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Barulho de casa noturna incomoda moradores no Bairro São Cristóvão

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Foto: Camila Paes

Os moradores do Bairro São Cristóvão, em Lages,  não sabem mais como conviver com o barulho dos frequentadores de uma boate localizada na área residencial. São oito anos que enfrentam música alta, brigas, gritos, bagunça e violência na Rua Paraíba. Agora, reclamam que as festas têm sido realizadas também nos dias de semana e ressaltam que o Termo de Ajuste de Conduta feito com o Ministério Público não tem sido cumprido.

A boate mudou de dono algumas vezes, mas os moradores ressaltam que a situação permanece. Um empresário da região, que preferiu não se identificar, revela que a situação está cada vez pior. Em alguns momentos, os frequentadores da boate Kalavia, chegaram a fecharam a rua e não deixaram os moradores entrar em suas residências. “Há muitas brigas e nós temos medo que estejam armados, por isso, ficamos escondidos dentro de casa”, comenta o empresário.

Os moradores chegaram a acionar a Polícia Militar, porém segundo ele, nada foi feito e tem horas que os policiais afirmam não ter veículos para as rondas. “Estamos há anos nessa luta e o acordo feito com o Ministério Público não foi cumprido”, ressalta. O empresário ainda explica que sente que se esgotaram todas as opções para resolver o problema, e quando pedem para os frequentadores diminuírem o barulho, são ameaçados e xingados.

Outra moradora, que também preferiu não se identificar, revela que os frequentadores param os carros em frente às garagens impedindo que as pessoas entrem e saiam de suas casas. Além disso, quando pedem para tirar os carros, são ofendidos. “Eu deixo de sair de casa à noite porque fico com medo de voltar e não conseguir entrar em casa”, reforça. A moradora explica que chama a polícia, mas nunca tem retorno. Antes da boate, relembra que não havia problemas no local. “Eu já encontrei uma pessoa fumando crack na frente da minha casa”, afirma.

O proprietário da boate, Vilson Junior, revela que já esteve em reunião com o comando da Polícia Militar, que pediu para controlar o barulho dos frequentadores no entorno do estabelecimento. Internamente, acrescenta que não enfrenta problemas com brigas e confusões. Em função disso, explica que colocou seguranças no horário de entrada e saída do público, para controlar o barulho. Entretanto, diz que não há como mandar nas pessoas do lado de fora. “Este problema de barulho acontece em bares e outra boates de Lages, é comum. Nós ajudamos a cuidar, mas não temos como proibir”, ressalta. Sobre o vazamento de barulho interno, Vilson explica que a estrutura possui isolamento acústico e também um medidor de decibéis, que utilizam todos os dias de evento para conferir o barulho.

Reclamação também em relação a outros estabelecimentos

 

O problema do barulho proveniente de casas noturnas não é exclusivo dos moradores do Bairro São Cristóvão. Um dos casos, já noticiado anteriormente pelo Correio Lageano, é da Rua Cândido Ramos, no Centro. Por causa do barulho do Bailão da Amizade, moradores fizeram denúncias no Ministério Público. O barulho dura a noite toda e a bagunça dos frequentadores é grande. “Eles urinam, têm relações sexuais aqui, estacionam na frente das garagens e brigam”, revela uma moradora que prefere não se identificar. Uma das esperanças, com a atualização do Plano Diretor, é que ocorra a mudança do zoneamento da região, já que a casa noturna está nas proximidades da nova ala do Hospital Geral e Maternidade Tereza Ramos.

Tatiane Marinho, proprietária do Bailão da Amizade, explica que foi colocado acústica na parte da frente na estrutura e mantém segurança na parte externa do estabelecimento. Ela ressalta que os moradores não costumam reclamar para eles. O promotor de Justiça, Renee Cardoso Braga, afirmou em março, que a aferição sonora do local averiguou que está dentro dos limites legais na maior parte da estrutura, sendo que em um ponto está irregular. “O proprietário se comprometeu a regularizar isso em uma reunião em janeiro e demos 90 dias para isso. O prazo terminou em abril”. Sobre a reclamação dos moradores de casais terem relações sexuais em um terreno baldio, o promotor frisa que não é tarefa do MP tomar uma providências.  

No Bairro da Várzea, o Barracão Eventos promove festas de sexta a domingo. O proprietário Itamar Duarte afirma que a estrutura tem isolamento acústico e se não tivesse, não teria como retirar o alvará. Uma moradora, que também preferiu não se identificar, revela que consegue ouvir a música da festa dentro de casa. “Além disso, escuto os gritos e conversas de quem chega e sai do baile. Sem contar que estacionam os carros petos das casas e ainda tem as brigas”, explica. Itamar informa que os seguranças tentam controlar a bagunça na rua e quando percebem que os frequentadores não respeitam as normas, acionam a Polícia Militar.

O secretário do Meio Ambiente, Euclides Mecabô, explica que todas as casas noturnas precisam da documentação de impacto ambiental com a vizinhança para serem liberados os alvarás, além do controle dos decibéis. Ele ressalta que, a princípio, todas as boates lageanas estão com a documentação em dia. Em caso de reclamações, os moradores precisam formalizar as denúncias na Secretaria do Meio Ambiente. Caso o estabelecimento não esteja de acordo com as normas, o órgão notifica para que fique de acordo com a legislação. “Se não cumprirem as notificações, são multados e até mesmo, podem ter o alvará cancelado”, acrescenta Mecabô.

Em relação ao Plano Diretor, o secretário de Infraestrutura e Planejamento Claiton Bortoluzzi, explica que estão analisando os casos de cada boate de Lages e discutindo o seu funcionamento, baseado-se em estudos e também possíveis mudanças para a alteração do Plano Diretor.

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