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As duas faces da valorização do Dólar

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A Madeireira Rodrigues, em Correia Pinto, é uma das empresas que têm impacto positivo com o Dólar alto - Foto: Núbia Garcia/ Arquivo CL

Se, por um lado, o Dólar alto é bom para alguns setores da indústria, para outros a realidade é completamente diferente. A cotação da moeda norte-americana está em cerca de R$ 3,80, um cenário positivo para os exportadores e negativo para quem precisa importar insumos ou máquinas, por exemplo. Essa situação interfere diretamente na indústria catarinense.

De acordo com o consultor de economia da Federação da Indústria Catarinense (Fiesc), Paulo de Tarso Guilhon, os setores de carne e madeira têm sido os mais favorecidos com a alta do Dólar, pois são os que mais exportam. A venda de carne de aves e suíno em Santa Catarina, por exemplo, representaram 15,72% e 6,44% das exportações do país no mês de maio deste ano.

O setor madeireiro, um dos principais da economia da Serra Catarinense, também apresenta impacto positivo com a valorização da moeda norte-americana em relação ao Real. Uma das vantagens, segundo Paulo, é que a indústria deste setor fica mais competitiva no mercado internacional e o faturamento sobe.

A Madeireira Rodrigues, em Correia Pinto, produz compensados de pinus e exporta cerca de 98% de sua produção, vendendo seus produtos para a África do Sul, Austrália e países da Europa, por exemplo. Seu faturamento anual é de cerca de US$ 14 milhões, correspondente a aproximadamente R$ 46 milhões.

Conforme o gerente de exportação da empresa, Sérgio Rodrigues Júnior, do ponto de vista de rentabilidade, a alta do dólar traz benefícios no negócio. Ele afirma que a principal vantagem diz respeito à competitividade dos produtos no exterior, resultando numa maior margem de lucro.

O consultor da Fiesc destaca que fatores externos explicam a alta do dólar. O principal deles diz respeito ao aumento da taxa de juros nos Estados Unidos, onde a economia está fortalecida, o que acabou atraindo investidores com capital aplicado em países emergentes, como o Brasil. Com isso, o Dólar acabou se valorizado em relação ao Real.

Exportações e importações de Santa Catarina

Dados da Fiesc mostram que, em maio deste ano, as exportações catarinenses somaram US$ 730 milhões, ampliação de 6,14% frente ao mesmo mês de 2017 (representando 3,68% das vendas totais do Brasil).

No comparativo com março deste ano, houve decréscimo, com variação de 5,03%. As exportações brasileiras, por sua vez, cresceram em relação a abril do ano passado (12,18%), alcançando o patamar de US$ 19,9 bilhões.

Já as importações cresceram 37,09% em relação em comparação ao mesmo mês do ano anterior, fechando em cerca de US$ 1,3 bilhão de faturamento. No comparativo com março, houve ampliação de 22,4%. Enquanto isso, as importações brasileiras mostraram aumento de 28,57% frente a abril de 2017, e com uma ampliação de 6,5% no comparativo com março de 2018.

Quem ganha

 

  • Empresas exportadoras

 

Esse tipo de indústria gasta em Reais para produzir e vende em dólares, com isso, fica mais competitiva no mercado internacional e a margem de lucro aumenta.

 

  • Empresas que produzem e vendem no Brasil

 

Essas indústrias não precisam comprar matéria-prima no exterior, por este motivo, ficam mais competitivas perante aos produtos estrangeiros que ficam mais caros no mercado interno.

 

  • Turismo nacional

 

Com o dólar alto, ficou mais caro viajar para o exterior, assim, torna-se atrativo fazer turismo no Brasil. Sob outro prisma, a vinda de estrangeiros para cá, também, ajuda a aumentar o faturamento do turismo interno.

Quem perde

 

  • Indústria que importa peças e insumos

 

Essas empresas precisam comprar em Dólar no exterior, encarecendo, consequentemente, os custos de produção.

 

  • Empresas que devem em Dólar

 

Com a alta do Dólar, naturalmente quem tem dívidas com a moeda norte-americana precisa gastar mais para saná-las.

 

  • Turismo externo

 

Com a valorização do Dólar ante o Real, logicamente o turista precisa gastar mais com passagens e hotéis no exterior.

Dólar Comercial

É a moeda utilizada para realizar transações internacionais entre empresas ou por meio da Bolsa de Valores. Quando se exporta ou importa alguma mercadoria deve-se utilizar o dólar comercial.

Sua cotação é determinada pela Lei da Oferta e Procura, que busca equilibrar o montante de produtos que são fabricados e que são vendidos em território nacional. O Banco Central, que rege as flutuações de taxas de câmbio no Brasil, também costuma intervir sobre esse valor comprando ou vendendo a moeda.

Dólar Turismo

É o dólar utilizado para viajar a turismo. A compra de passagens e pacotes de viagens são todas feitas com este tipo de moeda. Mais caro que o Comercial, elas exigem das casas de câmbio um gasto maior com manutenção e transporte.

Outra forma de utilizar o dólar turismo é fazendo pagamentos de débitos em moeda estrangeira no cartão de crédito.

Dólar Paralelo

Diferente do dólar comercial e do turismo, o dólar paralelo não é legalizado aqui no Brasil. Ele se encontra às margens das negociações e são utilizados apenas por pessoas que não tem permissão de negociar com a moeda.

Quem mexe com esse tipo de dinheiro é comum que se use notas falsas, ou seja, aquelas que, de acordo com o Banco Central, não apresentam marcas d’água, por exemplo. Antigamente, esse tipo de dólar era utilizado como uma forma de proteção contra as oscilações da economia.

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