não sei como ele conseguiu caminhar naquela distância”, questiona. Fabrício caminhou por alguns metros para tentar encontrar a cachoeira, depois disso deslizou e foi caindo, por aproximadamente 60 metros, até ficar suspenso por algumas árvores.

Se os bombeiros levaram três horas para descer, a demora em subir foi quase o dobro. Como estava escuro e não tinham quase nada de visibilidade a subida, mesmo com uma segunda equipe auxiliando, levou cinco horas.

Na noite de sábado o corpo ficou no local para aguardar o resgate do helicóptero Águia 04. Rangel diz que os bombeiros foram muito criticados por isso, mas reafirma que a “corporação foi além dos limites para tentar retirar o corpo, mas não conseguiu”.

Ao chegarem em Lages, os dois bombeiros foram levados ao hospital devido às condições de saúde. Maicon teve uma lesão no braço, devido à força necessária para descer e subir o despenhadeiro. Rangel também foi atendido e precisou ser medicado.

O resgate

O corpo de Fabrício Silveira, foi resgatado pouco depois das 10 horas da manhã de segunda-feira (17) pelo Águia 04. O resgate foi feito com um tripulante militar da aeronave descendo do helicóptero, conectando o cabo à maca cadavérica e içando, suspenso ao ar livre, até o terreno onde os familiares aguardavam a chegada.

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